O budismo e as religiões afro-brasileiras

quarta-feira, 11 de março de 2009

"..... o diálogo não enfraquece a fé, mas a disponibiliza para encontros que desvelam novas e mais profundas dimensões de sua realização."1 (Faustino Teixeira)

A forte presença das religiões afro-brasileiras



Assim como a cultura indígena, a cultura africana está dentro de nós, brasileiros. Está misturada ao nosso sangue. Circula por nossas veias. Está presente na formação da nossa subjetividade, do nosso eu, nas artes plásticas, na música, na espiritualidade, na produção de alimentos, enfim, em todos os nossos hábitos, costumes e crenças.

Quer ainda marcadas pela sincretização com o catolicismo, quer contaminadas pelo "branqueamento", as religiões afro-brasileiras, muitas vezes reafricanizadas, encontram-se espalhadas pelo Brasil, assumindo caráter de religião universal.

Nesse sentido, podemos citar o candomblé de caboclo e de egum da Bahia (recentemente, com presença marcante em São Paulo); o xangô de Pernambuco e Alagoas; o tambor-de-mina do Maranhão e Pará; o batuque do Rio Grande do Sul; a macumba do Rio de Janeiro; a umbanda, espalhada em todo o território nacional; além de outras — o catimbó, a jurema, a pajelança, que apresentam fortes elementos indígenas e aparecem no Norte, de modo mais expressivo, no Amazonas.

Esta presencialidade das religiões afro-brasileiras em todos os recantos destas "Terras de Santa Cruz" impõe-nos, como seguidores de um outro caminho de espiritualidade, o do Budismo Nitiren, a necessidade de conhecê-las, pelo menos elementarmente. Dessa forma, na convivência com seus membros, adeptos ou fiéis, nossa compaixão com eles não esbarrará nos limites do histórico preconceito a que nos acostumamos ver em razão do sistema escravocrata que tantas cicatrizes deixou no nosso povo.

A sobrevivência, a consolidação e a expansão das religiões afro-brasileiras são a expressão da resistência e da vitória do povo escravizado contra seus opressores. Não ocorreu gratuitamente, fácil, sem luta. Do pujante e vigoroso candomblé da Bahia à pajelança do Amazonas e Piauí, as religiões afro-brasileiras carregam manifestações do sofrimento de um povo heróico, como é o povo negro, que, mesmo sob a opressão, soube preservar suas milenares tradições.

O diálogo possível entre duas distintas visões de mundo



Por ocasião do Encontro Nacional de Representantes de Divisão, em Tóquio, no dia 31 de maio de 2007, Daisaku Ikeda, presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), na presença de ilustres personalidades acadêmicas russas, revisitando Leon Tolstoi, um dos seus escritores preferidos, reafirma sua convicção de que "o diálogo é a única forma de construir a paz".2 Em 2001, na proposta de paz encaminhada às Nações Unidas, Ikeda enfatiza: "O diálogo tem o poder de restaurar e reflorescer nossa humanidade comum ao liberar nossa capacidade inata para o bem. É um ímã indispensável em torno do qual as pessoas se aproximam e a confiança é fortalecida. Foi o fracasso em tornar o diálogo a base da sociedade humana que produziu as amargas tragédias do século XX".3

Como grande pensador, Ikeda é dos que conseguem relacionar tudo a uma visão unitária e coerente, que funciona como um princípio organizador básico do que pensam e percebem. Em vários dos seus discursos, alinha-se com aqueles que acreditam que as tradições religiosas "guardam um patrimônio único de reverência e respeito pelo mistério da existência e o dom da vida".

Além disso, ele entende que "as religiões podem contribuir para o fortalecimento da solidariedade, do cuidado, da cortesia e da hospitalidade" — valores substituídos pelo egoísmo, pela nefasta competitividade, pela perversa corrida na busca do ter, do poder e do valer.

Do lado de cá do planeta, o emérito professor da Universidade Federal de Juiz de Fora, Dr. Faustino Teixeira, em entrevista sobre a importância do diálogo inter-religioso, afirma: "O diálogo surge como potente voz em favor de todo o criado: dialogar para não morrer e não deixar morrer". E acrescenta: "Outra fundamental dimensão do diálogo que se processa no encontro da experiência religiosa é o momento sublime em que se partilham as experiências de oração, fé e contemplação, na busca singular do Mistério sempre maior. Os que partilham semelhante experiência 'não se detêm diante das diferenças', pois estão animados por um propósito mais decisivo, o de promover e preservar os valores e ideais espirituais mais profundos do ser humano".4

A palavra de ordem do mundo atual, se quisermos, realmente, construir a paz, é substituir a ética do êxito ou das convicções por uma ética de responsabilidade. Isso redireciona o comportamento das religiões, que se encontram num processo de nova reflexão sobre o humano.

Hans Kung, renomado teólogo e filósofo contemporâneo, aponta dois critérios utilizados atualmente para se avaliar uma religião: o positivo e o negativo. Sob a perspectiva do critério positivo, uma religião é verdadeira e boa quando está a serviço da humanidade, no ato de fomentar a identidade, a sensibilidade e os valores humanos, para permitir ao indivíduo a oportunidade de alcançar uma existência rica e plena. Ou seja, precisa garantir o desenvolvimento humano em dimensões psicofísica e individual-social (vida, integridade, liberdade, justiça, paz). O contrário disso (critério negativo) ocorre quando se observa a falsidade e malevolência de uma religião, que provoca desumanidade ao ignorar a identidade, a sensibilidade e os valores humanos. É uma religião que priva o indivíduo de uma existência rica e plena, oprime, fere e destrói os homens em sua dimensão humana psicofísica e individual-social.5

Espiritualidade, mística e religião



Falar sobre religiões afro-brasileiras, sob o ângulo da mística comparada, requer que se tenham claros os conceitos de espiritualidade mística e religião. Buscaremos um caminho que leve à reflexão acerca desses conceitos, assinalando pontos convergentes e divergentes em relação à mística do Budismo Nitiren e das religiões afro-brasileiras.

Não cabe discutir instituições, organizações religiosas, associações civis, estruturas burocráticas e de poder, sedes, templos e terreiros. Essas são apenas estruturas instrumentais, são meios necessários, indispensáveis para que se concretizem os ideais professados pelas religiões; são a materialização de intenções.

O que, na realidade, importa é o coração das pessoas. É aí que reside a espiritualidade. É no coração que se encontra a mística.

Espiritualidade



Espiritualidade convém definirmos no contexto da nossa cultura, dos dramas que estamos vivendo em termos mundiais. O professor e doutor em teologia e filosofia, Leonardo Boff, afirma: "Espiritualidade é aquilo que produz no ser humano uma mudança interior". É um caminho de transformação. E acrescenta: "A espiritualidade vive da gratuidade e da disponibilidade, vive da capacidade de enternecimento e de compaixão, vive da honradez em face da realidade e da escuta da mensagem que vem permanentemente desta realidade. Quebra a relação de posse das coisas para estabelecer uma relação de comunhão com as coisas".6

A espiritualidade é uma dimensão do ser humano. Não é monopólio de nenhuma religião. Nem depende de religião alguma. Embora a religião seja o seu lugar natural.

Diversas pessoas não se filiam a nenhum tipo de religião e, mesmo assim, possuem ou são ricas de espiritualidade.

Enquanto outras, muitas vezes, dirigentes de organizações religiosas, padres, pastores, líderes de instituições, levam uma vida que não pode ser exemplo. Ainda que afirmem professar uma religião, não comprovam sua crença na vida diária. Ao contrário, mesmo exercendo funções de direção na instituição religiosa de que se dizem seguidores, contribuem para maculá-la com suas atitudes nas relações de convivência com os outros. E o mais grave, não aceitam mudar. Negam transformar-se. A postura ético-moral, na sociedade, deixa a desejar, sobretudo em questões afetivas. Na família, é uma desavença só. Esposa reclama do esposo; esposo menospreza, briga e subjuga a esposa; filhos discutem desrespeitosamente com os pais; na vizinhança, ninguém gosta; na organização religiosa, essas pessoas são autoritárias, briguentas, desmerecem a confiança de todos, alimentam-se de competir, disputar cargos, obter prestígio perante os dirigentes hierarquicamente superiores. É um verdadeiro vale-tudo. O que menos demonstram é magnanimidade, benevolência, bondade, amizade, ternura, carinho. Essa falta de espiritualidade impede a harmonia não apenas na vida dessas pessoas como em todo o ambiente que as cerca.

Mística



Mística, seguindo a linha de pensamento de Leonardo Boff, é uma dimensão do ser humano. É o que dá impulso à vida, alimenta as energias vitais para além do princípio do interesse, dos fracassos e sucessos. Tanto a espiritualidade como a mística pertencem à vida, em sua integralidade e sacralidade.

Para Boff, "a mística é a própria vida tomada em sua radicalidade e extrema densidade. Cultivada inconscientemente, confere à existência sentido de gravidade, leveza e profundidade. A mística sempre nos leva a suspeitarmos que, por trás das estruturas do real, não há o absurdo e o abismo que nos metem medo, mas vigem a ternura, acolhida, o mistério amoroso que se comunica como alegria de viver, sentido de trabalhar e sonho benfazejo de um universo de coisas e pessoas confraternizadas entre si e ancoradas fortemente no coração de Deus, que é Pai e Mãe de infinita bondade".7 A mística vem do coração, não da razão.

É por esse motivo que o mundo construído a partir da razão, que teve na filosofia de Descartes e na Física de Newton seus pilares, não deu certo. Ao contrário, mergulhou a humanidade na maior das crises de toda a sua história — a chamada "crise da racionalidade",8 acompanhada de manifestações fenomenológicas de caráter massivo, tais como: vazio, solidão, medo, ansiedade, agressividade sem objetivos, insatisfação generalizada. Nitiren Daishonin, o Buda Original, muito antes e bem distante desta civilização materialista, hedonista e consumista na qual vivemos já afirmava que "o que importa é o coração".

Religião



Carl Gustav Jung entendia a religião como uma atitude do espírito humano. Para ele, tal atitude é responsável por levar o ser humano à consideração e à observação cuidadosa de alguns fatores dinâmicos, como espíritos, demônios, deuses, leis, idéias, ideais. Afirmava que "o termo 'religião' designa a atitude particular de uma consciência transformada pela experiência do numinoso",9 ou seja, inspirado ou influenciado pelas qualidades transcendentais do divino.

Como mestre da psicologia do profundo, Jung atribuía considerável relevância à religião no processo de individuação dos seres humanos à medida que trabalha grandes sonhos e projeta grandes esperanças. Dizia que a religião está na raiz da mística e da espiritualidade. Sobre religião e espiritualidade, Daisaku Ikeda, comentando a fala do narrador e principal personagem de Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, diz: "Confesso que fiquei muito impressionado quando me deparei com a afirmação do jovem jagunço Riobaldo, numa trégua de suas lutas no sertão do Brasil: 'Eu queria formar uma cidade da religião. Lá nos confins do Chapadão, nas pontas do Urucuia'. Jamais esquecerei a perturbadora emoção que senti diante desta enérgica expressão, de sonoridade cósmica. Em que lugar do mundo a religião se manifesta de forma tão vigorosamente viva? Reconheçamos que, neste fim de século, as religiões já não têm a mesma força de outrora. Encontram-se enfraquecidas pela torrente da secularização. Estão perdendo a espiritualidade, escondida no íntimo envergonhado das pessoas. Atravessam altos e baixos efêmeros com seus ensinamentos duvidosos. Muitas práticas confundem-se com o ocultismo, ou funcionam como gêiser, cuja energia explode inesperadamente, gerando conflitos sangrentos. A imagem que atualmente se tem da religião é, na maioria das vezes, negativa. Sendo raros os casos, como o de Riobaldo, em que a religião é abraçada como fonte da esperança".10

A espiritualidade que veio da África



Para muitos, cinco milhões de homens e mulheres escravizados vieram da África para o Brasil. Outras estatísticas dão conta de mais de três milhões de negros que foram transportados escravizados da Nigéria, Daomé (atual Benin), Angola, Congo e Moçambique, para o nosso país, nos séculos XVI e XIX. O Brasil foi o segundo maior importador de escravos do Novo Mundo.

Foram milhões de famílias desagregadas, dispersas à força, com seus membros, pais, filhos, maridos, mulheres espalhados pelas mais diversas localidades do Brasil.

A política da colonização portuguesa de dividir para governar levava os portugueses a separar os escravos em diferentes nações.11 Mesmo assim, muitos conseguiram manter alguns laços com sua herança étnica. Embora sejam várias as denominações religiosas afro-brasileiras, conforme vimos, o candomblé e a umbanda são consideradas as mais representativas.

O candomblé, hoje, tornou-se religião universal, reafricanizada, ou seja, libertou-se do sincretismo e decretou o seu retorno às verdadeiras origens africanas.

Já a umbanda, ao contrário, fundada, em meados de 1920, para ser uma religião brasileira, reuniu elementos do candomblé, do catolicismo e do espiritismo kardecista, na tentativa de "branquear" a tradição religiosa africana.

É relativamente recente o fenômeno do aparecimento das religiões afro-brasileiras. Isso porque os negros eram proibidos de praticar outra religião a não ser o catolicismo. O primeiro terreiro de candomblé no Brasil surgiu na Bahia, por volta de 1830.

A periferia urbana brasileira, onde os escravos tinham maior liberdade de movimento, organizando-se em nações, foi o local em que apareceram as novas religiões. Então, espalharam-se por todo o Brasil, tomando diversos nomes: catimbó, tambor-de-mina, xangô, candomblé, macumba, batuque e outros.

O sagrado, a natureza e a cultura oral



Assim como na Grécia antiga, religião, arte, trabalho não se separam na cultura africana. Tudo se funde em um todo integrado que é a vida da tribo.

O sagrado africano descreve a profunda ligação entre o homem e o Cosmo, cuja base é material e concreta. Nota-se que a relação dos africanos com o sagrado se dá em articulação com a natureza e seus elementos (terra, ar, fogo e água). Para expressarem suas dificuldades cotidianas ou milenares, os africanos estabelecem comunicação com os astros, com a flora e com a fauna circundantes. O calendário espiritual é organizado de acordo com as estações da natureza, que delimitam o calendário agrícola e a vida das tribos. Por conseqüência, o espaço natural transforma-se, circunstancialmente, em ritual.

As religiões afro-brasileiras são portadoras de vasta visão de mundo representada pela própria descrição dos orixás.12

No candomblé, a vida é celebrada nas cerimônias anuais, dedicadas a cada orixá; nos rituais de iniciação,13 de nascimento, casamento e nos ritos fúnebres. Aliás, as cerimônias fúnebres têm lugar especial; vinculam-se ao próprio equilíbrio da vida. Acredita-se, no candomblé, que a morte seja como um momento de transformação da vida, não sua extinção. O corpo, após a morte, se reintegra ao Universo, e o espírito continua a revigorar o grupo e o sistema.

Em relação ao sacrifício, como oferenda, ocorre para conservar o equilíbrio entre o plano visível e o invisível, garantindo o fluxo da vida. Muitas vezes, o sacrifício é para aplacar as divindades ou para se proteger dos inimigos. Oferecem-se animais domésticos na crença de que os órgãos internos destes animais possuem forças especiais. O sangue é oferecido como dádiva agradável à divindade.

O círculo que se estabelece entre o adepto, o sacrifício e o orixá visa principalmente a transmitir e revigorar o axé. Oferecendo a vida ao orixá, é o próprio ser humano que permanece revigorado. A vida circula reforçando-se e assegurando, a quem oferece, a realização do ciclo vital, até o alcance da harmonia eterna.

O nascimento dos orixás



Em uma das suas principais obras, o professor e pai-de-santo José Ribeiro assim descreve como nasceram os orixás: "Do consórcio de Obatalá (céu) e Odudua (terra), nasceram os deuses orixás — Aganju, considerado como a rocha; e Iemanjá, representando as águas. Do conúbio (casamento) de ambos, originou-se o orixá Orugã, intermediário entre o céu e a terra. Na ausência de Aganju, Orugã rapta e viola Iemanjá. Esta, aflita e entregue ao desespero, foge à perseguição do filho, e, na alucinação da fuga, tomba morta, nascendo-lhe dos enormes seios, 'duas correntes d'água, que, reunidas mais adiante, formam 'um grande lago'. De seu ventre desmensurado, provieram os seguintes orixás: Dadá (deusa ou orixá dos vegetais); Xangô (deus do trovão); Ogum (deus do ferro e da guerra); Olokum (deus do mar); Oloxá (deusa dos lagos); Oiá ou Iansã (deusa do rio Niger); Oxum (deusa do mesmo rio); Obá (deusa do rio Obá); Okô (deus da agricultura); Oxóssi (deus dos caçadores); Okê (deus das montanhas); Ajé-Xalugá e Ochambin (deuses da saúde); Xapanã (deus da varíola); Orum (o Sol) e Oxu (a Lua)".14

O axé



O axé ou ixé é o objeto consagrado que tem força espiritual.

Quando, por exemplo, termina a iniciação de um filho-de-santo, para provar sua força espiritual, coloca-se um copo d'água na mão, sacudindo-o; a água fica impregnada de influências benéficas, curativas. É o axé.

Os axés são também os amacis, preparados com as ervas dos orixás, destinadas a diversos fins.

O transe na religiosidade afro-brasileira



O transe é um estado psicofisiológico parecido com o sono, caracterizado pela diminuição ou ausência de percepção conscientizável e de resposta aos estímulos do meio ambiente. No transe, a atividade voluntária é substituída por comportamentos automáticos.

O transe é uma característica central das místicas das tradições religiosas da África Ocidental Iorubá, Fon etc., que mais marcaram a religiosidade afro-brasileira. É a tomada do corpo pelo santo (orixá).

Há uma enorme variedade de formas de transe, e o adepto vai introjetando os vários modos de relação com os orixás e voduns ao longo de sua vida, de acordo com os graus de iniciação por que passa.

No transe, o Outro se enuncia em primeira pessoa e sua natureza semiótica não exclui sua dimensão psíquica; ao contrário, a inclui. Um fator muito interessante, que pode ocorrer simultaneamente, é a presença dos sonhos e visões, aceitas, num contexto geral, como mensagens, ou outras formas de contato com os deuses. Em termos científicos, o transe tem se tornado matéria de estudo para a psicanálise, a metapsicologia, a psicologia social psicanalítica e outras.

O "branqueamento" das religiões afro-brasileiras



No final do século XIX, surge no Brasil, proveniente da França, o espiritismo de Alan Kardec. Uma fusão entre a visão cármica do mundo, de origem hindu e preceitos cristãos, acrescido de conceitos racionalistas do século XIX. Esta nova religião imediatamente se firmou no Brasil, tornando-se, no início, uma religião de classe média, embora freqüentada também por pobres e por negros.

A presença dos negros nos centros espíritas do Rio de Janeiro representava, ao mesmo tempo, a presença de tradições do candomblé. Era fator motivador de grandes polêmicas e conflitos nas casas espíritas; isso devido ao modelo de religião ser europeu, o que correspondia à ausência de elementos da religiosidade africana.

Essa situação de conflito abriu campo, em meados de 1920, a uma nova religião: a umbanda. Podia-se entendê-la como a fusão entre espiritismo kardecista, catolicismo, candomblé, além de outros elementos nacionais, como os caboclos e pretos velhos, espíritos de índios e de negros.

A umbanda, por um lado, buscou apagar os traços da cultura africana, presentes em sua formação. Tomou como modelo o kardecismo e procurou expressar ideais e valores da nova sociedade capitalista e republicana. Muitas foram as modificações: a língua vernácula foi adotada; a iniciação, simplificada; e os sacrifícios de sangue, quase totalmente eliminados. Por outro lado, além de manter os ritos cantados e dançados do candomblé, a umbanda seguiu com a idéia dele. Ou seja, com o juízo de que a experiência neste mundo implica a obrigação de gozá-lo, o pensamento de que a realização do homem se expressa por meio da felicidade terrena que ele deve conquistar, questionando, dessa forma, a noção kardecista da evolução cármica (o que somos hoje depende de como agimos numa vida passada).

Colocando-se como uma religião capaz de oferecer um instrumento a mais para apoiar seus adeptos no esforço em mudar as circunstâncias a seu favor, a umbanda oferece a manipulação do mundo pela via ritual. Foi graças à umbanda que as grandes cidades do Sudeste do Brasil conheceram o despacho a Exu, oferenda depositada nas encruzilhadas.

A espiritualidade budista: semelhanças e divergências



Para definir a espiritualidade budista, o professor e doutor Leonardo Boff descreve as diferenças entre os caminhos de espiritualidade ocidental afirmando: "O Oriente fez outro caminho, de certa forma mais grandioso que o nosso, porque mais ancestral e englobante. A primeira experiência que a pessoa, o monge, o professante de um caminho espiritual do Oriente faz é o da totalidade; vale dizer, da unidade da realidade. As coisas não estão colocadas umas ao lado das outras, em justaposição, mas são todas sinfônicas, interligadas. Há uma grande unidade, mas uma unidade complexa, feita de muitos níveis, de muitos seres diferentes, todos eles ligados e religados entre si, num profundo e intenso dinamismo.

Quando o mestre Iogue pergunta: "Quem és tu?", ele aponta o Universo e responde: "Tu és tudo isso, nós somos toda essa realidade, somos parte e parcela do todo, somos o todo".15

"Enquanto o caminho espiritual do Oriente busca a interioridade do ser humano, nosso caminho ocidental busca a exterioridade. Um é o caminho para fora, para a conquista do espaço exterior, alcançando os últimos limites, demandando o infinito do céu acima de nossa cabeça. O outro é o caminho para dentro, pelos meandros de nossos desejos, pela profundidade de nossas intenções, rumo ao próprio coração."16

Podemos assim dizer que existem grandes diferenças da espiritualidade budista em relação à afro-brasileira. A começar, sob o ponto de vista do budismo, pela negação da dualidade corpo-espírito e da existência, em separado, do bem e do mal. Outra relevante distinção é a presença de mediações (orixás) que se põem entre as pessoas e a divindade suprema Olorum. Destaca-se também a presença do transe, fato que não ocorre no budismo.

Por outro lado, a concepção do "eu", a visão da subjetividade, de acordo com o budismo, é bastante parecida com a visão dos africanos. Na espiritualidade budista, o "eu" é sacralizado, ou seja, é a pessoa que possui, como natureza última, sua fonte originária, a natureza de Buda; ela é sagrada, em si mesma, não importando a condição de vida ou os estados de consciência em que se encontre. E, ainda, tal sacralização é estendida a todo o Cosmo. O "eu" possui, ainda, natureza interdependente. Não se constitui de essência própria, inerente a si mesmo.

O africano é um "ser com" e "vive com". Fora da comunidade, sente-se isolado, ameaçado, desamparado e perdido. Encontra sua força vital, seu sentido, seu potencial de ser enquanto se encontra unido a outros, visíveis e invisíveis. Fora da dimensão relacional, só existe confusão e morte. Daí, os princípios éticos dos africanos estarem enraizados em conceitos-chave como vida, solidariedade clânica, força e harmonia.

Outras semelhanças existem entre as tradições afro e o budismo. A maior delas é a visão de mundo profundamente ecológica dos caminhos afro de espiritualidade. Basta observar o nascimento dos orixás. Como está presente a natureza, o Cosmo!

Inclui-se, neste item, a sacralidade da natureza e do Cosmo como uma convergência com a espiritualidade budista.

O próprio axé, energia cósmica que penetra todo o Universo, concentrando-se no ser humano, pode ser associado ao Myoho-rengue-kyo. Esta é a Lei Mística, energia suprema, fonte originária de tudo; a tudo permeia e impregna; está presente não apenas nos seres humanos mas até nas unidades subatômicas do Universo.

Outra semelhança entre os dois caminhos de espiritualidade, aqui postos em paralelo, é a relação mestre e discípulo. Tanto na relação entre o santo de cabeça e seu filho, cuja descrição é parecida com a relação mestre e discípulo do 7º capítulo do Sutra de Lótus, "Parábola da Cidade Imginária,17 como na relação de ternura, carinho, amizade, proteção e cuidado que os pais-de-santo empreendem com seus filhos e filhas. Aliás, este é dos aspectos mais belos do candomblé e é esta relação que, em nossa comunidade religiosa, cada dirigente deve manter com seus membros. Uma relação horizontal, de ternura, cuidado, carinho; acima de tudo, de compaixão.

O presidente Ikeda, ao falar sobre a imperiosa necessidade de sabermos transcender as diferenças em realidades da vida diária, o que significa "atingirmos um estado no qual não somos mais presos nem constrangidos por nossa consciência da diferença", afirma: "Nitiren considera que a essência real da vida 'não pode ser queimada pelas chamas no fim de um kalpa, nem arrastada pelas inundações nem cortadas por espadas nem perfurada por flechas. Ela cabe numa semente de mostarda e, embora a semente de mostarda não possa se expandir, não há necessidade de a vida encolher. Ela enche todo o Universo. O Cosmo não é tão vasto nem a vida tão pequena para caber dentro dele'". 18

Comentando a passagem citada dos escritos de Nitiren Daishonin, explica: "O que é descrito aqui é um estado de vida perfeitamente claro, translúcido, indestrutível e luminoso".19

Pode-se descrever a espiritualidade budista como o permanente esforço para compreender que todos os seres, sem exceção, são budas; compreensão esta que permite a transformação no estado fundamental da vida da pessoa.

Nesse sentido, a fé não pode ser apenas um sentimento da alma humana. É a entrada do homem na realidade, "na realidade inteira, sem cortes nem abreviações".20

Na carta "Sobre atingir o estado de Buda nesta existência", consta: "A vida, em cada momento, permeia todo o mundo fenomenal e é revelada em todos os fenômenos".21

É com esse sentimento do encontro, do mergulho na totalidade do real, o olhar da fé, que devemos lançar nosso olhar sobre as religiões afro-brasileiras. Temos de vê-las em sua integralidade, sem cortes, sem abreviações. Assim, veremos serem estas tradições fenômenos constitutivos da realidade, portanto, permeadas pela vida, conseqüentemente, prenhes do Myoho-rengue-kyo. Julgá-las utilizando categorias inerentes a outras culturas, como faz o olhar do imperialismo cultural, é alimentar a cultura de guerra em vez de construir a paz.

NOTAS 1. TEIXEIRA, Faustino. Entrevista ao IHU On–Line, ano 5, nº 133, 21 de março de 2005. 2. Brasil Seikyo, edição nº 1.910, 4 de outubro de 2007, p. A3-A4. 3. IKEDA, Daisaku. Desafio de uma Nova Era — Paz. São Paulo: Brasil Seikyo, 2001, p. 186. 4. TEIXEIRA, ibidem. 5. Cf. KUNG, Hans. Teologia a Caminho – Fundamentação para o diálogo ecumênico. São Paulo: Paulinas, 1999, p. 279-280. 6. BOFF, Leonardo. Espiritualidade – Um caminho de transformação. Rio de Janeiro: Sextante, 2001. 7. BOFF, Leonardo. Mística e Espiritualidade, 4ª ed., Rio de Janeiro: Rocco, 1999, p. 27. 8. Questionamento de todos os esquemas, de todas as ideologias, de todas as ciências, de tudo o que pretende ser uma explicação suficiente do real. 9. JUNG, Carl Gustav. Psicologia da Religião Ocidental e Oriental. Dom Mateus Ramalho Rocha, trad. OSB, Petrópolis: Vozes, 1980, p. 4. 10. Brasil Seikyo, edição nº 1.211, 13 de fevereiro de 1993, p. 5. 11. O termo nações se refere ao local geográfico de um grupo étnico e sua tradição cultural (JENSEN, Tina Gudrun. Discurso sobre as religiões afro-brasileiras: da desafricanização para a reafricanização. Maria Filomena Mecabô, trad. REVER — Revista de Estudos da Religião, nº 1, 2001, p. 1). 12. Cada uma das divindades das religiões afro-brasileiras. Simbolizam as forças da natureza: o raio, o vento, a chuva, o mar, a floresta, a peste, a guerra, entre outras. 13. Iniciação é um ritual pelo qual alguém é admitido em uma religião ou em uma sociedade. É um conjunto de conhecimentos indispensáveis para que se possa conhecer, inteirar-se de um sistema religioso, filosófico, artístico ou, simplesmente, social. As religiões ou sociedades que adotam a iniciação são chamadas iniciáticas. 14. RIBEIRO, José. Cerimônias da Umbanda e do Candomblé. Rio de Janeiro: ECO, s/d., p. 117-118. 15. BOFF, 2001, p. 58-63. 16. Idem, ibidem. 17. The Lotus Sutra, Burton Watson, trad. Nova York: Columbia University Press, 1993, p. 117. 18. IKEDA, Daisaku. Desafio de uma Nova Era — Paz. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2001, p. 129. 19. Ibidem. 20. BUBER, Martin. Eclipse de Deus — Considerações sobre a relação entre religião e filosofia. Carlos Almeida Pereira, trad. Campinas,SP: Verus Editora, 2007. 21. Os Escritos de Nitiren Daishonin, v. 1, p. 2.
 
Fonte: Revista Terceira Civilização da Editora Brasil Seikyo
DEZEMBRO DE 2007 — EDIÇÃO Nº 472

Encontro de Daisaku Ikeda presidente da SGI (ONG budista) com o Presidente da Nigéria Olusegun Obasanjo

Presidente Olusegun Obasanjo da República Federal da Nigeria — levando o povo ao poder


O presidente Ikeda encontrou-se com Obasanjo em 22 de maio deste ano.

Papai, não seja chefe de Estado," implorou sua filha de nove anos, Iyabo.

Tornar-se o líder da nação era o que sua família mais temia, motivo pelo qual eles não ousavam falar muito no assunto.

Fez-se um silêncio total na sala. Todos sentados aguardavam ansiosamente o que o chefe da família, Olusegun Obasanjo, responderia.

Era fevereiro de 1976, e nessa época tornar-se o líder da Nigéria significava colocar a própria vida em risco. O chefe de Estado anterior, general Murtala Ramat Muhammed, havia sido assassinado, e sua morte fora causada justamente por ele ter tentado conduzir a nação do regime militar ao civil. O general Obasanjo era o segundo no comando. Havia uma probabilidade muito grande de que o próximo líder no governo teria o mesmo destino de seu predecessor.

"Você tem minha palavra, Iyabo", disse ele, finalmente. "Amanhã, renunciarei ao final da reunião do Conselho Supremo Militar e nos mudaremos para Abeokuta e viveremos uma vida tranqüila."

Essa havia sido sua decisão, e já havia iniciado os preparativos para a viagem. Mas ele não sabia o que os dias seguintes lhe reservavam.

Obasanjo abraçou cada um de seus cinco filhos. Era seu presente de despedida para eles, caso algo terrível lhe acontecesse. Obasanjo estava com 38 anos. Sua decisão de abrir mão da posição de chefe de Estado não havia sido tomada por temer por sua vida, mas porque estava profundamente descontente com a situação de seu país. "A Nigéria não é mais um país pelo qual valha a pena servir tendo em vista a maneira tão cruel como o general Muhammed foi recompensado pelos seus abnegados esforços à nação," insistiu ele aos membros do Conselho.

Quando ainda estavam sob o regime colonial, muitas nações africanas consideravam "independência" como uma espécie de palavra mágica. "Com a independência, os séculos de sofrimento e luta chegarão ao fim"; "Se conquistarmos a independência, tudo ficará bem", pensavam. Mas isso era apenas uma ilusão que não tardariam a perceber.

Mesmo após a independência, eles continuaram sendo dominados, embora de forma diferente, pelas nações estrangeiras. Uma pequena classe privilegiada aliou-se aos exploradores e com isso encheu seu próprio bolso.

Grupos de reformistas aplicavam um golpe de Estado após outro, mas cada novo governo acabava manchado pela mesma corrupção. Isso ocorria em toda a África. As duas potências que sustentavam a Guerra Fria valiam-se das violentas guerras civis para vender armas para todas as facções.

Após conquistar a independência da Grã-Bretanha em 1960, a Nigéria caiu vítima da terrível tragédia da guerra civil e a felicidade de seu povo parecia algo cada vez mais distante.

Naquela reunião do Conselho, foi ressaltado ao general Obasanjo que se ele não aceitasse o cargo de chefe de Estado, o poder cairia nas mãos dos rebeldes.

Ele não tinha mais nenhuma escolha. "Talvez seja meu destino", pensou, "Ou então, meu dever".

Quando sua pequena filha soube que o pai não pôde manter sua promessa, ela chorou inconsolavelmente.

Encontrei-me com Obasanjo pela primeira vez dezesseis anos depois desse episódio, na primavera de 1992. Ele estava acompanhado do embaixador da Nigéria no Japão, Mai-Bukar Garba Dogon-Yaro.

Obasanjo viajara ao Japão como representante da África para uma conferência sobre meio ambiente que se realizaria em Tóquio. Obasanjo atuou como chefe de Estado por três anos, de 1976 a 1979. Como havia prometido, acabou com o governo militar e introduziu uma constituição democrática que assegurava a soberania do povo e os direitos humanos fundamentais, estabelecendo um sistema presidencial de governo. Ele foi o primeiro líder nigeriano que deixou seu cargo para dar lugar à democracia.

Nessa primeira visita ao Japão, Obasanjo participou de uma reunião de dirigentes da Divisão Feminina e proferiu um discurso afirmando seu apoio ao nosso movimento cultural. "A cultura", disse ele, "é a força motriz em nossa vida. Sem cultura, não temos raízes". Seu discurso foi transmitido via satélite para todo o Japão.

Ele identificou o espírito budista com a rejeição ao servilismo e à opressão, e declarou ainda que o budismo possuía a força para elevar a espiritualidade da humanidade. Obasanjo demonstrou ser um líder digno, possuidor de uma mente aguçada e perspicaz e de um sorriso caloroso.

"Um líder deve ter raciocínio claro e objetivos próprios, caso contrário será manipulado pelos outros e acabará perdendo o rumo", disse ele.

O objetivo pessoal de Obasanjo era a educação. Durante seu mandato, tornou gratuita a educação nas escolas de ensino fundamental e construiu muitas universidades, com o desejo de que todos os jovens nigerianos tivessem acesso à educação.

Recepcionamos Obasanjo novamente naquele mesmo ano, em outubro de 1992, dessa vez na Universidade Soka, onde um grupo de estudantes da Associação para a Amizade Pan-Africana apresentou um coral em sua homenagem. Eles entoaram a canção nigeriana "Abeokuta", que é o nome do povoado em que Obasanjo cresceu.



Essa colina, essa terra —

É onde você nasceu,

Uma terra de riquezas e paz.

Sou feliz, aqui nos penhascos de Olumo.

Jamais te esquecerei,

Sempre o terei em meu coração.



"Abeokuta" significa "sob as rochas". Essa canção alude à lenda dos penhascos Olumo, que salvaram muitas pessoas que fugiam do massacre da guerra e iam se enconder entre suas rochas.

Os verdadeiros líderes devem ser como rochas que protegem as pessoas. Em nossa conversa, Obasanjo e eu concordamos quanto à veracidade do ditado nigeriano: "O telhado luta contra a chuva, mas os que se refugiam sob o telhado não têm consciência de que estão sendo protegidos."

Obasanjo nasceu em 1937 numa pequena vila próxima a Abeokuta, como filho de um próspero fazendeiro. Contudo, aos treze anos, a situação financeira da família mudou drasticamente. Com esse empobrecimento inesperado, ele teve de estudar sob circunstâncias cada vez mais difíceis.

O jovem Obasanjo ia aos bosques nas redondezas para apanhar lenha, ou então ia até as margens do rio para apanhar areia e vendia tudo o que conseguia para as companhias de construção. Ele também trabalhou para outros fazendeiros. Frente a essas dificuldades, toda vez que se sentia desencorajado, lembrava-se do lema de sua escola "Ajude a si mesmo", e então empenhava-se mais arduamente. Ele custeou seus estudos de ensino médio realizando todo tipo de trabalho.

A escola localizava-se em Abeokuta, e ocasionalmente sua mãe viajava de sua pequena vila para levar-lhe a pouca comida que conseguia reservar.

Obasanjo obteve excelentes notas e pretendia ser professor, mas continuava pobre como sempre. Uma das principais razões pelas quais decidiu ingressar na carreira militar foi que ali poderia continuar estudando gratuitamente. Não era o curso adequado para uma pessoa cujos colegas de classe consideravam o que menos afinidade tinha com a vida militar.

Então, Obasanjo viajou para a Inglaterra a fim de estudar na Academia Real Britânica de Engenharia Militar, onde recebeu uma menção honrosa por se destacar como melhor estudante da Comunidade Britânica em toda a história da instituição.

Quando ele ingressou nas forças armadas, não se atreveu a dizer para sua mãe que havia escolhido uma das profissões mais perigosas, pois sabia que ela desmaiaria de susto.

Será que os heróis estão fadados às tragédias e os honestos, à traição? O caminho da democracia iniciado por Obasanjo foi bloqueado por um golpe de Estado, e o governo militar foi restaurado. Uma vez mais, a nação foi assolada pela corrupção e os bens públicos usurpados. Em meados da década de 80, o padrão de vida da Nigéria esteve abaixo dos índices apresentados na década de 50, ou seja, antes da independência.

A Nigéria tinha uma população de quase 120 milhões de habitantes, a maior da África. Um de cada cinco habitantes da Região da África Subsaariana é nigeriano, posicionando a Nigéria entre as principais nações do continente. Desde tempos antigos, foi berço de culturas altamente desenvolvidas, como as de Nok e Ife, que remontam a dois mil anos. Sua música e arte também tiveram uma grande influência na Europa moderna.

A Nigéria é rica em petróleo. É uma bela terra e seu povo é maravilhoso. Mesmo assim, por que havia tanto sofrimento e pobreza? Devido à corrupção. "A corrupção é uma ameaça maior do que a Aids ao desenvolvimento africano," declara Obasanjo, que continuou a promover a democracia mesmo após ter se retirado da política. Ele vive fiel à sua crença de uma vida a serviço da humanidade.

Obasanjo lançou a Nigéria no palco mundial. Ele criou o Fórum e a Fundação de Líderes Africanos, trabalhou para a Unesco e mediou incansavelmente as negociações de paz entre Angola e Namíbia. Obasanjo chegou a ser indicado como candidato a secretário-geral das Nações Unidas.

Em 1986, como co-presidente do Grupo de Pessoas Eminentes da Comunidade Britânica de Nações Sul-Africanas, ele viajou para a África do Sul e visitou Nelson Mandela na prisão. O ato de Obasanjo, de entrar numa praia "exclusiva para brancos", como protesto contra a política do apartheid durante essa visita, foi muito comentado. Ele fez isso para mostrar ao mundo o absurdo do apartheid. Posteriormente, Mandela louvou Obasanjo como "um amigo especial cuja grandeza está acima de muitos que hoje ocupam altos cargos".

O líder nigeriano possui muitos amigos em todo o mundo e luta continuamente para evitar que a Nigéria não se isole da comunidade internacional.

Mas como os líderes políticos de seu país retribuíram seus esforços? Com a prisão.

Em 1995, o governo prendeu esse homem que continuamente defendeu a democracia. Ele foi sentenciado à morte. Vigorosos clamores do mundo inteiro fizeram com que a sentença fosse reduzida para quinze anos, e ele foi confinado à Prisão de Yola, que também era conhecida como "o inferno sobre a Terra".

Obasanjo permaneceu preso por mais de três anos. Por fim, com a morte do ditador que oprimia seu país, ele foi libertado. Mas o que ele encontrou ao sair da prisão foi uma nação dividida e praticamente destruída por líderes corruptos e gananciosos.

Obasanjo decidiu levantar-se uma vez mais, em prol de sua amada Nigéria. Seu lema na campanha presidencial era "O povo no poder". E, em fevereiro de 1999, foi eleito presidente.

Ele seria o valente líder que conduziria sua pátria rumo ao século XXI. Quando visitou o Japão dois meses após ser eleito, eu o recepcionei com profunda emoção. Ele abriu bem seus braços feliz pelo reencontro.

Louvei-o por sua inabalável convicção. Embora fisicamente debilitado devido ao tempo que passou na prisão, seu espírito jamais se abalou ou rendeu-se ao desespero. Obasanjo tinha uma forte fé e sabia que um dia seria libertado. Ele jamais abandonou sua luta de servir à humanidade. Um amigo lhe escreveu enquanto estava na prisão: "Você parece ter algo que nós, aqui fora da prisão, não temos." Cada palavra de Obasanjo está imbuída de forte fé e comprometimento com a vida.

O que é democracia?

Há líderes que não abandonam suas convicções políticas, mesmo que tenham de ser aprisionados em defesa delas. Mas há também líderes que só se preocupam com ganhos imediatos e mudam suas crenças com a mesma facilidade com que trocam de roupa. Em sua busca do poder, não têm remorsos manipular a verdade e a justiça, e tampouco possuem escrúpulos na hora de usar as pessoas. Como esses líderes ousam falar em democracia?

Se não fosse pelas pessoas dispostas a arriscar a vida por suas crenças, a democracia se transformaria em algo inerte. Por mais perfeitos que sejam os sistemas políticos ou as constituições, se não houver um espírito democrático, não passarão de meras formalidades ou práticas vazias. Um corpo sem alento é um corpo morto.

Obasanjo disse que quer infundir autoconfiança ao povo de seu país. Quer restaurar em cada nigeriano a fé em si mesmo, em seu governo e em seu país. O fervor com que ele pronunciou essas palavras me comoveu quase às lágrimas. Os japoneses podem aprender muito com a humildade de Obasanjo e com seu amor pelas pessoas.

É muito mais nobre incutir esperança no coração de uma pessoa, mirar sempre o futuro, não importando as humilhações que tenha de sofrer, do que deixar que um breve período de prosperidade lhe suba à cabeça e o convença de que a luta espiritual é irrelevante.

Os japoneses têm a tendência deplorável de desprezar o que chamam "terceiro mundo". Mas julgar uma nação unicamente pela sua riqueza nada mais é do que uma evidência da própria falta de civilização e de cultura. Hoje, o Japão paga um alto preço por ter tratado com tanta hipocrisia a importância do espírito.

Desde os tempos antigos, as culturas africanas possuem um profundo respeito e admiração pela maravilhosa força vital que permeia a natureza, a sociedade e tudo o que existe no universo. A cultura materialista de hoje chegou a um beco sem saída e a África detém a chave para uma transformação que conduzirá a uma cultura de vida.

O futuro, um glorioso futuro, aguarda pela África.

Obasanjo e eu conversamos a respeito do futuro. Falei-lhe de minhas esperanças quanto a criação de um Estados Unidos da África; e o novo presidente nigeriano compartilhou suas esperanças com relação aos intercâmbios educacionais. Há um provérbio nigeriano que diz: "A esperança é o pilar que sustenta o mundo."

Presenteei Obasanjo com um poema de minha autoria intitulado "O Sol Nascente da África — Um Tributo à Democracia".O poema inicia assim:



O Sol jamais se apaga!

— "Nada pode me obscurecer,

Por mais profunda que seja

a escuridão."



O Sol jamais retrocede!

— "O caminho de minha missão é imutável,

Por mais furiosas que sejam

as tormentas!"



O Sol jamais descansa!

— "Brilharei enquanto houver pessoas que busquem minha luz, Por mais pesadas que sejam as nuvens da exaustão!"



O poema é também um tributo à África, o "grande continente do Sol", e um tributo à Nigéria, uma nação desenvolvida em meio à luta pelos direitos humanos e que soube romper a escuridão, lançando a luz da esperança a iluminar o mundo inteiro.

Publicado no Seikyo Shimbun de 13 de maio de 2000.
E na Revista Terceira Civilização da Editora Brasil Seikyo em 2001
SETEMBRO DE 2001 — EDIÇÃO Nº 397
 
NOTA:
 
Quando mostrei a materia para o Ola, meu namorado Nigeriano, ele não chegou a ler, mas a reação ao ver a foto do presidente não foi boa, ele não concorda que o cara seja um bom presidente e que se preocupa com o povo.

O Tambor da Salgueiro

Mais uma matéria, atrasada, mas importante para esse blog. Durante o carnaval o único desfile que assisti na TV foi o da Salgueiro. Foi muito bacana pois minha intenção era que o Ola, meu namorado Nigeriano, visse um desfile do Rio, pelo menos na TV esse ano. E pra minha surpresa o tema Tambor apresentava muito da Cultura Africana. Ele adorou.
 
Depois quando saiu o resultado e a escola foi campeã, não podia deixar de comentar e colocar a letra da música aqui no blog.
 

 

Tambor.

Da Natureza. Da Pré-história.
De árvores, troncos e peles.
Que vibra, comunica.
Que pulsa. Dá ritmo à vida.
Tocado, dobrado, sentido.

Ancestral, ritual.
Dos deuses.
Tribal, africano.
De raiz, da raça, da cor.

De culturas. De povos.
Do Oriente, do Ocidente.
Da arte e do vigor.
De História. De glórias e vitórias.
De crenças e mitos. De celebrações.

Místico. Sagrado.
De cultos e religiões.
De fé, de festa.
Que cura a alma e alegra o corpo.

Folclórico.
De Caboclinho, Ciranda e Bois.
De Crioula. De Ijexá.
Da coroação. Do Maracatu.
Da Marujada, Congada, Carimbó.
Do Maculelê, Jongo e Caxambu.
Do Reisado, do Forró, do Xaxado.
De Roda. Do Partido. Do Quintal

Moderno, contemporâneo.
Da inclusão. De lata.
Olodum, Afroreggae, Timbalada.

Do Carnaval, das escolas, das baterias.
Repiques, pandeiros e caixas.
Taróis, tamborins, surdos de marcação.
De magia. De samba.
Furioso. Dos Mestres. Do Mestre.
Da Academia.
Do Mundo. Da Vida.

Do Coração.

Tambor.


Renato Lage e Diretoria Cultural

 

Curso Reflexões para o Mundo Árabe Contemporâneo vai ocorrer em Curitiba entre os dias 12 e 20 deste mês

São Paulo – O curso Reflexões para o Mundo Árabe Contemporâneo vai ocorrer a partir da próxima quinta-feira (12) em Curitiba, capital do Paraná. O curso é promovido pelo Instituto da Cultura Árabe (Icarabe) em conjunto com a empresa Andrade Vieira – Comunicação e Marketing e ocorrerá na Associação Comercial do Paraná.

O curso terá foco geopolítico e vai abordar as questões atuais. Ele já ocorreu em São Paulo, no ano passado. Estarão na pauta das aulas, por exemplo, a situação da Palestina, Síria, Líbano e Iraque para que as pessoas entendam, a partir de elementos históricos sobre a região, o que está acontecendo neste momento.

"Se fará uma reflexão sobre a atual conjuntura das sociedades árabes, povos marcados por um evidente paradoxo: existem há milênios no Oriente Médio, mas vivem hoje em fronteiras traçadas há menos de oito décadas por imposição de potências externas. Por outro lado, seria um equívoco imaginar um passado homogêneo e glorioso, um suposto tempo mítico, quando a identidade árabe era plena entre todos os povos que fizeram parte dessa história", diz uma nota do Icarabe sobre o curso.

"Trata-se de um debate fascinante, que concentra a história do século 20, expõe cruamente a crise de valores tão característica do nosso tempo e lança uma indagação sobre os limites da civilização. Refletir sobre o Mundo Árabe contemporâneo, portanto, é encarar seriamente o desafio de entender o nosso mundo", diz o Icarabe em seu site. A primeira aula, por exemplo, terá como tema "Uma breve história da Síria e Líbano" e será ministrada por José Farhat, formado em Ciências Políticas em Beirute.

Além de Farhat, os palestrantes e condutores dos debates serão nomes como Arlene Clemesha, doutora em História pela Universidade de São Paulo (USP), José Arbex Jr., doutor em História Social também pela USP, e Valério Aracary, historiador marxista.

As aulas vão ocorrer nos dias 12, 13, 19 e 20 de março, sempre entre 19h30 e 22 horas no Auditório Carlos Alberto Pereira de Oliveira, que fica dentro da Associação Comercial. Informações podem ser obtidas pelo telefone (41) 3320 2990 ou pelo e-mail ulc@acp.org.br .

Dica de Filme: documentário de animação Valsa com Bashir

O documentário de animação Valsa com Bashir (Waltz With Bashir) venceu a categoria de Melhor Filme Estrangeiro na 34ª edição do prêmio César – Oscar do cinema francês, durante cerimônia realizada no último dia 27 de fevereiro, em Paris.

Lançado no último Festival de Cinema de Cannes e aclamado pelo público e pela crítica em diversos outros eventos similares pelo mundo afora, este é mais um prêmio para a bem sucedida carreira do filme israelense, que já acumula o Globo de Ouro, Critics Choice Awards, British Independent Film Award (todos na categoria de Melhor Filme Estrangeiro). Além disso, VALSA COM BASHIR ganhou os principais prêmios na última premiação da Academia de Cinema de Israel, incluindo Melhor Diretor, Melhor Filme e Melhor Roteiro.

Em forma de documentário, VALSA COM BASHIR é uma reflexão da experiência do diretor Ari Folman como soldado israelense na dramática invasão do Líbano de 1982.  Produzido com ilustrações feitas à mão em fusão de animação em 2-D e 3-D, o documentário se passa durante uma noite em que um homem conta ao velho amigo Ari (Folman) o recorrente pesadelo no qual ele foi perseguido por 26 cães alucinados e a correlação com a missão deles no exército israelense na guerra contra o Líbano.

VALSA COM BASHIR será lançado em nossos cinemas pela Sony Pictures do Brasil no dia 03 de abril de 2009.

Petrobras começa a produzir na Nigéria

Rio de Janeiro - O campo de petróleo de Akpo, localizado em águas profundas na Nigéria e explorado pela Petrobras, começou a produzir ontem (09), segundo informações da estatal.

A Petrobras detém 16% de participação, em parceria com a francesa Total (operadora do bloco), as nigerianas NNPC (Nigerian National Petroleum Corporation) e Sapetro (South Atlantic Petroleum), além da chinesa CNOOC.

O início da produção de Akpo estava previsto para abril, mas a operadora conseguiu antecipar o cronograma em um mês. Descoberto em 2000, o campo está localizado a 200 quilômetros da costa nigeriana, em profundidade que varia entre 1.200 e 1.400 metros. As reservas estimadas são da ordem de 620 milhões de barris de óleo condensado, o que significa um petróleo leve e de maior valor comercial.

Em nota, a estatal brasileira divulgou que a estimativa é de que Akpo tenha um pico de produção 175 mil barris por dia, o que deve ser alcançado no terceiro trimestre deste ano.

A Petrobras iniciou suas atividades na Nigéria em 1998, em águas profundas do delta do Rio Níger. Além da atuação no campo de Akpo, a companhia tem participação em águas profundas no campo de Agbami.

http://www.anba.com.br/noticia_petroleoegas.kmf?cod=8234879

Curso de introdução a lingua árabe e religião - RJ

terça-feira, 10 de março de 2009

Assalam aleikum!
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Venho por meio desta informá-los sobre o curso de introdução a lingua árabe e religião (os dois cursos só serão ministrados juntos).
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curso: árabe / islam (módulo 1)
professor: Sami Ahmed
data do ínicio: 14/03/2009
dia da semana: sábado
horário: 15h as 18h
matricula: R$ 80,00
mensalidade: R$ 80,00
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O curso será ministrado na mesquita situada na rua Gonzaga Bastos - 77 - Tijuca.
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Obs.: as inscrições estarão abertas até o início do mês de março e as matrículas estão sendo feitas no endereço abaixo!
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Sociedade Beneficente Muçulmana do Rio de Janeiro
Av.Gomes Freire, 176 - salas 205-206 Centro
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E-mail:sbmrjbr@yahoo.com
TelFax: 21 - 2224-1079
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teremos também o módulo 2 entrar em contato por email ou telefone.


Esta mensagem foi enviada por Paulo Gomes (Mustafa).

Resposta de E-mail: Dicas de Viagem para Dubai

Mirela,
Gostaria de contar minha história rapidamente à vc, pq li seu blog e achei incrível.
Eu conheci um rapaz pela Internet em Maio de 2008 e ele mora em Dubai.
Enfim, estou pensando em ir p/ lá em Julho deste ano. Pq o meu sonho sempre foi conhecer este lugar lindo.
Porém, eu sou a rainha das gafes... Já li muito a respeito da religião e do lugar, mas tenho medo. Não posso mentir.
Tb sou apaixonada pela cultura árabe, mas como brasileira algumas coisas são meio esquisitas p/ mim.
Eu sou muito espontânea... Dou risada... Abraço meus amigos... Mando beijo pro porteiro... Isso é normal aqui. Conversar e dizer: Beijo, tchau...
Imagine? Eu em um lugar paradisíaco e não poder fazer nada disso?
Nem posso dar um abração nele no aeroporto... nem um beijinho? Nem andar de mãos dadas?
Se o Sheik aparecer na minha frente... Vou ter que pedir para tirar uma foto...
Não posso sorrir muito, não posso esticar a mão p/ cumprimentar uma mulher. Não posso
Não posso cometer nenhuma gafe, p/ não ofender o moço. Mas, imagine em um sol de 48ºC... torrando total... e ainda ter que ser finérrima e ficar preocupada em ser polida.
Afffffffff...
Acho que vai ser demais pra mim... rs rs
Vc tem algumas dicas?
Beijos
A.


Oi A.
Pelo visto você já sabe bem como se comportar lá. Acho que o mais importante é você conversar com o rapaz quando tiver dúvidas, ele é árabe?
Uma coisa que lembrei e você não comentou é tomar cuidado ao tirar fotografias, os árabes não gostam que tirem fotos sem serem consultados antes, principalmente de mulheres e crianças.
CUIDADO COM BEBIDAS ALCÓOLICAS. Evite.
Há lugares onde é proibido entrar mulher desacompanhada. Mas pelo que sei lá não é tudo tão rigoroso.
Dica, olhe a sua volta, veja como estão se comportanto as pessoas à sua volta. Pergunte... procure o contato do departamento de turismo de Dubai eles tem um site e são bem solicitos quando enviamos e-mails.
Agora o que mais me preocupa é mesmo sua segurança. Se vc tem confiança nesse rapaz, se tem informações seguras dele, telefone, endereço, onde trabalha? Já checou essas informações? Você tem o contato de outras pessoas além dele? amigos dele, família? Onde ficará hospedada? é um lugar que permite mulher solteira se hospedar sozinha?
Estas perguntas não são para que vc me responda, mas para vc analisar o quanto está se arriscando ou não. OK?
Também tenho amigos árabes e amigos de outros países, o que aprendi é que quando a pessoa não tem nada a temer ou esconder ela lhe dará todas as informações que vc precisa, e depois que tiver as informações em mãos verifique, confirme. e deixe uma pessoa no Brasil com as informações e fotos para que possam te ajudar em algum momento se necessário.
Enfim, acho que sua maior preocupação deve ser quanto a sua segurança e confiança no seu amigo. Muito cuidado com namoros.
Bjs
Boa sorte
Mirela Goi


Mirela,
Muito obrigada pela pronta resposta.
Pra te dizer a verdade do fundo do meu coração, eu tenho medo e não me sinto tão segura assim.
Ele é paquistanês, de Islamabad.
Eu não bebo, pq eu não gosto e pq eu passo mal. Não é algo que me preocupa ou que me faça falta, entende? Raramente, uma ou duas latinhas de cerveja.
Uma preocupação que eu tenho é com relação a dinheiro, o que levar, o que não levar... Enfim, qual o valor eu tenho que ter por dia...
Conversando com uma amiga que já vem acompanhando essa "história" (vários emails + SMS diários), ela disse assim: compre um pacote pela CVC ou outra empresa de turismo, confiável. Não vá sozinha de jeito nenhum. Dar uma de louca, comprar a passagem e embarcar, sabe? Meio na sorte? Eu não tenho coragem. Eu tenho medo. Então, ao menos comprar um pacote e ter um guia local, me dá certo conforto psicológico... rs rs
Confiança? É algo relativo. Eu te digo que eu não dormiria com os dois olhos fechados ao lado dele. Tenho medo desse cara ser um maníaco, trombadinha... Já pensei muita coisa... Vc não tem idéia! rs rs... Por outro lado, ele é doce, paciente... Não sei a troco do que, esse cara ficaria conversando comigo desde maio do ano passado. Sinceramente, estou em dúvida e me sinto dividida. Sinceramente, exatamente por causa da palavra segurança.
Informações seguras? Eu só sei o nome da empresa onde ele trabalha (eu liguei no escritório aqui do Brasil e a moça confirmou que ele é funcionário realmente). Só isso. Ela enviou um email p/ ele... Ele respondeu p/ ela.
E tenho o celular dele.
É muito pouco. Meu Deus, eu não tinha pensado nas respostas dessas perguntas.
Desde que conversei com ele, comecei a pesquisar na Internet INÚMERAS VEZES pelo nome dele no Paquistão e em Dubai, já procurei na Interpol... Sei lá, me achei meio ridícula. Já procurei como terrorista.
Não conheço absolutamente ninguém lá, nem amigos, nem família, nada.
Hotel: Ainda não sei, pq só qdo eu for fechar o pacote. A CVC me passou o IBIS.
Se permite mulher solteira, sozinha... Tb não sei.
Eu te respondi para ter uma luz. Eu sei que eu estou me arriscando. Eu sou uma pessoa que busco segurança e eu acho que é essa dúvida, que está me deixando bem preocupada entre decidir ir ou não, entende?
Eu concordo plenamente com o seu aprendizado e suas colocações. Vc é iluminada, obrigada.
Estou achando que eu sou muito idiota, pq nunca pedi isso a ele. Eu não tenho amigos árabes.
Não estou desesperada, mas achei que poderia ser legal. Mas, tb não posso esconder de vc, eu tenho medo.
Vc tem amigos que poderiam saber se ele já aprontou alguma coisa no Paquistão ou em Dubai? Se ele é uma pessoa decente mesmo.
Desculpe, pela ousadia ou folga, não sei. Mas, sinceramente, mesmo que seja através de pacote... Eu preciso me sentir segura. Já pensou se eu decido sair de carro com esse cara e de repente, acontece alguma coisa? Prefiro nem ir.
Eu liguei lá na Embaixada do Brasil p/ pedir ajuda, mas me ignoraram.
Já tentei buscar informações lá, em algum órgão do governo. Mas, eu não falo árabe e o meu inglês é bem mais ou menos. Vão pensar que eu sou louca.
Bjs e obrigada
A.


Olá A.
De tudo que vc me falou a única coisa que parece firme é o local de trabalho. Disso vc tem certeza? Pegue o telefone da empresa lá e ligue lá, sem ele saber, procure por ele. Tenha o telefone, endereço e os horários de trabalho dele. Também o endereço de onde ele mora, com quem ele mora.
Ele é casado?
E a familia dele mora no paquistão? Tem pais? irmãos?
Um terrorista não vai perder tempo com vc. Mas um homem a procura de sexo sim.
Se vc for pega com ele num hotel ou lugar impróprio pode ser acusada de prostituição (não precisa estar fazendo nada, basta estar junto) e isso é MUITO grave e não vai adiantar ele falar que não é isso. Se a policia religiosa achar que é, vc pode ter problemas.
Tudo vai depender das intenções dele e do cuidado que ele vai ter com vc. Ele conhece lá muito melhor que nós.
Investigar o nome dele não vai ajudar muito. Me parece que o emprego é a melhor informação até o momento.
Não há mais que eu possa fazer. Eu nunca estive em Dubai. Já pensei em ir, no caso eu ia me encontrar com um Saudita que iria para lá apenas para podermos nos encontrar. Mas a viagem não deu certo e perdi contato com ele. Sou uma pessoa que arisco muito. Mas não aconselho para nínguem, pois eu sei que é muito, mas muito fácil as pessoas mentirem e nos decepcionarem. E a responsabilidade disso é toda nossa. Por isso. Só vc pode avaliar seus riscos.
Bjs e boa sorte.
Mirela

Brasileiro e Nigeriano está entre os desconhecidos mais ricos do mundo

A revista Forbes incluiu um brasileiro em sua lista dos bilionários "desconhecidos", que estão entre os mais ricos do mundo mas não gozam da fama de Bill Gates, Warren Buffett e Carlos Slim. Segundo a publicação, o ex-tenista e empresário Jorge Paulo Lemann tem fortuna estimada de US$ 5,8 bilhões, como um dos maiores acionistas da InBev.

Na última lista dos mais ricos, publicada pela revista em março de 2008, Lemann aparecia como o quinto brasileiro melhor colocado e 172º no geral. De acordo com a revista, o primeiro grande empreendimento de Lemann foi o Banco Garantia, vendido em 1998 ao Credit Suisse First Boston.

Além de ser um dos maiores acionistas do maior conglomerado de cervejas do mundo, Lemann controla também a Lojas Americanas, ao lado dos também bilionários Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira.

Entre os bilionários "que passam longe da fama", a Forbes também citou Riley Bechtel, cuja família controla há quatro gerações a sétima maior empresa privada dos Estados Unidos, com vendas anuais em torno de US$ 27 bilhões. Bechtel tem aproximadamente US$ 5,5 bilhões - valor maior que o estimado para os famosos Steven Spielberg e Oprah Winfrey.

Também citado na reportagem, com fortuna estimada de US$ 7,9 bilhões, Eliodoro Matte é dono da Empresas CMPC, que possui milhões acres de pinheiros e eucaliptos no Chile e Argentina, além de um complexo portuário e ações de telecomunicações e bancos.

Logo atrás de Matte, aparece Reinhold Wurth, com US$ 7,7 bilhões. Já fora das operações diárias do grupo Wurth, o bilionário alemão se dedica a sua coleção de arte e a pilotar uma Harley Davidson.

A publicação inclui na lista o português Americo Amorim, conhecido como o "rei da cortiça". Suas posses de cerca de US$ 7 bilhões vêm em grande parte das vendas da Corticeira Amorim, mas também de investimentos em instituições financeiras e no setor energético. Amorim também possui terras no nordeste brasileiro, onde pretende desenvolver atividades ligadas ao turismo.

Neto do criador da Lego, Kjeld Kirk Kristiansen aparece com cerca de US$ 6,5 bilhões em caixa, depois de anos de prejuízos com a sexta maior fabricante de brinquedos do mundo. A lista da Forbes conta com um nigeriano, o magnata do açúcar Aliko Dangote, que abriu o capital de sua empresa no ano passado e alcançou fortuna de US$ 3,3 bilhões.

Os fundadores da Kingston Technology, David Sun e John Tu, também entraram no levantamento da revista. Os dois já ganharam aproximadamente US$ 8 bilhões com as vendas de memórias da companhia para computadores, celulares e tocadores de MP3.

Revista libanesa quebra tabu ao falar abertamente sobre o corpo

segunda-feira, 9 de março de 2009

Beirute, 3 mar (EFE).- Foi lançada no Líbano a primeira revista árabe que fala do corpo claramente, a "Yasad", uma publicação que ousa tratar abertamente de um assunto que é tabu nos países da região e que já está à venda com uma periodicidade quadrimestral.

A fundadora e redatora-chefe da revista, Yumana Haddad, explicou à Agência Efe que um dos principais motivos que a levaram a lançar a "Yasad" foi sua paixão pelo corpo, "tema essencial na escritura poética" e em sua busca intelectual.

O primeiro número da publicação, que significa "corpo", aposta em revelar tudo, mas sem cair no clichê. Um de seus artigos, por exemplo, é sobre a indústria pornográfica no Líbano.

"O fato de que não houvesse uma revista que falasse do corpo era grave. A língua árabe é livre e bela, e o fato de falar do corpo ter sido tabu nos últimos séculos é um insulto a ela", afirmou Haddad.

A "Yasad", de apresentação luxuosa e com mais de 160 páginas, mistura ciência, conhecimento e cultura para falar do corpo a partir de diversos âmbitos, "o social, cultural, estético, motriz, estático, sexual e literário", explicou sua fundadora.

"É preciso colocar fim à esquizofrenia e à hipocrisia. Não se pode continuar escondendo o mais importante do ser humano", afirmou a redatora-chefe, que destaca que a revista não persegue "nenhum fim ideológico".

"Falar do corpo, para mim, é uma paixão", acrescentou.

Outros dos temas que a publicação aborda em seu primeiro número são o fetichismo da pele, o canibalismo, o homossexualismo no Líbano, o hedonismo com Michel Onfray -autor de "A Arte de Ter Prazer" - e a roupa íntima da mulher na Síria.

Haddad afirmou ainda em que a revista é "cultural, séria, permite refletir sobre o corpo, que não só é algo sexual, mas tem muitas facetas".

Além disso, assegurou que sua ambição não é "quebrar tabus, que não pertencem à verdadeira cultura árabe", mas reconheceu que "o fato de "falar do corpo erótico, social, estético e antiestético poderá contribuir para isso".

Nesse sentido, Haddad, que prepara seu doutorado sobre língua árabe na universidade francesa de Sorbonne, citou como exemplos textos árabes dos séculos X, XI e XII, "de uma liberdade maravilhosa que inclusive superam os atuais escritores ocidentais".

"O fenômeno dos tabus é recente, de 200 a 300 anos. Pode ser que a religião seja uma das causas, mas não é tudo. Os intelectuais têm que se reunir para refletir sobre isso", acrescentou.

Por causa dos preconceitos, em algumas ocasiões os entrevistados preferiram permanecer anônimos, mas Haddad se nega a aceitar pseudônimos.

"É mais difícil para as mulheres falar, mas tenho a esperança de que, depois da publicação de cinco ou seis números da 'Yasad', este problema já não exista mais", ressaltou.

A revista está à venda somente em livrarias, envolvida em papel transparente e com um rótulo que diz "para maiores de 18 anos", por 15 mil libras libanesas (US$ 10).

Apesar de não estar presente em pontos de venda de outros países árabes, Haddad explica que há assinantes em outras nações da região, que recebem a "Yasad" por correio.

O sucesso da revista foi tão grande que Haddad precisou imprimir novos exemplares, já que os três mil iniciais esgotaram-se em 11 dias.

Apesar do polêmico tema da publicação, a redatora-chefe afirma que não recebeu ameaças, apenas "insultos via e-mail".

"Tive momentos muito difíceis", confessou.
 
Fonte: EFE 03/03/2009

Emirates Airline International Festival of Literature

Eu demorei para achar essa informação, agora já passou, mas tenho que deixar aqui registrado pelo menos um pouco sobre o Emirates Airline International Festival of Literature que aconteceu de 26th February to 1st March 2009 - Dubai Festival City

As primeiras notícias que eu tinha lido eram sobre as polêminas, autores censurados, como o caso do romance "The Gulf Between Us", da inglesa Geraldine Bedell, uma comédia romântica que tem a acção centrada num emirado ficcional do Golfo Pérsico e inclui uma relação amorosa entre dois homens. E outros.
Veja aqui:
 
Eu queria saber como foi o festival e só agora achei o site oficial http://www.eaifl.com/ vale a pena conferir para conhecer os autores participantes, como a Nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, que já publicou os romances  "Purple Hibiscus" (algo como "O Hibisco Amarelo"), publicado em 2003. e "Meio Sol Amarelo", publicado no Brasil pela Cia. das Letras, 2008, o site está bem bacana, e pra quem quer dicas de leitura é um achado.
 

Turismo: Resorts mais baratos na Tunísia

Quem sonha curtir o litoral do Mediterrâneo, mas se assusta com os preços dos resorts espanhóis ou italianos, consegue encontrar opções bem mais em conta do outro lado do mar. Em Djerba, uma ilha da Tunísia, por exemplo, a diária em um hotel quatro estrelas pode custar até um quarto do valor cobrado por um similar da Andaluzia. É claro que, para chegar lá, tem o adicional da passagem, mas vislumbrar o visual diferente do país compensa.
As diárias no resort custam a partir de US$ 34 por pessoa
 
O El Mouradi Djerba Menzel costuma receber visitantes de toda a Europa, principalmente no verão do hemisfério norte, que vai de junho a setembro. Além da praia, onde é possível dar um passeio de quadriciclo alugado, um dos destaques do hotel é o complexo de piscinas à beira-mar.

Com 33 hectares, o resort está localizado a seis quilômetros da cidade de Midoun e a 33 quilômetros do aeroporto de Djerba-Zarzis. São 638 quartos, divididos entre um edifício central e as "menzels", uma espécie de bangalô tunisiano, que garante mais tranqüilidade e privacidade a seus ocupantes. As diárias custam a partir de US$ 34 por pessoa, em quarto duplo, com café da manhã incluído.

Do ponto de vista do lazer, há muita opção. São duas piscinas de água salgada, uma de água doce ao ar livre e outra coberta com jacuzzi. Há ainda quadras, academia, spa, sauna e atividades recreativas para crianças. Para comer, pode-se escolher entre quatro restaurantes e cinco bares.

Fora dali, a ilha de Djerba merece ser explorada. Ela pode ser considerada um "aperitivo" do mundo árabe. Casas brancas dividem as ruas com mesquitas e sinagogas. Em mercados como o de Midoun, é possível comprar os trajes típicos, a exemplo de xales brancos debruados de vermelho e chapéus de palha, além de artesanato em cerâmica.

El Mouradi Djerba Menzel - Onde: Midoun -Djerba B.P. 163 - 4116, 163-4116, Djerba, Tunísia. Informações: (216) 75 75 03 00 ou Fax: (216) 75 75 04 90 e nos sites www.elmouradi.com ou info.jerbamenzel@elmouradi.com.
 
 
06/03/2009

Um site para conectar os libaneses do mundo

São Paulo – Para aproximar os mais de 12 milhões de libaneses e descendentes espalhados pelo mundo, o estudante libanês de engenharia de telecomunicação, Fernando Rohayem Khatlab, criou o site Mahjar – Conexões Libanesas. O portal é fruto de um concurso realizado no ano passado pelo jornal em francês L'Orient-Le Jour, de Beirute, em parceria com a empresa de software Murex. "O objetivo do concurso era desenvolver um site destinado aos libaneses e amigos do Líbano no mundo e deveria ser uma referência para a diáspora libanesa", afirmou Fernando.
Divulgação Divulgação

Anúncio do concurso do jornal L'Orient-Le Jour



O fascínio por informática e o acompanhamento das pesquisas e trabalho de seu pai, Roberto Khatlab, escritor e pesquisador brasileiro da emigração libanesa, influenciaram na decisão de Fernando de participar do concurso. De acordo com ele, a importância da emigração libanesa é tanta que parte da economia do país vem da diáspora. "Pelas pesquisas, vi quantos sites e entidades libanesas existem no mundo e pensei que seria interessante fazer um anuário para que os internautas pudessem descobrir a variedade e riqueza das informações sobre o Líbano, um pequeno país geograficamente, mas imenso pelos contatos e expansão da emigração", disse.

Segundo ele, a idéia não foi criar mais um site sobre o Líbano, pois já existem vários, mas fazer um ponto de referência, como solicitava o concurso. Fernando explica que o anuário de entidades libanesas é de livre acesso, inclusive para aqueles que tenham interesse em indicar novos endereços. "As entidades são referências que o internauta poderá entrar em contato para descobrir até parentes e amigos que emigraram. São grandes fontes de informação", disse ele, que postou no site os endereços e links da Câmara de Comércio Árabe Brasileira e da ANBA.

O estudante desenvolveu também um anuário de libaneses, descendentes e amigos do Líbano, que as pessoas podem se registrar e manter um intercâmbio com as demais. "É uma rede de conversação que faz conexões nos quatro cantos do mundo", disse. Segundo ele, com pouco tempo de existência, o site já tem registro de pessoas residentes no Líbano, Brasil, Argentina, Estados Unidos, Canadá, França, Bélgica, entre outros países.

Além disso, o internauta também encontra no site lista de nomes de todas as cidades e vilarejos libaneses, fotos antigas, história do país, hino nacional, informações turísticas, serviços e negócios.

O site Mahjar (que quer dizer diáspora em árabe) foi desenvolvido em cinco idiomas: árabe, francês, inglês, espanhol e português. Segundo Fernando, a escolha dos idiomas espanhol e português é devida ao fato da maior parte dos emigrantes libaneses estar na América Latina; o inglês por ser uma língua internacional; o francês por ser a língua do jornal L'Orient-Le Jour, que fez o concurso, e por ser o idioma falado em muitos países onde existe um grande número de emigrantes; e o árabe por ser a língua oficial do Líbano e de outros países árabes onde existem muitos emigrantes libaneses.

Em dezembro de 2008, Fernando ficou sabendo que ele e mais um estudante libanês, Fady Khoury, ganharam o concurso do jornal. Segundo ele, não houve primeiro e segundo lugar, os dois estudantes foram eleitos vencedores e cada um ganhou o direito de publicar o seu site e mais US$ 5 mil.

Brasileiro-libanês

Com 19 anos e cursando o segundo ano da Université Antonine, em Beirute, Fernando se define como brasileiro-libanês, pois nasceu em Beirute e é filho de brasileiro com uma libanesa. O pai de Fernando, Roberto Khatlab, nasceu em Maringá, no Paraná, e se mudou para o Líbano em 1986. O nome Khatlab vem do bisavô paterno de Fernando, que nasceu no atual território da Arábia Saudita e que em 1924 emigrou sozinho para o Brasil.

"Já estive no Brasil várias vezes de férias e achei o país e o povo maravilhoso e tenho orgulho de ter essa nacionalidade", afirmou. Segundo Fernando, o povo brasileiro não tem muitas diferenças com a cultura árabe. "É um povo hospitaleiro, com a diferença de que no Brasil, quando as pessoas se encontram perguntam, quase sempre, qual é o seu time de futebol, e aqui, no Oriente, perguntam qual é a sua religião", acrescentou.

Serviço

Mahjar – Conexões Libanesas
www.connexionslibanaises.com

Ferrovia saudita vai unir Meca e Medina a Jeddah

São Paulo – O governo da Arábia Saudita assinou um contrato de 6,79 bilhões de riais (US$ 1,8 bilhão) com a companhia Al-Rajhi Alliance para a construção da primeira fase da ferrovia Haramain, que vai ligar as cidades sagradas de Meca e Medina à cidade de Jeddah, na costa do Mar Vermelho. As informações foram divulgadas no site do jornal saudita Arab News.

O presidente do Fundo de Investimento Público e ministro das Finanças do país, Ibrahim Al-Assaf, e o ministro dos Transportes, Jabara Al-Seraisry, assinaram o contrato com Abdullah Sulaiman Al-Rajhi, presidente da Al-Rajhi Alliance. A Alliance é formada por três empresas: Al-Arrab Contracting Company, China Railway 18 Bureau e Masco.

O projeto é uma iniciativa do rei saudita Abdullah bin Abdul Aziz, que quer oferecer melhores serviços de transporte aos peregrinos que visitam Meca e Medina todos os anos.

A linha férrea entre Meca, Medina e Jeddah terá 450 quilômetros de extensão. Serão utilizados trens elétricos de alta velocidade, conhecidos como trens-bala, com capacidade para até 320 quilômetros por hora. O tempo de viagem entre Meca e Medina será reduzido para duas horas e entre Jeddah e Meca para 30 minutos. Os trens também deverão transportar passageiros do Aeroporto Internacional Rei Abdul Aziz até as cidades sagradas.

A primeira fase do projeto vai incluir o preparo do terreno, a construção de pontes, túneis e galerias subterrâneas.

"Este é um projeto de destaque na história do transporte saudita", disse Al-Seraisry. Ele afirmou também que, além de reduzir o tempo de viagem, os trens de alta velocidade deverão proporcionar conforto aos passageiros.

De acordo com Al-Seraisry, o contrato para as fases posteriores do projeto será assinado quando a primeira fase estiver em andamento.

Segundo o presidente da Organização Ferroviária Saudita (SRO), Abdul Aziz Al-Hoqail, o projeto será concluído em meados de 2012. Em seguida, testes serão realizados durante um período de seis meses e o lançamento oficial deverá ocorrer em novembro do mesmo ano.

*Tradução de Gabriel Pomerancblum

Dica de Filme: Dreams of dust (Rêves de poussière, Poeira e Sonhos) 2006

domingo, 8 de março de 2009

SINOPSE:
Mocktar Dicko sai da Nigéria e atravessa o deserto de Burkina Faso para ir trabalhar na mina de ouro de Essakane. Cercado por vento e areia, ele espera conseguir esquecer a dor que carrega. Aos poucos, faz amizade com os seus colegas de trabalho, com uma prostituta, e com Coumba, uma jovem viúva que sonha mandar a filha para a França. O novo ambiente torna-se familiar e ele sente o seu país ficar mais distante. Seleção oficial do Festival de Sundance 2007.

ELENCO:
Makena Diop
Rasmane Ouedraogo
Souleymane Souré
Fatou Tall-Salgues
Joseph B. Tapsoba

FICHA TÉCNICA:
País de origem:França/Canadá
Ano de lançamento:2006
Duração:86min
Idioma:Francês
Direção:Laurent Salgues
Roteiro:Laurent Salgues
Gênero:Drama

Arábia Saudita: Ministra-adjunta da Educação dá a sua primeira entrevista a um jornal ocidental

terça-feira, 3 de março de 2009

Norah Al Fayez: a mulher que entrou na história da Arábia Saudita 
28.02.2009 - 01h19 Margarida Santos Lopes
Uma semana antes de 14 de Fevereiro, Dia de São Valentim, os pregadores nas mesquitas da Arábia Saudita relembram aos fiéis que é "pecado" celebrar este mártir cristão, decapitado em 270 por realizar casamentos proibidos pelo imperador romano Cláudio II. A polícia religiosa ou Comissão (Hai'a) para a Promoção da Virtude e Prevenção do Vício, não descansa enquanto não confiscar tudo o que de vermelho aparecer nas lojas, sejam rosas ou ursos de peluche. Comerciantes e clientes são multados, detidos e/ou chicoteados.

Este ano, porém, os temíveis "mutaww'in" tiveram uma inesperada prenda no Dia dos Namorados: o seu chefe foi demitido e uma mulher escolhida – pela primeira vez – para entrar no governo, assumindo uma pasta que pertencia ao "mais conservador e barbudo" zelota do reino.

Abdullah Bin Abdul Aziz, o octogenário monarca absoluto, surpreendeu os súbditos ao nomear Norah Al Fayez ministra-adjunta da Educação. Socióloga de 54 anos, formada nos Estados Unidos, ela será apenas responsável pelo "ensino de raparigas" (da pré-primária ao liceu), mas o simbolismo não esmorece. A sua tarefa era exclusiva de um departamento totalmente masculino – a maior promoção até agora era a supervisora ou reitora.

O assombro aumentou quando a foto da sorridente Norah Al Fayez foi publicada na primeira página do "Al Eqtisadiya" (versão saudita do "Financial Times"). De rosto maquilhado e descoberto, sem a "abaya" (túnica) negra que tapa o corpo da cabeça aos pés e apenas com um "hijab" (lenço) invulgarmente branco a ocultar o cabelo, ela aparece na mesma galeria do também recém-designado chefe da Hai'a, Abdul Aziz bin Humain.

Na primeira entrevista, ao diário árabe "Al Watan", Norah al-Fayez declarou-se indignada, "mas disposta a perdoar", por terem ousado expor os seus bâton, blush, eyeliner e rímel sem autorização. "Fiquei profundamente perturbada, e nunca aceitaria que publicassem a minha foto em lado nenhum. Sou uma mulher saudita de Najd [a mais conservadora região, onde nasceu o rei e o fundador da doutrina wahabita] e uso o niqab [que apenas deixa ver os olhos]. Se tivesse instaurado um processo em tribunal, ganharia de certeza", explicou. Disse ainda que não sabia onde o "Al Eqtisadiya" foi buscar a imagem mas, quando a contactámos (vários telefonemas, SMS, faxes e e-mails) para esta entrevista –, a primeira a um jornal ocidental – encaminhou-nos, sem qualquer restrição, para a mesma fonte: a edição digital de "Leaders of Saudi Arabia".

Oriunda de uma das mais importantes tribos pré-islâmicas, os Bani Tamin, antepassados dos Qurayash, do profeta Maomé, compreende-se que Norah Al Fayez não quisesse ofender a sua base. Essa inquietude desapareceu, aparentemente, quando as perguntas chegaram do estrangeiro e ela viu aqui a oportunidade de passar uma imagem "moderna" do berço de Osama bin Laden.

Um momento sublime
Foi no dia 12 de Fevereiro, dois dias antes do decreto real, que Norah Al Fayez recebeu um telefonema da corte a convidá-la para entrar na história de um país onde as mulheres têm sido privadas dos seus direitos básicos com base na rígida teologia wahabita. "Foi um momento sublime, a nível pessoal", disse ao PÚBLICO, por correio electrónico. "É uma honra assumir as grandes responsabilidades que Sua Majestade me conferiu. (…) É, definitivamente, um passo no sentido de dar às mulheres papéis de relevo que elas saberão desempenhar nos círculos onde se tomam decisões."

"A minha nomeação reflecte a visão de Sua Majestade de que a educação é uma prioridade estratégica da nossa nação, que as mulheres e os homens sauditas podem ajudar a transformar o sistema educativo, para desenvolver os recursos humanos e ir ao encontro das exigências de um mundo cada vez mais competitivo", explicou. "De início, fiquei intrigada com a questão 'porquê eu?', mas agora estou mais ocupada em obter respostas para o que pode ser feito, e como fazê-lo da maneira mais correcta e positiva."

"Acredito que qualquer problema pode ser resolvido se formos até às suas raízes, e não nos limitarmos a um conserto rápido, nem nos centrarmos nos efeitos secundários. Homens e mulheres podem obter soluções duradouras para grandes problemas – e um deles é o analfabetismo [13,7 por cento em 27 milhões de habitantes]".

O combate ao analfabetismo não é, porém, a razão número um para mudar o sistema educativo, mas sim o controlo deste por extremistas religiosos, sobretudo os salafistas, que em 1979 (ano da revolução islâmica no Irão) tentaram derrubar a Casa de Saud com um ataque à Grande Mesquita de Meca. São os salafistas, defensores da "jihad" (guerra santa), os mentores da Al-Qaeda, a rede que atacou primeiro nos EUA, em 11 de Setembro de 2001 (15 dos 19 suicidas eram sauditas), e depois em Riad, a capital do reino, em 2003.

Se a nomeação de Norah Al Fayez é histórica, igualmente memorável é o afastamento de Ibrahim al-Gaith, o anterior chefe da polícia religiosa, cuja brutalidade e poderes começaram a ser questionados, em Março de 2002, quando um incêndio deflagrou numa escola e os bombeiros foram impedidos pelos "mutaww'in" de socorrer as 835 alunas e 35 professoras. "Não estavam vestidas de acordo com o código islâmico", e 15 crianças morreram queimadas.

Em 2007, mais um escândalo abalou a imagem da Casa de Saud: o "crime de Qatif", cidade no Leste, onde a mais odiada instituição do país – os seus agentes vagueiam pelas ruas ou espreitam às esquinas, munidos de varapaus – condenaram a prisão e 200 chicotadas uma adolescente vítima de violação.

Outra decisão notável do rei foi a demissão de Saleh al-Lihedan, presidente do Supremo Conselho de Justiça, o mais importante tribunal do reino –, que em Setembro de 2008 emitiu uma "fatwa" (édito) legalizando o assassínio de quem possuísse antenas parabólicas para captar "programas de conteúdo imoral". Na era da Al Jazira (com sede no Qatar) e da Al Arabiya (estação de capitais sauditas), a condenação foi geral.

Mudar o futuro dos jovens
A leitura que Norah Al Fayez faz do decreto real de 14 de Fevereiro é a de que a Arábia Saudita "quer mudar o futuro dos seus jovens, homens e mulheres". E acrescenta: "O mercado de trabalho está a enviar os sinais certos de que como deve funcionar em paralelo com as reformas educativas. Ao longo da minha carreira como directora-geral da secção feminina do IPA [Instituto de Administração Pública], adquiri um sólido conhecimento de quais as profissões que o mundo do trabalho precisa e não precisa. Além disso, todos sabem que a taxa de desemprego é maior entre as mulheres. Ora, se a integração das mulheres for um valor acrescentado, irá equilibrar a balança, e estabelecer uma nova dinâmica de igualdade e importância de género no mercado de trabalho."

O desafio, adianta a técnica que desde 1984 tem estado ligada a escolas públicas e privadas, "é formar cidadãos que não sejam obrigados a pôr em prática reformas, mas que sejam verdadeiros crentes nas reformas (ou nos méritos que estas têm)". As universidades sauditas "mantêm um compromisso intocável com os valores islâmicos, mas precisamos de melhorar a qualidade dos nossos eruditos" – implícita alusão aos que fazem uma retrógrada interpretação dos textos religiosos.

Quem encorajou a abertura das primeiras escolas para meninas na Arábia Saudita foi Iffat al-Thunayan, a terceira e favorita mulher do rei Faisal, em 1956. Enfrentou tribos e imãs para introduzir uma educação secular que não fosse apenas a das madrassas (seminários islâmicos). Em 1963, Faisal chegou a mobilizar as forças de segurança para reprimir uma revolta de beduínos que recusavam enviar as filhas às aulas. Hoje, diz Norah Al Fayez, "há 12 mil escolas só para raparigas e o número de alunas ultrapassa os 2,5 milhões".

Segundo a UNESCO, são mulheres 70 por cento dos alunos inscritos nas universidades sauditas, 56 por cento dos licenciados e 40 por cento dos que concluem o doutoramento. No mercado de trabalho, porém, elas representam apenas 5 por cento da força activa – a mais baixa taxa em todo o mundo.

Wajeha al-Huwaidar, a mais loquaz das fundadoras da Associação para a Protecção e Defesa dos Direitos das Mulheres na Arábia Saudita, relata ao PÚBLICO, por telefone, que "as mulheres são encorajadas a estudar nas universidades sauditas para serem médicas, enfermeiras, professoras e até banqueiras, mas se quiserem ser engenheiras, geólogas, arqueólogas ou jornalistas terão de se formar no estrangeiro". Quando regressam, "terão dificuldades em encontrar emprego, com raras excepções na indústria do petróleo", de que o reino é o maior produtor mundial. "Todo o sistema está concebido para perpetuar a segregação. Cerca de 90 por cento dos empregos estão reservados aos homens – porque eles têm medo das capacidades das mulheres. Os homens sauditas são mimados. Sem competição, não precisam de se esforçar para realizar sonhos."

Revogar a lei do guardião
A activista que, desde 1990, lidera a campanha para que as mulheres possam conduzir (seja automóveis ou bicicletas) no único país do mundo onde estão proibidas de o fazer saudou a nomeação de Norah Al Fayez como "uma coisa boa", motivada pela tomada de consciência de que "a Arábia Saudita já não é vista apenas como a terra do petróleo mas também de terroristas".

No entanto, ressalva Wajeha, "fazer parte do governo não significa que Norah venha a ter margem de manobra para grandes mudanças". E uma das mudanças mais prementes "é revogar a lei do mahram ou guardião masculino que nos retira o controlo da nossa vida. Não temos qualquer poder de decisão, sobre estudos, trabalho, casamento, sair de casa ou viajar, nem sequer sobre tratamentos médicos, sem a aprovação de pai, irmão, marido, filho."

"É um paradoxo que, sob o pretexto de não haver mistura entre homens e mulheres, não podermos guiar mas sermos forçadas a contratar estranhos para motoristas", lastima-se Wajeha, 47 anos, divorciada e mãe de dois jovens (os seus tutores). "Outra aberração é só os homens terem autorização para vender lingerie [muitos risos]. A nossa luta é pela mudança das leis, incluindo a que permite o casamento de meninas de 8 ou 9 anos."

Wajeha não desvaloriza o decreto de Abdullah – o monarca que ascendeu ao trono em 2005 e em quem deposita "grandes esperanças" desde que era príncipe herdeiro. As pessoas escolhidas para o governo, entre eles, os novos ministros da Saúde, um cirurgião especialista em separar gémeos siameses, e o da Educação, príncipe Faisal bin Abdullah, cunhado do soberano, "são moderados que têm convivido com outras culturas e trouxeram novas ideias", sublinhou.

Uma nação, uma família
Isso não significa, porém, que Norah Al Fayez vá ter uma relação de trabalho com Faisal como se vivesse no Utah, onde concluiu um mestrado em técnicas de educação na universidade estadual, em 1982, ou em Oxford, Bruxelas e Amesterdão, onde tem participado em palestras e seminários. Se quiser falar com o príncipe ou com subordinados masculinos será – disse ela ao jornal "Al Watan", "naturalmente, através de um circuito fechado de televisão".

A experiência de ter ido para os EUA, logo após o casamento com o engenheiro Suleiman Al Suwlai e a licenciatura em Sociologia numa universidade de Riad, "foi um marco na carreira", realça Norah Al Fayez. "Aprendi com os livros, com os amigos e com os professores que a procura do saber é uma viagem de uma vida. Desde o primeiro trabalho na função pública, nunca mais deixei de desenvolver as minhas capacidades. Ao seguir a via do autoconhecimento, contribuo para a prosperidade do meu país".

E qual o impacto das suas frequentes viagens pela Europa? "Tive a oportunidade de interagir e comunicar com pessoas de culturas diferentes. Apresentei-me como mensageira das mulheres sauditas, e mostrei que a nossa posição e estatuto têm sido muitas vezes denegridos por estereótipos negativos. Também aprendi a não olhar para as outras culturas a preto e branco, mas como um arco-íris."

Sair do país, ao contrário do que acontece com a maioria das compatriotas, não parece ser um obstáculo para Norah. "A minha família adaptou-se ao meu estilo de vida. Aprendi a gerir o tempo, e acho que é possível construir uma grande carreira e manter um extraordinário equilíbrio em casa. O sucesso não depende das circunstâncias. Requer devoção, disciplina e definição de prioridades profissionais. Começo o dia às 7h30, no meu gabinete. Às 14h30, almoço com a família e, as horas restantes, dedico-as a reuniões de trabalho ou a instituições de caridade a que estou ligada."

"Tenho três filhos", prossegue. "O mais velho, Bader, licenciou-se em marketing; o segundo, Shadi, é engenheiro aeronáutico; o terceiro, Mohammad, estuda Informática na América. Tenho duas filhas: Sarah está no 11º ano e Mashael está no 10º. Partilho com eles as minhas ambições. Recentemente, fui abençoada com a chegada de dois netos."

Norah Al Fayez nasceu, em 1955, numa pequena vila nas proximidades de Riad, num lar de classe média. "Não tenho qualquer relação com a família real", esclarece, desfazendo rumores a esse respeito. "Mas tenho orgulho em pertencer a esta amada nação onde todos os sauditas são uma família."

Autoridades sauditas impedem casamento infantil

segunda-feira, 2 de março de 2009

RIAD, Arábia Saudita (AFP) — Autoridades da Arábia Saudita se recusaram a casar três meninas de 13 anos de idade, em meio a pressões de grupos de defesa dos direitos civis contra o casamento infantil, informou o jornal Al-Watan neste sábado.

Na semana passada, autoridades matrimoniais informaram às famílias das três meninas que elas era muito jovens para se casar, citando uma recente decisão do chefe da corte regional de Dammam, Sheikh Abdulrahman al-Raqib, indicou o Al-Watan.

Quando o pai de uma delas solicitou a permissão de Raqib, foi orientado a esperar até que sua filha completasse 15 anos.

A Arábia Saudita não tem nenhuma lei que estabeleça uma idade mínima para o casamento, tanto para mulheres como para homens, o que proporciona às famílias a possibilidade de casar suas filhas o mais cedo possível - algumas, com apenas 10 anos.

Ativistas dos direitos humanos sauditas defendem a aprovação de uma lei que impeça o casamento infantil e estabeleça a idade mínima de 18 anos para os dois sexos. A campanha, no entanto, enfrenta forte oposição dos poderosos setores religiosos do país.
 
Fonte: AFP 21/02/2009

BAD e TAV Airports financiam construção de aeroporto na Tunísia

Túnis - Um holding turco, TAV Airports, e o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) assinaram sexta-feira em Túnis diversos acordos de financiamento da construção de um novo aeroporto na Tunísia, soube-se de fonte segura na capital tunisina.


O projecto estimado em 560 milhões de euros será executado pelo TAV Airports na zona de Enfidha, a cerca de 80 quilómetros ao sudeste de Túnis, no centro de uma zona turística, e terá uma capacidade de acolhimento para sete milhões de
passageiros por ano com previsão de aumento para 20 milhões de passageiros até 2020, de acordo com a fonte.


O empreendimento vai permitir criar dois mil 200 empregos durante a fase de construção e gerar mil 200 empregos directos e 10 mil empregos indirectos durante a fase de exploração, indicou a fonte.
 
Fonte: Angola Press

Produtora de Games brasileira lança jogo de Capoeira


Comunidades de negros, brancos, índios estão organizadas numa ambientalização do Rio de Janeiro de 1828.
Capoeira Legends: Path to Fredom. As brigas acontecem porque essas comunidades, denominadas de "Mocambos", vivem em constante ameaça de fazendeiros e governantes favoráveis à escravidão.
Nos centros urbanos, capoeiristas realizavam façanhas que amedrontavam o poder vigente: libertação de escravos das fazendas e escoltas mato adentro onde encontravam os acampamentos "ilegais".
O jogo já está avenda e pode ser baixado direto do site da produtora pelo valor de R$ 29,90, disponível em inglês e português.

 
Texto adaptado
Fonte: Correio Popular (Campinas-SP)