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A escritora síria Salwa al Neimi rompe tabus com um romance erótico

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Ignacio Cembrero
Em Paris

"Chegava a sua casa umedecida. Ele introduzia um dedo entre minhas coxas para recolher o mel, como o chamava. O provava e…" Essas frases seriam inócuas em um romance erótico editado no Ocidente, mas escritas em árabe, por uma mulher árabe e publicadas em um país árabe adquirem outro calado. Sua autora se transforma imediatamente na "mais ousada das romancistas árabes", segundo a rede de televisão Al Jazira. Salwa al Neimi, síria radicada em Paris, já tem anos de audácia em seus livros de poesia árabe, mas teve de publicar uma novela erótica, "A Comprovação Através do Mel", para que seus compatriotas e aqueles que hoje a lêem em outras línguas tomem consciência de sua ousadia.

"Deve ser porque ninguém mais lê poesia", comenta desiludida em um café parisiense essa mulher falante, que solta gargalhadas e respira alegria pelos quatro costados, mas que guarda com receio vários fragmentos de sua vida de militante política e também sua idade.

"Não é fácil escrever sobre sexo em árabe, porque o corretor ortográfico sublinha em vermelho montes de palavras adequadas - começando por 'trepar' -, mas que foram indevidamente desterradas da língua", prossegue Neimi. "Está programado para castrar a linguagem, como muitos de meus compatriotas", brinca. "É um computador eunuco", ri. "No entanto, o árabe é a língua do sexo, por mais que se esforce para esquecê-lo", salienta, agora com gesto grave. "Não é em vão que em nossa cultura o prazer sexual é uma amostra do paraíso."

Apesar da rejeição do corretor, Neimi escreve "trepo, logo existo" e relata em 172 páginas a relação entre a protagonista, que escreve na primeira pessoa, e seu principal parceiro, que chama de O Pensador, um homem ao qual não faltam idéias sobre como acasalar-se. Com ele "minha curiosidade sexual se aprofundou como um abismo".

Tal narrativa incitou os censores a proibir o romance em grande parte do mundo árabe, exceto no Líbano, onde só os maiores de idade podem comprá-lo, nos Emirados Árabes Unidos e, curiosamente, no Magreb. "Me fecharam as portas da feira do livro de Damasco, minha cidade, mas me abriram as de Casablanca", constata.

"A Comprovação Através do Mel" foi publicado há um ano pela editora libanesa Ryad El-Rayyess e, com uma velocidade surpreendente para o que costumam demorar as obras árabes a ser conhecidas no Ocidente, acaba de ser posta à venda na França pela editora Robert-Lafont. Também está sendo traduzida para outros 17 idiomas. Os direitos para a Espanha foram adquiridos pela Planeta. Apesar da proibição, a obra gerou muitos comentários na imprensa árabe, começando pela dos países em que é distribuída clandestinamente depois de ser baixada da Internet. Houve, é claro, jornais como o governista "Al Thawra", de Damasco, que tacharam a autora de prostituta que relembra suas aventuras.

Mas, apesar do puritanismo reinante, essa não foi a tônica geral. "'A Comprovação Através do Mel' é uma obra refinada e que se alça à categoria de grandes artes", afirma, por exemplo, o "Al Ahram", principal jornal do Egito, onde o livro foi vetado.

Mais ainda que a transbordante imaginação sexual do Pensador e a personalidade da autora, o que chocou as elites muçulmanas foi o fato de Neimi apelar para cientistas e poetas árabes para reivindicar a felicidade sexual. "Não eram marginais, mas eruditos de prestígio os que a defendiam em seus escritos há sete ou oito séculos", afirma a autora.

"Tenho fome de coito, como tenho fome de alimentos", proclamava o sufi Abdul Qasim al Junaid, enquanto Sidi Mohamed al Nafzawi escreveu: "A vulva não se acalma nem se apazigua, não está satisfeita enquanto não tiver a visita do membro masculino. O membro do homem encontra sua salvação na vagina". Essas e muitas outras citações salpicam a obra, como que para legitimar o relato erótico.

"Salwa al Neimi reivindica através de sua novela que se deixe de escrever e falar de sexo mediante alusões e apela aos antigos livros árabes que evocam com franqueza os nomes dos órgãos e as posições sexuais e indicam aquelas que proporcionam mais prazer e bem-estar", afirma o jornal libanês "Al Akhbar".

"Aquele que lê os antigos livros eróticos árabes não pode continuar vivendo na atual miséria [sexual] teórica e prática" de que sofre o mundo árabe, acrescenta o poeta libanês Yahia Jabeur en Al Qods. É o caso da protagonista da obra, para quem "a liberdade de expressão dos antigos sábios me ofuscava, com seu cortejo de palavras que não ouso pronunciar e nem sequer escrever. Uma linguagem excitante. Não podia ler nem uma linha sem ficar úmida".

"O que mais me alegrou não são as críticas jornalísticas, mas os comentários dos jovens em fóruns na Internet ou algum e-mail que me chegou através da editora", lembra Neimi. "Você nos reconciliou com nossos corpos", me escreveu um jornalista sírio. Neimi menciona em sua novela até os "hadiths" do profeta, as palavras de Maomé recolhidas por seus companheiros e que serve para interpretar o Corão. "Pode-se pronunciar uma 'fatwa' [édito islâmico] contra uma obra que cita os textos sagrados?", pergunta-se o jornal "Le Temps" de Túnis, antes de dar por certo que a escritora não terá a sorte de Salman Rushdie, autor de "Versículos Satânicos", que o aiatolá Khomeini condenou à morte.

A autora, mãe de dois filhos, também não acredita que esteja ameaçada, mas toma precauções. Pede que se omita o nome da instituição onde trabalha e o de seu marido, porque com seu sobrenome seria fácil encontrar seu endereço. Neimi não é a primeira intelectual árabe que desempoeira velhos volumes para ressuscitar um patrimônio cultural sepultado por séculos de rigor e décadas de integralismo. "A marcha para trás começa no século 17″, explica.

Malek Chebel, um antropólogo argelino radicado em Paris, escreveu há dois anos "O Kama Sutra Árabe" para "exumar os grandes textos do erotismo em terras do islã". Agora se desfaz em elogios para o romance de Neimi, que considera "precursora de uma geração de mulheres árabes decididas a se desfazer dos tabus".

"Não sou uma pioneira", ela responde com modéstia. "Há outras escritoras, como as libanesas Hoda Barakat, Iman Humaydane Younes ou Alawiya Sobh, que também ousam", afirma. Suas novelas mais recentes podem incluir algum episódio sexual, mas comparadas com "A Comprovação Através do Mel" são relatos inocentes. "Somos cada vez mais", insiste Neimi, "e por isso um jornal do golfo Pérsico se referiu à 'intifada sexual feminina'" depois de séculos de submissão. Por que durou tanto? A autora suspira: "A pergunta exige uma resposta longa demais".

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

do site do El País
 

Biografia de Sérgio Vieira de Mello, conta a trajetória do diplomata brasileiro, morto num atentado terrorista há 5 anos, em Bagdá, no Iraque.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

 
 

Nascida na Irlanda, aos nove anos Samantha Power foi morar nos Estados Unidos. Formou-se em Direito e depois seguiu carreira jornalística, onde acabou cobrindo, como correspondente de guerra, conflitos na Iugoslávia, Sudão, Ruanda e Timor.

Samantha é uma das maiores autoridades em relações internacionais e de 2005 a 2008 trabalhou como assessora de política internacional do senador Barack Obama, candidato à presidência dos Estados Unidos pelo Partido Democrata.

Ela acaba de lançar, em português, uma biografia de Sérgio Vieira de Mello, onde conta a trajetória do diplomata brasileiro, morto num atentado terrorista há 5 anos, em Bagdá, no Iraque.

Em 2003, Samantha Power recebeu o prêmio Pulitzer pela publicação de outro livro: "Genocídio - A Retórica Americana em Questão", onde defende a tese da incapacidade do governo americano, durante várias gestões, de impedir genocídios pelo mundo.

Samantha Power é professora da Universidade de Harvard e colunista da revista Time.

Ayaan Hirsi Ali foi a convidada do programa Roda Viva desta última segunda-feira



A convidada do programa Roda Viva desta segunda-feira teve e tem uma vida cercada de polêmicas. Uma das mais controversas personalidades políticas da atualidade, Ayaan Hirsi Ali denuncia maus tratos, luta pelos direitos das mulheres muçulmanas e critica o multiculturalismo.

Nascida na Somália, ela foi submetida a uma clitorectomia, a extirpação do clitóris, aos cinco anos de idade. Por causa da militância política de seu pai, Ayaan foi obrigada a deixar o país e viveu exilada na Arábia Saudita, Etiópia e Quênia, antes de fugir para a Holanda, onde tornou-se parlamentar e escritora.

Ayaan Hirsi Ali passou a ser uma severa crítica do islamismo e após contar a sua história em um livro e ajudar na produção de um documentário sobre as condições das mulheres islâmicas, foi ameaçada de morte, e, desde então, anda sempre com segurança reforçada.

Em 2005, a revista americana Time a incluiu na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo.

Para assistir os bastidores da gravação do programa, visite essa página:
http://www.tvcultura.com.br/rodaviva/ayaan

Entrevistadores: Marta Góes, jornalista e dramaturga; Demétrio Magnoli, geógrafo, especialista em relações internacionais e editor do jornal "Mundo, Geografia e Política Internacional"; Daniel Piza, editor executivo e colunista do jornal O Estado de S. Paulo; Norma Couri, correspondente da revista portuguesa Visão.
Perguntas dos telespectadores: Luiza Moraes

Apresentação: Lillian Witte Fibe

O escritor árabe Assaad Zaidan lança livro sobre o pensador libanês durante a 20ª Bienal Internacional do Livro

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Divulgação

Gibran Khalil Gibran é tema de Zaidan

São Paulo – A poesia e a filosofia de Gibran Khalil Gibran estão nas páginas do novo livro do escritor Assaad Yoessef Zaidan. O autor, de origem libanesa, está lançando na vigésima Bienal Internacional do Livro, de São Paulo, uma biografia do pensador libanês, "Gibran Khalil Gibran, Filósofo dos profetas, profeta dos filósofos", pela editora Escrituras. "O trabalho levou 22 meses para ser concluído, mas sou um apaixonado pela história de Gibran Khalil Gibran desde os meus 15 anos, quando comecei a ler seus livros", afirma Assaad Zaidan, de 75 anos. Gibran escreveu 16 livros, oito em inglês e oito na língua árabe.

A obra de Zaidan tem 412 páginas e foi dividida em sete partes. No início de cada uma delas, frases do autor sobre Gibran, relacionadas ao tema do capítulo. E no final, frases, citações do próprio Gibran, escolhidas com primor por Zaidan. O resultado, segundo Gabriel Chalita, que fez o prefácio do livro, é uma biografia romanceada, bem escrita e amorosa. "É uma contribuição à compreensão da vida – e portanto da obra – do profeta e filósofo Gibran Khalil Gibran", escreveu.

No volume, o leitor vai encontrar informações da vida e do contexto em que Gibran escreveu sua obra. "A história dele se mistura à história do Líbano e dos outros lugares onde ele viveu", diz Zaidan. Gibran Khalil também viveu nos Estados Unidos e na França, e, nesses países encontrou pessoas que o apoiaram no desenvolvimento de sua arte, como o jornalista Amin Gorayeb , do jornal Al Mohager, de Nova Iorque. Segundo Zaidan, Gorayeb convidou Gibran para escrever crônicas e poesias no jornal e garantiu-lhe que faria a revisão gramatical. Em 1904, o Al Mohager publicava a primeira crônica de Gibran. No ano seguinte, a gráfica do jornal publicou os contos e poesias do pensador.

Zaidan revela também que Gibran Khalil Gibran tinha um meio-irmão brasileiro, por parte de mãe. "Se chamava Pedro e morreu em Boston, em 1903 com tuberculose", diz o autor. A mãe, Sultana, havia falecido um ano antes e a irmã, Kemilah, também morreu em 1903 atacada por varíola e tuberculose. "Foram os piores dias da vida de Gibran, ele passou um ano e meio enfrentando a morte em casa, mas conseguiu retomar a sua vida e continuar a sua obra", conta Zaidan. Artista completo, Gibran faleceu em 1931. "Aos 48 anos, Gibran, que teve uma existência cheia de vida, fértil, realizações literárias, filosóficas e humanitárias, se libertou deste mundo para encontrar seu criador", escreve Zaidan.

Sobre o autor

Assaad Zaidan nasceu no Líbano, no vilarejo de Rweast El Balout – El Maten, e veio para o Brasil no fim de 1952. Morou nas Alagoas e, como gosta de dizer, foi lá que aprendeu português "errado". Mudou-se para Belém, sempre escrevendo e atento ao que acontecia no seu país de origem, na região árabe e também no Brasil. Escreveu crônicas para jornais e revistas do Iraque e também para jornais de Belém do Pará. Seu primeiro livro, "Opinião de um imigrante", foi lançado em 1963, em árabe. A biografia de Gibran é seu nono livro.

Bienal

A vigésima Bienal Internacional do Livro de São Paulo começou no dia 14 e vai até o dia 24, reunirá 350 expositores nacionais e estrangeiros num espaço de 70 mil metros quadrados do pavilhão do Anhembi, representando mais de 900 selos editoriais. É a segunda vez que o evento acontece no maior e mais tradicional complexo de feiras de negócios do continente latino-americano, o Anhembi. A expectativa é de que mais de 800 mil pessoas visitem os onze dias da feira.

Serviço
Quando: de 14 a 24 de agosto, das 10h às 22h
Onde: Pavilhão de Exposições do Anhembi, avenida Olavo Fontoura, 1209, Santana, São Paulo
Quanto: R$ 10. Estudantes e aposentados pagam R$ 5. Crianças de até 12 anos, adultos acima de 65 anos, professores, autores, bibliotecários, profissionais do livro e portadores de deficiência física têm entrada gratuita.
Site oficial da Bienal -
www.bienaldolivrosp.com.br

Book: O Gato e o Escuro, livro de Mia Couto

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Não, não ouso aqui apresentar a vocês este escritor de Moçambique, apontado como um dos mais importantes escritores contemporâneos africanos e da literatura em língua portuguesa.

capa livro o gato e o escuro


É que a Companhia das Letrinhas acaba de lançar no Brasil o livro dele O Gato e o Escuro (original de 2001 e nestes com ilustrações de Marilda Castanha), uma delicada história sobre um de nossos maiores medos – o escuro. O protagonista, um ser grande inspirador para ele: o gato. Nascido Antonio, "Mia" vem de sua paixão pelos felinos quando criança.

Na obra, a criança ganha mais: o contato com esta escrita que encanta tantos leitores do mundo inteiro. Sua melhor brincadeira? Inventar palavras.

mia couto

Já é uma delícia o texto que antecede à história e que ele dedica às crianças. Primeiro questiona o fato de uma obra ser "para" crianças. Depois, é uma poesia atrás da outra. "O que me encanta no acto da escrita é surpreender tanto a escrita como a língua em estado de infância. E lidar com o idioma como se ele estivesse ainda em fase de construção, do mesmo modo que uma criança converte o mundo inteiro num brinquedo".

De sua terra, ele exalta a chance de conviver com a prática de contar histórias. "Invento histórias para que a Terra inteira adormeça e sonhe. O escritor traria, assim, o planeta ao colo". Ele diz que aprendeu por lá também que as crianças não sejam só consumidoras de história: mas também produtores de história. "Eu quis muito que meus filhos aprendessem a escutar os outros, escutar a Vida". Ele escreve assim mesmo, com V maiúsculo.

Gente, isso faz muita diferença.

Fonte:
http://lerparacrescer.com.br/
31/07/2008

Autora brasileira lança neste mês o livro infanto-juvenil 'Mensagem para você'. Nele, um grupo de adolescentes recebe mensagem do passado e anônima sobre a rainha egípcia Nefertiti.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Divulgação Divulgação

Ana Maria é membro da Academia Brasileira de Letras

São Paulo – As personagens são Soninha, Zé Miguel, Mateus, Fabiana e Guilherme. Os quatro adolescentes descobrem que apareceu, em um dos seus trabalhos escolares, um trecho não inserido por eles. O texto misterioso aborda a importância intelectual da rainha egípcia Nefertiti. Essa é uma das mensagens que o grupo passou a receber de remetentes anônimos. Outras, todas vindas de personagens históricos, aparecem em seus computadores, celulares ou até em forma de música.

O enredo acima faz parte da mais nova obra infanto-juvenil da escritora brasileira Ana Maria Machado, que vai ser lançada neste mês durante a Bienal do Livro, em São Paulo. As mensagens que as personagens do livro recebem se referem à importância da leitura e da escrita. Foi esse o gancho que Ana Maria utilizou para inserir no livro, chamado "Mensagem para você", um dos seus objetos de fascinação: a famosa rainha egípcia.

"Todas as mensagens recebidas do passado pelos personagens do livro têm relação com a escrita e a leitura, que meu livro celebra. A Nefertiti é a primeira de uma série. Ela sabia ler e escrever, era inteligente e preparada, tinha uma posição de destaque. Eu sempre fui fascinada por ela e por outra rainha antiga, do Egito, a Hatsepchut (ou Hatshepsut), que menciono no livro", afirma Ana Maria, que lança o livro pela editora Ática.

A escritora leu várias obras sobre Nefertiti, entre elas uma que menciona e indica no livro, do egípcio Naguib Mahfuz, ganhador do prêmio Nobel 1988. Essa, na verdade, não é a primeira obra de Ana Maria na qual ela faz referência a algum personagem ou elemento da cultura árabe. No livro infantil "Mas que festa!", da editora Nova Fronteira, alguns convidados para uma grande festa brasileira são sírio-libaneses e trazem comidas típicas.

Reprodução Reprodução

Rainha egípcia Nefertiti está no livro 'Mensagem para você'

"Eu sempre convivi com esse universo. Meus pais sempre tiveram muitos amigos de origem árabe. Eu também, desde pequena. Minha madrinha era libanesa, só falava árabe com a mãe dela em casa. Tive cunhados de ascendência sírio-libanesa. Essas lembranças me vêm com tanta naturalidade que nem sei dizer, com certeza, onde estão presentes", diz.

A autora tem 140 livros publicados e segundo ela, perdeu a conta dos elementos do universo árabe que estão espalhados por sua obra. "Em meus livros de ensaios para adultos, um dos autores que costumo citar muito porque sinto muita afinidade com ele é Edward Said, de origem palestina", afirma. Said foi um dos grandes intelectuais árabes, de relevância mundial, conhecido por seus pensamentos sobre as relações do Oriente e Ocidente.

Ana e o livro

O livro "Mensagem para você" faz parte da coleção que leva o nome da autora, que reúne obras literariamente mais elaboradas, cujos temas estimulam a reflexão e o debate. No final de cada obra há uma biografia ilustrada da autora e a seção "Bastidores da criação", que conta como surgiu o livro. O livro que será lançado na Bienal tem 176 páginas e é indicado para adolescentes a partir de 11 anos. A Bienal ocorre entre 14 e 24 de agosto no Parque Anhembi, em São Paulo.

Ana Maria faz parte da Academia Brasileira de Letras desde 2003 e recebeu, pela instituição, o prêmio Machado de Assis, em 2001. Entre as demais premiações recebidas pela autora, um dos maiores nomes da literatura brasileira, estão o Hans Christian Andersen, distinção internacional na área de literatura para crianças e jovens.

Ficha técnica

Livro: Mensagem para você
Autora: Ana Maria Machado
Número de páginas: 176
Preço de capa: R$ 22,90

Brasil quer exportar sua literatura

sexta-feira, 25 de julho de 2008

São Paulo – O Brasil vai promover sua literatura no exterior. A Câmara Brasileira do Livro (CBL) e a Agência de Promoção das Exportações e Investimentos do Brasil (Apex) assinaram ontem (23) um acordo para criação de um Projeto Setorial Integrado (PSI) com esse objetivo. A idéia é vender para editoras estrangeiras direitos autorais de autores brasileiros.

Apesar de alguns escritores nacionais, como Jorge Amado e Paulo Coelho, serem bastante conhecidos mundo afora, não se trata de uma regra geral. "Fora alguns poucos casos o Brasil não exporta muito sua literatura, a produção do país não é muito conhecida no exterior", disse à ANBA a conselheira consultiva da CBL, Mirian Gabbai. Nesse sentido, segundo ela, a iniciativa é "inovadora".

Como em outros programas desenvolvidos pela Apex, o PSI com a CBL prevê uma série de ações, como consultoria às empresas participantes, identificação de mercados potenciais, participação em feiras internacionais e a realização de projetos comprador e de imagem. O convênio nasce com 28 editoras participantes.

Não haverá limitação de temas. Segundo Mirian, o projeto pretende promover a exportação da cultura brasileira, seja por meio de obras de ficção, livros técnicos, universitários, sobre religião, entre outros. Ele não está também restrito aos membros da CBL, editoras não associadas podem participar.

Da mesma maneira, não há restrição sobre o tamanho da empresa. De acordo com a conselheira, entre as editoras já inscritas a menor tem 70 títulos em catálogo e a maior 2 mil. A exigência é somente que os trabalhos a serem promovidos sejam de autores brasileiros.

O PSI, que terá prazo de dois anos de duração, tem um orçamento inicial de R$ 2,8 milhões, sendo que metade ficará a cargo da Apex e a outra metade das empresas e da CBL. Os organizadores esperam que sejam gerados negócios de US$ 1,56 milhão nesse período.

Ações

Segundo Mirian, uma atividade já foi realizada, que foi a vinda ao Brasil, no início do mês, do alemão Frank Jacoby, especialista na área de direitos autorais. Entre as ações previstas estão o lançamento de um catálogo em inglês e espanhol com as publicações das editoras envolvidas e a participação brasileira na Frankfurt Book Fair, em outubro na Alemanha; na Feria Internacional del Libro de Guadalajara, no México, que vai ocorrer em dezembro; na Bologna Book Fair, na Itália em março de 2009, na London Book Fair, em abril do próximo ano; e na Feria Internacional del Libro de Madri, em outubro de 2009.

O primeiro projeto comprador, segundo os organizadores, deverá ocorrer já em agosto deste ano durante o Congresso Ibero-Americano de Editores, no Rio de Janeiro. Essa atividade consiste em trazer executivos de editoras, agentes literários e representantes de feiras internacionais ao país para negociar com as empresas brasileiras.

Na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que ocorre também em agosto, os organizadores querem promover o primeiro projeto de imagem com a presença de jornalistas internacionais no evento.

Em termos de mercados, de acordo com Mirian, inicialmente o projeto centrará fogo na Europa. "Os europeus estão acostumados a comprar e vender direitos autorais e é mais fácil negociar como eles livros que não são best sellers", declarou.

Mais informações

CBL
www.cbl.org.br

Apex
www.apexbrasil.com.br

 

http://www.anba.com.br/noticia_oportunidades.kmf?cod=7532265

Lendo o livro O Espírito da Intimidade

quinta-feira, 17 de julho de 2008


Minha aminha Merit Aton, me presenteou com o livro "O Espírito da Intimidade" - Sobonfu Somé

Li metade do livro hoje de manhã.

Fiquei lembrando da minha infância, da convivência no sítio onde moravam meus avós paternos, e os irmãos do meu pai.

Acredito ser natural certos costumes, quando se vive muito próximos da "terra", quando se come o que se planta, quando se vive com essa ligação intrínceca, da pessoa com a natureza.
 
Lembro que eu admirava tudo, a maneira que tratavam os animais, os "rituais" quando iam sacrificar algum, o respeito com os alimentos. A simplicidade na vaidade e a valorização das conversas. As festividades.

Do tempo q se dedicava à sentar e reunir todos, para discutir um assunto. Em geral embaixo de uma mangueira, as crianças e os animais juntos.

Incrível minhas lembranças.  

Estavam todos ali, expondo e tratando de algo familiar, a doença de um, o namoro do outro.

Incrível como tudo isso se perde num piscar de olhos. Como a cidade acaba por LUBRIDIAR,

Também muitas coisas, foram mostradas no livro e no filme da Massai. Apesar das tribos africanas serem muitas e variadas acho q há elementos em comum, por exemplo o lance dos anciões decidirem, o fato da casa não ser um local para dois, ou para segredos.
O que mais mexeu comigo no livro da Massai foi que ela amou e respeitou aquela cultura tão diferente da dela, mas ela não mudou por dentro, e o cara ele não entendia aquela mulher. Que era "duas".

Em relação ao Ola, meu amigo nigeriano que virá ao Brasil, fico pensando nas coisas que gosto nele e que tenho medo que mude, com a forma de viver aqui. A malícia que temos aqui. Embora ele não seja um tribal, ele é um cidadão, rs mas há coisas nele que revelam sua cultura africana.

(raro post que decido escrrever... comentem!) rss quem sabe me animo a falar mais...

Ética em livro

domingo, 13 de julho de 2008

 
A obra Ser humano — Essência da Ética, da Medicina e da Espiritualidade foi lançada no mês de agosto na cidade de Londrina (PR). O livro é de autoria de Daisaku Ikeda, presidente da SGI, e dos professores René Simard e Guy Bourgeault, e trata de questões éticas relacionadas ao ser humano. A obra também foi apresentada no VII Congresso Brasileiro de Bioética.
 

Desobediência Civil

"A minha origem é nobre demais para que eu seja propriedade de alguém. Para que eu seja o segundo no comando ou um útil serviçal ou instrumento de qualquer Estado soberano deste mundo"

Frase tirada da obra "Desobediência Civil" de Henry David Thoreau (1817-1862)
Ghandhi e Luter King basearam suas lutas pelos direitos civis com essa obra.

Biblioteca da Universidade de Coimbra: 600 livros disponíveis na net

sábado, 12 de julho de 2008

Mais de 600 livros, revistas e brochuras editados pela Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra entre 1930 e 2000 vão ser consultáveis gratuitamente através do Google. As obras estarão disponíveis na Internet através do Google Pesquisa de Livros (ver link). Trata-se de um acordo que, embora ainda não formalmente assinado (a cerimónia chegou a estar agendada para quinta-feira passada), já está a produzir resultados práticos, segundo disse ao Expresso o físico Carlos Fiolhais, director da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra.

De entre os livros que passarão a ser consultáveis online incluem-se a "Crónica de D. Manuel" de Damião de Góis, as "Cantigas de Santa Maria" do rei castelhano Afonso o Sábio, os "Conselhos e Pareceres" de Francisco Suarez, as "Obras médicas de Pedro Hispano" (único papa português, sob o nome de João XXI), "Obras Completas" de Ribeiro Sanches, ou, ainda, "Fausto" de J. W Goethe (em tradução portuguesa).

Durante parte do séc. XX a Biblioteca Geral funcionou como editora, pondo no mercado reedições de obras antigas, parte das quais fac-similadas, sendo estas, para já, aquelas sobre as quais incide o acordo com o Google. "Hoje há possibilidade de pôr os conteúdos dos livros ao alcance de qualquer um, onde quer que esteja e em qualquer ocasião. Pode ser, até, sem fios ou por telemóvel. Esta é a maneira moderna de levar as bibliotecas a todo o lado. É-nos muito grato poder aproveitar as fantásticas inovações da Google nesse sentido", explicou Carlos Fiolhais.

Para além disto, a Biblioteca fez um acordo com a Livraria Almedina que possibilita, através da livraria online, a aquisição de títulos não esgotados .

Embora remonte a princípios do séc. XVI, esta biblioteca ganhou dimensão mundial em 1717, com a construção mandada fazer de raiz por D. João V. É um dos edifícios da Alta mais visitados e um dos argumentos para a classificação da universidade coimbrã como Património da Humanidade.

 

Link: http://books.google.pt/

Fonte: http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/365459

Dica de Livro: O Espírito da Intimidade

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Sobonfu Somé é uma mulher africana. Seu nome significa "A Mantenedora do Ritual". Ela nasceu e foi criada em Burkina Faso, ex Volta Superior, na África Ocidental. Além disso, Sobonfu é membro iniciado da Tribo Dagara. Isso significa que foi ensinada pelos anciãos, que participou do ritual de iniciação tribal das mulheres e que passou pelos anos de orientação que seguem essa iniciação. Hoje Sobunfu e seu marido, Malidoma Somé, ensinam a ancestral sabedoria da sua tribo ao redor do mundo.

Essa sabedoria inclui um item que costuma sempre interessar aos ocidentais: uma visão da intimidade. Mas a concepção de casamentos e relacionamentos que emerge de O Espírito da Intimidade, primeiro livro de Sobonfu Somé editado no Brasil, agora lançado pela Odysseus Editora, é completamente diversa do que poderia se esperar.

Na verdade, a palavra chave do título não é "intimidade", mas "espírito". Para a sabedoria de muitas gerações da Nação Dagara, que Sobonfu expressa, as relações não podem ser nada sem a intervenção do espírito.

Por isso o livro surpreende as mentes ocidentais. Primeiro, porque na tradição oral de Sobonfu, baseada na arte de conversar e contar histórias, as idéias nem sempre são lineares ou construídas na direção da conclusão. É um texto que não tem teorias a provar, nada a vender, nem ninguém para impressionar. Não satisfaz o viciado em informação. O conteúdo é novo e provocante, mas não pode ser absorvido como dados para estatísticas e estratégias. Pois existe uma palavra em Dagara cuja tradução é "a coisa que o conhecimento não pode comer".

Como boa parte do que Sobonfu compartilha escapa da mente lógica, não se torna mais um bem de consumo. Suas visões só podem ser absorvidas por intuição. Ela é a primeira a dizer que sua conversa não está sistematizada: "várias imagens vêm e vão, como pequenas estrelas. O que é importante, porém, é ver nossa compreensão da intimidade como uma prática autorizada pelo espírito e executada por alguém que reconhece que não pode, por si própria, fazer acontecer aquilo a que foi convidada".

Nesse mesmo tom de modéstia, Sobonfu não tenta corrigir os equívocos dos relacionamentos e ignora a moderna obsessão por "mudanças" de comportamento. Suas noções de intimidade e sexualidade são também opostas às opiniões vigentes. Enquanto a crença na primazia do indivíduo gera relacionamentos "privatizados", exclusivos e separados da comunidade, na visão do povo de Sobonfu a idéia de um relacionamento fora do contexto da aldeia e do sagrado é absurda e muito perigosa.

Nessa perspectiva, a intimidade não é concebida como um meio para a conquista da felicidade pessoal, mas como forma de cumprir o propósito de vida de cada pessoa, de enriquecer a comunidade e expressar o espírito.

Idéias quase heréticas num mundo onde a noção de "direitos" e de "busca da felicidade" impera. Mas no que toca à intimidade, a maioria dos adultos do Ocidente, pelos parâmetros de Sobonfu, encontra-se na adolescência e as visões de sua antiga sabedoria podem, talvez, ajudar essas "crianças crescidas" a dar o próximo passo. Essa pelo menos é a opinião de ilustres admiradores da sua obra, como o poeta americano Robert Bly (autor de "João de Ferro: Um Livro Sobre Homens"), ou a autora do best-seller mundial "Mulheres que Correm com os Lobos", Clarissa Pinkola Estés.

O Espírito da Intimidade afirma em suma que as questões do coração são iniciadas pelo espírito, que é a fonte para a qual a atenção deve se voltar para obter saúde e bem estar nos relacionamentos. O livro oferece assim uma perspectiva que ajuda a restaurar o contexto sagrado das relações. Ele convida a uma postura adulta - com os parceiros, as comunidades e o espírito - e desafia cada leitor a ser cada vez mais fiel a si mesmo.


SERVIÇOS:
Autor: Sobonfu Somé
ISBN: 978-85-88023-95-6
148 páginas - 2ª edição
Preço: R$ 22,00








Fonte: http://www.odysseus.com.br/sup_release_espirito.html

NOTA:
Merit Aton, que me falou desse livro. Estou louca para ler!

Dica de site: Livros de Medicina

O site abaixo é do meu irmão, podem confiar.

Livros de Medicina

http://www.livromedico.com

A livraria fica em campinas, rua roxo moreira 1820 (entrada da Unicamp) Barão Geraldo

A obra 'À sombra das tamareiras: contos orientais', de Humberto de Campos, chega neste mês ao mercado editorial brasileiro.

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Livro será vendido nas maiores livrarias do Brasil

São Paulo – A Almádena Editora, do Rio de Janeiro, vai colocar no mercado neste mês a terceira edição do livro "À sombra das tamareiras: contos orientais". A obra é do escritor brasileiro Humberto de Campos e a edição marca os 75 anos de falecimento do autor, em janeiro de 2009. A coletânea com 29 contos ambientados no mundo árabe e oriental, é o terceiro lançamento da Almádena, editora especializada em temas árabes.

Humberto de Campos começa a obra contando ao leitor sobre um certo dia, no qual foi visitado por um turco interessado em vender-lhe um livro que havia escrito. O escritor comprou os escritos por 120 mil réis e os publicou no jornal, como obra sua. Na época, Campos publicou mesmo os seus contos em jornais do Rio de Janeiro, mas, ao contrário do que possam imaginar leitores desavisados, a história do turco também é ficção.

"No início do século 20, era modismo falar de coisas do Oriente", diz João Baptista M. Vargens, editor da Almádena. O livro segue com contos como "História de um homem de boa-fé", que relata a dor de Abul Fadl, um ricaço que na saída da mesquita, duvidou de que algum homem o pudesse enganar e assim viu sua fortuna desmoronar, ou "As duas filhas do rei Hassan", que conta a história de duas irmãs, uma chamada Mentira e outra Verdade para explicar o costume de historiadores, de contar mentiras como se fossem verdade.

A editora Almádena trabalhou na obra cerca de um ano antes do lançamento. De acordo com Vargens, o diferencial da publicação são as 86 notas de rodapé. Elas ajudam o leitor a compreender palavras e expressões características do mundo árabe. Foram feitas por Vargens e duas colaboradoras da Almádena, Suely Ferreira Lima e Renata Mansour. Explicam, por exemplo, que "cádi" é juiz, Hauran, uma região da Síria, janízaros são soldados de elite dos turcos otomanos e Alcorão, o livro sagrado dos muçulmanos.
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Relançamento marca 75 anos da morte de Humberto de Campos



O texto da orelha do livro é de Antonio Carlos Secchin, membro da Academia Brasileira de Letras e professor de Literatura Brasileira da Universidade Federal do Rio de Janeiro. "Na multifacetada obra de Humberto Campos, À sombra das tamareiras representa uma bem sucedida incursão ao imaginário do Oriente, que logrou discreta, mas consistente, presença nas letras brasileiras da primeira metade do século XX", diz Secchin, em texto.

O autor é maranhense e foi, além de contista, jornalista, crítico, biógrafo, poeta, cronista e memorialista. Órfão de pai, aos 17 anos Humberto se mudou para Belém, onde trabalhou como redator dos jornais Folha do Norte e Província do Pará. A sua primeira obra foi de poesia, com o livro "Poeira, primeira série". Ele entrou para a Academia Brasileira de Letras em 1919 e também foi deputado federal pelo Maranhão. Seu livro mais famoso é "Memórias", uma crônica.

O preço de capa de "À sombra das tamareiras: contos orientais" é R$ 29. A obra pode ser encontrada nas maiores livrarias do país. Se a compra for feita diretamente na editora Almádena, porém, cai para R$ 20. (Seguem contatos abaixo). O livro tem 141 páginas.

Serviço:
À sombra das tamareiras: contos orientais
Páginas: 141
Autor: Humberto de Campos
Editora: Almádena
Preço: R$ 29
Site: www.almadenaeditora.com
Telefone editora:             +55 (21) 3634 7637       

A Câmara de Comércio Árabe Brasileira está relançando o livro "Lições elementares da língua árabe para os que não a falam".

São Paulo – A Câmara de Comércio Árabe Brasileira está relançando o livro "Lições elementares da língua árabe para os que não a falam", manual básico do idioma escrito pelo vice-presidente de Relações Internacionais da entidade, professor Helmi Nasr. Egípcio naturalizado brasileiro, ele foi fundador do curso de árabe da Universidade de São Paulo (USP) e vive no Brasil há 46 anos.

Sérgio Tomisaki/Agência Meios Sérgio Tomisaki/Agência Meios

Professor Helmi usou a mesma técnica que aplicava aos alunos

"O livro serve para situações cotidianas. Para quem vai viajar, por exemplo, ele contém as palavras para se manter uma conversação, cumprimentar alguém, comprar ou vender alguma coisa", disse Nasr. O trabalho foi apresentado a jornalistas durante uma entrevista coletiva realizada ontem (08) na Câmara Árabe. "Depois eu vou aplicar um teste para todos", brincou o professor com os jornalistas.

O presidente da entidade, Antonio Sarkis Jr., declarou que o lançamento deverá ocorrer efetivamente até a próxima semana.

O manual contém palavras e expressões em português acompanhadas da tradução para o árabe em alfabeto árabe e no alfabeto fonético internacional. Acompanham o livro dois CDs com as mesmas palavras faladas em português pelo apresentador Cid Moreira, da Rede Globo, e em árabe pelo próprio Nasr. O objetivo é mostrar ao interessado a pronúncia correta.

Sérgio Tomisaki Sérgio Tomisaki

Professor brincou que ia aplicar um teste de árabe aos jornalistas

Segundo o professor, a primeira edição do trabalho foi lançada há cerca de 30 anos, durante a gestão do então presidente da Câmara, Walid Yazigi. "Nós estávamos voltando de uma viagem à Arábia Saudita e ele [Yazigi] teve a idéia de fazermos alguma coisa para que brasileiros pudessem ter uma noção do árabe", afirmou Nasr.

Para escrever o livro ele utilizou a mesma técnica que aplicava aos seus alunos em sala de aula. "A novidade agora é que, ao invés de fitas, ele vem com CDs", disse o professor. O áudio original foi recuperado, remasterizado e convertido em formato digital.

De acordo com Nasr, com o crescimento das relações comerciais entre o Brasil e os países árabes houve também um aumento do número de pessoas interessadas em saber um pouco mais do idioma. E essa demanda chegou à Câmara. "Então decidimos lançar de novo", afirmou.
Reprodução Reprodução

Livro vem acompanhado de dois CDs



Esta é apenas uma das obras do professor. Ela já traduziu o Alcorão diretamente do árabe para o português, impresso desde 2005 no Complexo Rei Fahd, em Medina, na Arábia Saudita; lançou um dicionário árabe-português; e traduziu para o árabe o livro "Novo mundo nos Trópicos", de Gilberto Freyre.

Seu trabalho lhe rendeu um convite, da Liga Islâmica Mundial, para integrar o conselho executivo do Encontro Internacional de Eruditos e Pensadores Muçulmanos, que é uma reunião para discussão da sociedade islâmica por parte de pensadores muçulmanos de várias partes do mundo. Nasr é o primeiro representante da América Latina.
 

Dica de Livro: O Poder das Redes


Dia frio, eu gripada, com preguiça de comer e tomar banho. Pensando na reunião da BSGI sobre a Exposição Gandhi, King e Ikela - Um legado na contrução da paz.

Parei minha leitura, do Livro, O Poder das Redes - David de Ugarte, pois lembrei que tinha novas notícias para publicar no blog. Quando levantei, pois estava deitada no sofá, tirei essa foto, segurando o livro e com a Mitiko ao lado, ela sempre se deita na cadeira, quando estou deitada no sofá.

Além das notícias, que lembrei que precisava publicar, o livro estava me aguçando, a fuçar em alguns sites, como o del.icio.us - http://del.icio.us/. Site onde você guarda seus favoritos e pode acessar de onde estiver.

Dele, já pulei para outros, algumas comunidades de blogs árabes... quem sabe participo de algumas delas, se permitirem.

O Poder das Redes - um livro de David Ugarte pode ser descarregado gratuitamente em pdf
aqui: http://www.deugarte.com/manual-ilustrado-para-ciberactivistas

O livro é muito interessante, tem um espírito hackeano eu diria, ele monta um panorama histórico e conceitual das redes, o que já rolou e dá algumas idéia de como aproveitar na atualidade, e arrisca uma visão futurista.

O que parece óbvio nem sempre é fácil de por em prática.

Veja perfil de Chimamanda Ngozi Adichie

segunda-feira, 7 de julho de 2008

A jovem escritora Chimamanda Ngozi Adichie, 31, nasceu na Nigéria e vive nos Estados Unidos desde 1996. Filha de um professor universitário, Chimamanda foi aluna brilhante, graduando-se com nota máxima, fez mestrado e atualmente é doutoranda em Yale.

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A escritora Chimamanda Ngozi Adichie, que participa da 6ª edição da Flip, em Paraty (Rio)
A escritora Chimamanda Ngozi Adichie, que participa da 6ª edição da Flip, em Paraty (Rio)

A guerra, a divisão e a religião que divide são os temas de suas obras. Seu primeiro romance, "Purple Hibiscus" (algo como "O Hibisco Amarelo"), foi publicado em 2003. Três anos depois, publicou "Meio Sol Amarelo" (Cia. das Letras, 2008), alusão à bandeira de uma "nação" que não conseguiu sua independência com a guerra civil.

A obra, que recebeu o prêmio Orange de ficção, expõe irmãs gêmeas não-idênticas que representam metaforicamente os dois lados de uma nação dividida, e que culmina na Guerra de Biafra (guerra civil na Nigéria, entre 1967 e 1970, que deixou mais de 1 milhão de mortos).

Não é somente um livro sobre a guerra e suas injustiças, é também um livro sobre as misérias, egoísmos e grandezas humanas.

A autora e o angolano Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos, o Pepetela, vencedor do Prêmio Camões em 1997, vão mostrar que a literatura do período de guerra pode ser muito mais profunda que um mero retrato de horrores, que pode tocar o fundo da alma humana em lugares impensáveis, revelando-se fonte de criatividade e beleza.

 

Fonte: Flip

Dica de Livro: Meio Sol Amarelo, da Nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie

 
        Meio Sol Amarelo
        CHIMAMANDA NGOZI ADICHIE   



Filha de uma família rica e importante da Nigéria, Olanna rejeita participar do jogo do poder que seu pai lhe reservara em Lagos. Parte, então, para Nsukka, a fim de lecionar na universidade local e viver perto do amante, o revolucionário nacionalista Odenigbo. Sua irmã Kainene de certo modo encampa seu destino. Com seu jeito altivo e pragmático, ela circula pela alta roda flertando com militares e fechando contratos milionários. Gêmeas não idênticas, elas representam os dois lados de uma nação dividida, mas presa a indissolúveis laços germanos condição que explode na sangrenta guerra que se segue à tentativa de secessão e criação do estado independente de Biafra.
Contado por meio de três pontos de vista além do de Olanna, a narrativa concentra-se nas perspectivas do namorado de Kainene, o jornalista britânico Richard Churchill, e de Ugwu, um garoto que trabalha como criado de Odenigbo , Meio sol amarelo enfeixa várias pontas do conflito que matou milhares de pessoas, em virtude da guerra, da fome e da doença. O romance é mais do que um relato de fatos impressionantes: é o retrato vivo do caos vislumbrado pelo drama de pessoas forçadas a tomar decisões definitivas sobre amor e responsabilidade, passado e presente, nação e família, lealdade e traição.

Editora: Companhia das Letras
ISBN: 9788535912470
Ano: 2008
Edição: 1
Número de páginas: 504
Acabamento: 
Brochura
Formato: Médio

Escritores africanos esquentam a FLIP

domingo, 6 de julho de 2008

Nem o sol quente de Paraty tirou o público da fila da primeira mesa da manhã deste sábado (5). A nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie e o angolano Pepetela leram trechos de seus livros mais recentes (Meio sol amarelo e Predadores) e refletiram sobre os rumos da literatura africana. Com mediação do veterano em FLIP e também angolano José Eduardo Agualusa, discutiram ainda os conflitos separatistas do continente e a conseqüente influência na produção de suas obras. "A Nigéria ainda carrega seqüelas de uma nação dividida", comentou Chimamanda, que vive há 12 anos nos Estados Unidos.
 
Angola também sente na pele os resquícios da Guerra Civil dos anos 70. "As desigualdades sociais são imensas em Angola e, para piorar, o racismo tem se intensificado", desabafou Pepetela. Não por menos, Predadores , que, em breve, será publicado no Brasil pela Língua Geral, retrata os últimos 30 anos em Angola. "É a descoberta de um angolano da importância do MPLA (Movimento Pela Libertação de Angola) para a sobrevivência do país", sintetizou o autor.
 
Vencedor do Prêmio Camões pelo conjunto da obra em 1997, Pepetela declarou sua admiração pela literatura brasileira e disse que Jorge Amado marcou muito os angolanos. "Todos ficaram extasiados pela Gabriela do baiano", contou Pepetela, depois de revelar que seu grande inspirador é a obra de Amado. Outro problema apontado tanto pelo angolano como pela nigeriana foi a falta de acesso da maioria dos africanos aos livros. "Poucos jovens dominam suficientemente a língua para embarcarem nas leituras", lamenta Pepetela. Sem contar que, como ressaltou Chimamanda, os escritores africanos mal se conhecem. "Muitos são publicados na Europa antes mesmo de serem lançados na África". Apesar de morar nos Estados Unidos, a nigeriana ainda mantém uma relação forte com sua terra e reconhece: "A África ainda não tem sua vida completamente reconstruída".
 
 
O que é a FLIP

Em agosto de 2003, a Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP) tornou-se a caçula da família de importantes festivais literários como Hay-on-Wye, Adelaide, Harbourfront de Toronto, Festival de Berlim, Edimburgo e Mântua. Com a presença de autores mundialmente respeitados, como Julian Barnes, Don DeLillo, Eric Hobsbawm e Hanif Kureishi, a primeira FLIP estabeleceu um padrão de excelência às edições seguintes. Em um curto período, ficou conhecida como uma das principais festas literárias internacionais, sendo reconhecida pela qualidade dos autores convidados, pelo irresistível entusiasmo de seu público e pela descontraída hospitalidade da cidade.

A FLIP já recebeu alguns dos grandes nomes da literatura mundial, como Salman Rushdie, Ian McEwan, Martin Amis, Margaret Atwood, Paul Auster, Anthony Bourdain, Jonathan Coe, Jeffrey Eugenides, David Grossman, Lidia Jorge, Pierre Michon, Rosa Montero, Michael Ondaatje, Orhan Pamuk, Colm Toíbín, Enrique Vila-Matas, Jeanette Winterson, J. M. Coetzee e Marcello Fois.

Dos brasileiros, alguns dos autores mais talentosos já estiveram na FLIP, como Ariano Suassuna, Ana Maria Machado, Milton Hatoum, Millôr Fernandes, Ruy Castro, Ferreira Gullar, Luis Fernando Verissimo, Zuenir Ventura, Barbara Heliodora, Ruy Castro e Lygia Fagundes Telles, além de ícones da cultura brasileira como Chico Buarque e Caetano Veloso.

Com um repertório eclético de convidados – do dramaturgo inglês Tom Stoppard à psicanalista Elisabeth Roudinesco, do quadrinhista Neil Gaiman à roteirista argentina Lucrecia Martel –, a sexta edição da FLIP confirma mais que nunca sua vocação a mercado cosmopolita de todo tipo de idéias manifestadas através da palavra escrita.

A cada ano a FLIP homenageia um expoente das letras brasileiras. No primeiro ano, em 2003, celebrou-se o poeta e compositor Vinicius de Moraes (1917-1980). João Guimarães Rosa (1908-1967) foi o homenageado no ano seguinte. Em 2005 foi a vez de Clarice Lispector (1920-1977), em 2006, do baiano Jorge Amado (1912-2001), e, em 2007, do jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues (1912-1980). Em 2008, ano do centenário da morte de Machado de Assis (1839-1908), a FLIP presta homenagem ao grande escritor carioca.

A música brasileira, uma das maiores riquezas da nossa vida cultural, não poderia estar ausente da FLIP. Os shows de abertura, que já valeriam a ida a Paraty, ofereceram aos convidados a chance de assistir Chico Buarque, Paulinho da Viola, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Mônica Salmaso, Adriana Calcanhoto e José Miguel Wisnik, Orquestra Imperial e Maria Bethânia darem as boas-vindas aos visitantes da FLIP.

Enquanto a programação principal acontece na Tenda dos Autores e é transmitida ao vivo na Tenda do Telão, vários outros eventos ocorrem simultaneamente em diversos locais. A Oficina Literária, destinada a jovens aspirantes a escritor, é realizada por grandes autores brasileiros e internacionais. Há também uma programação exclusiva para as crianças – a FLIPINHA –, em que jovens estudantes de Paraty apresentam o resultado de seus trabalhos inspirados no universo literário e participam de palestras com autores convidados. O sucesso da Festa também estimulou o desenvolvimento de uma programação de leituras, shows e lançamentos de livros, batizada de Off-FLIP.

Paraty é uma cidade litorânea contornada pelo mar azul-turquesa da baía da Ilha Grande e por grandes faixas intactas de mata atlântica. Localizada a aproximadamente quatro horas de carro do Rio de Janeiro e de São Paulo, esse antigo porto, de onde se enviava a maior parte do ouro do Brasil ao Velho Mundo, é uma cidade histórica que atrai muitos eventos culturais. Poucos locais poderiam ser mais agradáveis para sediar a FLIP que esta charmosa cidade. Suas ruas de pedra propiciam encontros casuais proveitosos, enquanto restaurantes e bares convidam a um bate-papo descontraído. As pousadas e os serviços oferecem excelente padrão de qualidade.

Desde a primeira edição, o crescimento da Festa Literária está intimamente ligado à vida e às necessidades de Paraty. Artistas locais, comerciantes, hoteleiros e donos de restaurantes acolhem a FLIP, que, por sua vez, mantém os habitantes locais ativamente envolvidos. Por tudo isso, a FLIP se destaca de outros encontros literários contribuindo para a atmosfera alegre e calorosa que tem caracterizado esse grande evento.

Aos 30 anos, a escritora nigeriana diz que mundo não enxerga os africanos comuns

"A raiva é um bom motivador"
 
Aos 30 anos, a escritora nigeriana diz que mundo não enxerga os africanos comuns
 
Juliana Krapp e Rachel Almeida
 
Paraty
 
Caçula entre os convidados internacionais da 6ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que termina hoje, a nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, de 30 anos, descobriu em sua primeira visita ao Brasil que o país tem muitas semelhanças com a Nigéria. A escritora passeou de barco, bebeu caipirinhas, experimentou o caju, mas tirou da bagagem, ontem de manhã, os temas nada solares que a trouxeram à cidade. Dona de uma prosa densa e, ao mesmo tempo, devastadora e requintada, a vencedora de prêmios como Orange e o Hurston/ Wright Legacy dividiu com o angolano Pepetela, de 67, a mesa Guerra e Paz.
 
É assim, pelo menos, seu segundo romance, Meio sol amarelo (Companhia das Letras), que Chimamanda lança em Paraty – o primeiro no Brasil. Conta a história da guerra Nigéria-Biafra de 1967-70, com todo o terror que o episódio carrega. Mas conta também histórias de afetos que se desdobram em meio à violência. Um olhar que é herança de família: apesar de não o ter vivenciado, Chimamanda perdeu seus avós no conflito. E cresceu ouvindo relatos sobre os anos terríveis. Dos quais extraiu histórias de amor.
 
"O legado brutal do colonialismo me deixa furiosa". É o que a senhora afirma, em seu site. Como a raiva pode ajudar em sua produção literária?
 
– A raiva é um bom motivador desde que a pessoa não deixe esse sentimento se sobrepor à razão. Ser um artista significa estar sempre furioso, ávido por mudanças.
 
'Meio sol amarelo' relata cenas terríveis. Que parte do livro foi a mais difícil de imaginar?
 
– As cenas do massacre e do estupro. Elas foram difíceis principalmente porque, apesar de eu não ter vivenciado a guerra, minha família passou por isso e me sinto muito ligado às histórias.
 
A senhora acha que existe uma literatura africana? Ou esse título é um erro?
 
– Sou ambivalente em relação a rótulos, principalmente quando se aplicam a uma parte do mundo com uma história tão complicada como a da África. Falar em literatura africana seria bom se a denominação não viesse cheia de expectativas. Há pessoas que têm idéias estereotipadas sobre como a autêntica literatura africana deveria ser e isso é problemático. Se o rótulo fosse abrangente seria interessante.
 
Quais são seus autores africanos preferidos?
 
– Não tenho autores preferidos, mas livros. Como The African child (A criança africana), de Camara Laye.
 
A senhora divide seu tempo entre os EUA e a Nigéria. Quais são os problemas das visões dos americanos sobre a África?
 
– Não acho que isso esteja limitado aos americanos. Acredito que, para grande parte do mundo não-africano, todos os africanos são muito pobres ou estão morrendo por causa de doenças e guerras, e então não enxergamos os africanos comuns que levam suas vidas.
 
Existe um colonialismo literário?
 
– Sim, a dominação cultural americana está espalhada pelo mundo. Os livros americanos são vendidos na Nigéria, e a música e os filmes americanos são o modelo em meu país. Acredito que seja uma função do poder político, econômico e militar. Se a Nigéria tivesse o poder que os EUA têm, os livros nigerianos provavelmente seriam os mais vendidos no Brasil. Dito isso, acredito piamente que a literatura não devia ser limitada por fronteiras políticas.
 
Seu país é uma das maiores indústrias alternativas de filmes no mundo. Como descreveria a cena cultural na Nigéria?
 
– É incrivelmente vibrante. Alguns dos filmes não são bem feitos em termos técnicos, mas adoro Nollywood porque acho importante e estimulante que tenhamos filmes e música feitos pelos nigerianos, com recursos de nigerianos e consumidos por nigerianos.