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Dica de Filme: documentário de animação Valsa com Bashir

quarta-feira, 11 de março de 2009

O documentário de animação Valsa com Bashir (Waltz With Bashir) venceu a categoria de Melhor Filme Estrangeiro na 34ª edição do prêmio César – Oscar do cinema francês, durante cerimônia realizada no último dia 27 de fevereiro, em Paris.

Lançado no último Festival de Cinema de Cannes e aclamado pelo público e pela crítica em diversos outros eventos similares pelo mundo afora, este é mais um prêmio para a bem sucedida carreira do filme israelense, que já acumula o Globo de Ouro, Critics Choice Awards, British Independent Film Award (todos na categoria de Melhor Filme Estrangeiro). Além disso, VALSA COM BASHIR ganhou os principais prêmios na última premiação da Academia de Cinema de Israel, incluindo Melhor Diretor, Melhor Filme e Melhor Roteiro.

Em forma de documentário, VALSA COM BASHIR é uma reflexão da experiência do diretor Ari Folman como soldado israelense na dramática invasão do Líbano de 1982.  Produzido com ilustrações feitas à mão em fusão de animação em 2-D e 3-D, o documentário se passa durante uma noite em que um homem conta ao velho amigo Ari (Folman) o recorrente pesadelo no qual ele foi perseguido por 26 cães alucinados e a correlação com a missão deles no exército israelense na guerra contra o Líbano.

VALSA COM BASHIR será lançado em nossos cinemas pela Sony Pictures do Brasil no dia 03 de abril de 2009.

Dica de Filme: Dreams of dust (Rêves de poussière, Poeira e Sonhos) 2006

domingo, 8 de março de 2009

SINOPSE:
Mocktar Dicko sai da Nigéria e atravessa o deserto de Burkina Faso para ir trabalhar na mina de ouro de Essakane. Cercado por vento e areia, ele espera conseguir esquecer a dor que carrega. Aos poucos, faz amizade com os seus colegas de trabalho, com uma prostituta, e com Coumba, uma jovem viúva que sonha mandar a filha para a França. O novo ambiente torna-se familiar e ele sente o seu país ficar mais distante. Seleção oficial do Festival de Sundance 2007.

ELENCO:
Makena Diop
Rasmane Ouedraogo
Souleymane Souré
Fatou Tall-Salgues
Joseph B. Tapsoba

FICHA TÉCNICA:
País de origem:França/Canadá
Ano de lançamento:2006
Duração:86min
Idioma:Francês
Direção:Laurent Salgues
Roteiro:Laurent Salgues
Gênero:Drama

O Icarabe apresenta em Maringá alguns dos filmes da Mostra "Imagens do Oriente" 2008, apresentada originalmente em São Paulo. Confira abaixo a programação:

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Dia 29, sexta-feira


16h
Abertura da Mostra
Convidadas: Arlene Clemesha ICARABE (Instituto da Cultura Árabe) / História USP
Angélica Lovato Espaço Marx – SP / Fundação Santo André


16h30
Blues Palestinos
Palestina, 2005
Direção: Nida Sinnokrot
Duração:72 min
No vilarejo de Jayyous, a população camponesa empreende uma campanha não-violenta de resistência à construção do Muro da Segregação. Além de impedir o livre trânsito dos palestinos e separar famílias, o Muro, por onde passa, destrói plantações e expulsa os antigos donos da terra


19h
Qana
Irã-Líbano, 2006
Direção: Mohammad Reza Abbasian
Duração: 53 min
Premiado com medalha de ouro no 2º Festival de documentários da Al Jazeera, o filme revela novos desdobramentos relativos ao massacre de civis libaneses, no momento em que eles se protegiam de um bombardeio israelense no interior do abrigo da Onu, em Qana, 1996.


20h30
Jenin, Jenin
Palestina, 2002
direção: Mohammad Bakri
Duração: 54 minutos
Realizado alguns dias após a invasão israelense do campo de Jenin, o filme revela as marcas deixadas na alma daquela comunidade.

Dia 30, sábado:

10h30
De Futebol e Sonhos
Palestina, 2006
Direção: Maya Sanbar e Jeffrey Saunders
Duração: 86 minutos
O esforço de jogadores de futebol dos territórios ocupados de Gaza e Cisjordânia que não podem treinar juntos em seu próprio país. O resultado é a busca de uma identidade pessoal e nacional, uma mistura de sonhos, exílio, ocupação e sobrevivência

15h
Meu país amado
Palestina/Nova Zelândia, 2007
Direção: Janice Abo Ganis e John Mandelberg
Duração: 24 minutos
Cantores palestinos, expressando-se pela música, revelam as histórias de suas comunidades

16h
Um prato de sardinhas ou a primeira vez que eu soube de Israel
Síria/França, 1997
Direção: Omar Amiralay
Duração: 17 minutos
O diretor Omar Amiralay revisita as ruínas de Al-Qunaitera, na Síria, destruída em 1974 e ocupada por Israel durante sete anos. Entre as ruínas, restou apenas um edifício: o cinema da cidade.

17h
Crianças de Ibdaa
Palestina-EUA, 2002
Direção: Sarah Smith Patrick
Duração: 30 minutos
Ibdaa, que em árabe significa criar algo do nada, é a história, a luta e as aspirações de um grupo de dança de crianças palestinas.


20h
Coração Aberto
Palestina/Reino Unido, 2006
Direção: Claire Fowler
Duração: 22 minutos
A sobrevivência de Jamal, com nove meses de idade, depende da realização de uma cirurgia no coração. Para realizar esta operação, Jamal precisa sair de sua casa, em Nablus e passar por todos os postos de controle do exército de Israel, até chegar ao hospital palestino Makassed, em Jerusalém.


21h
Faixa de Gaza
Estados Unidos, 2002
Direção: James Longlay
Duração: 74 minutos
Em janeiro de 2001, o diretor James Longlay viajou para a faixa de Gaza planejando ficar duas semanas coletando material para um filme sobre a Intifada. Acabou ficando mais de três meses, período no qual ficou conhecendo profundamente a população local.



Dia 31, domingo:

15h
Muralha de Ferro
Palestina, 2006
Direção: Mohammed Alatar
Duração: 52 minutos
História da implantação sionista na palestina, desde as primeiras doutrinas da direita israelense até as mais recentes ações para assegurar o furto de terras e de todos recursos naturais e implantação contra a população palestina de um sistema semelhante ao apartheid que vigorou na África do Sul.

17h
Qana

19h
Faixa de Gaza

 
 
Cinema
Mostra "Imagens do Oriente"
Shopping Maringá Park, 4º piso – av. São Paulo, 120 - Maringá, PR - Entrada franca

O curta-metragem egípcio e norte-americano 'A empregada', de Heidi Saman, faz parte do festival internacional que está acontecendo na capital paulista. Há exibição hoje e na quinta-feira.

São Paulo – Um curta-metragem do Egito faz parte da programação do 19º Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo, que começou na última semana na capital paulista e segue até a próxima sexta-feira (29). A produção está em exibição nas salas de cinema da cidade, juntamente com 381 filmes de 54 países.

O filme egípcio que integra o festival é "A empregada", ou "The Maid", produção conjunta do Egito e dos Estados Unidos feita neste ano. O filme tem duração de 19 minutos e conta a história de uma empregada do país árabe sem experiência no trabalho e com suspeitas sobre seus patrões, que acabam se confirmando. A diretora e roteirista é Heidi Saman.

Além de direção, roteiro e montagem de Heidi Saman, o curta-metragem tem fotografia de Dawn Chenette e no elenco as atrizes Samar Abdel Wahib e Farah Yusut. Heidi Saman já dirigiu também Walkers/Drivers, em 2006, Pears, em 2005, e Morning Tea, em 2003.

Outro filme de país árabe, da Argélia, também fez parte da programação do festival, mas teve sua última exibição ontem. O curta se chama "É domingo" ou "Cést Dimanche!" e é uma co-produção de Argélia e França, do ano passado. O enredo centra-se na história de Ibrahim, de 13 anos, que, cansado da escola, faz seu pai acreditar que já obteve o diploma.

No ano passado, filmes árabes também fizeram parte da mostra internacional. Entre eles estavam produções do Marrocos, Tunísia, Palestina e Iraque. O festival não tem caráter competitivo, mas os curtas-metragens passam por uma triagem antes de integrarem a grade e há uma série de premiações de incentivo dentro das diferentes seções do festival.

O festival reúne curtas premiados internacionalmente e tem também uma parte dedicada às produções brasileiras. Há um espaço de exibição apenas para os brasileiros, outro para os latino-americanos e outro ainda dentro de temas específicos como trabalho, França e mesmo vários filmes de um só diretor, como o argentino Gustavo Taretto. Também há exibição de curtas-metragens infantis.

Além das salas de cinema de São Paulo, a programação está no Rio de Janeiro, Recife e no interior de São Paulo, nas cidades de Jundiaí e São Carlos. O filme egípcio "A empregada" vai ser exibido hoje (26), no CineSesc, às 18 horas, em São Paulo, e também na quinta-feira (28), às 15 horas, na Cinemateca da Sala BNDES.

Dica de Filme: Eu, um negro (Jean Rouch, 1959)

terça-feira, 15 de julho de 2008

Quando os irmãos Lumière inventaram o cinematógrafo, a impressão de imagens tinha uma função científica, tecnológica. O documentário e a ficção não eram gêneros separados, como se procuraram fixar ao longo da história do cinema. Por isso que os filmes que fizeram evoluir a linguagem cinematográfica sempre tenderam à dissolução dos gêneros e das linguagens. Um filme é sempre um documentário de seu estado histórico, de seu tempo-espaço.

Com o advento do Som, em 1929, o cinema sofreu uma das suas grandes viradas tecnológicas. Como arte tecnológica que é, o cinema sempre passou por essas transformações, e, a partir disso, pôde evoluir sua linguagem, seus conceitos. Até então, o cinema, mesmo sonoro, não possuía sincronismo entre a imagem e o som. Os filmes eram apenas dublados e os documentários não possuíam entrevistas o que para muitos cineastas era limitador.

Não para Jean Rouch, cineasta e antropólogo francês, que fez vários filmes na África desde que foi pela primeira vez como engenheiro. Começou a conhecer profundamente o povo africano e procurou, junto a esse povo, criar filmes que pudessem identificar sua cultura, religiões, linguagens. Em 1959, na antiga Costa do Marfim, hoje Gana, Rouch propôs a um grupo de jovens um filme. Eles vinham do Níger, procurando emprego, e Rouch os acompanharia durante um ano para fazer um documentário. Eles perguntaram a Rouch: "Por que não fazemos um filme de verdade?". "O que é um filme de verdade?", respondeu Rouch. "Um filme como os filmes americanos". Nasce aí, um dos filmes mais importantes do cinema. Um filme que libertou outros todos, pois mostrou que da possível não-relação entre a Imagem e o Som, pode nascer um discurso. O cinema não é teatro filmado.

Eu, um negro (1959), portanto, explodiu as fronteiras do documentário e da ficção. E para a área da Antropologia, incutiu o conceito de Rouch, de antropologia compartilhada.



Como a imagem e o som não eram sincronizados, Rouch filmou seqüências dos jovens. A partir daí, eles improvisaram os diálogos sobre as imagens e reinventaram suas performances a partir da dublagem. Eles se chamavam como astros do boxe e do cinema americano. O principal, Edward G. Robinson, chamou-se do nome de um dos maiores atores de filmes de gângsteres do cinema americano. A influência do imaginário do cinema americano transparece. Apesar disso, vemos e ouvimos, toda uma visão de mundo: sua relação com a vida, com o dinheiro, com as mulheres, com os amigos, com o trabalho. Rouch compartilha e respeita, dentro do filme, essa visão. A politização da experiência do personagem principal é evidenciada na sua fala. A sua fala é o filme, enquanto a poesia das imagens ajuda a criar essa relação.

Quando o som irrompeu na história do cinema, inúmeros cineastas e teóricos temiam a morte do cinema. Desde seu nascimento, criou-se todo um conceito de se contar histórias a partir e unicamente das imagens; tanto que alguns cineastas, como Murnau e Eisenstein, refletiram e criaram a partir disso. Eisenstein pensava que o som nunca poderia ser complementar à imagem, porque esta perderia sua potência. Escrevia que o som apenas poderia ser contraponto, pois, a partir daí, uma imagem e um som, não condizentes entre si, esse choque, poderia causar sentidos. Rouch, em outra chave, buscou isso.

Inclassificável, Eu, um negro nos mostra, então, a afirmação de um ser humano em seu estado histórico-social sob um mundo violentado por um sistema político-colonizador. Não é à toa que o país mais poderoso do mundo faz com que vivamos com seus filmes, séries de tevê, costumes, linguagens e ideologias. Este filme é uma luta contra o pressuposto, óbvio, que, neste mundo, colonizar é impor Imagens.

Leonardo Barbosa Rossato é graduado e mestrando em Imagem e Som pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)
 

Dica de site: Cinema sobre Direitos Humanos

Será que vamos ter a amostra 2008?
 
"Sob a curadoria do cineasta Giba Assis Brasil, foram selecionadas produções sul-americanas que trazem closes sobre os muitos temas contidos na Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU. Esse documento histórico, incomparável como síntese de um projeto civilizador para toda a humanidade, faz aniversário em 10 de dezembro e completará 60 anos em 2008."
 
 
Lista de filmes
 
 
 
Enjoy it!

'O Segredo do Grão' retrata a vida de imigrantes árabes na França. O drama, do diretor tunisiano Abdellatif Kechiche, está em cartaz em São Paulo e no Rio de Janeiro.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Divulgação Divulgação

Slimane e sua enteada Rym

São Paulo – O "Segredo do Grão", longa-metragem do cineasta tunisiano Abdellatif Kechiche, retrata a vida íntima e familiar de um operário árabe do estaleiro do porto de Sete, na França. No filme, em cartaz em São Paulo e no Rio de janeiro desde a última sexta-feira (11), o protagonista Slimane Beiji tem 60 anos de idade e divorcia-se após anos de casamento. Sem emprego e sem salário, ele é obrigado a continuar próximo da família, sempre precisando de ajuda. Slimane bem que gostaria de se aposentar, mas não há a menor possibilidade. Depende dos ganhos de seu trabalho para levar a vida, ao lado da segunda mulher, Latifa (Katika Karaoui), e sua enteada, Rym (Hafsia Herzi).

Seu grande projeto é abrir um restaurante, o que parece ser um sonho muito distante. Mas, pouco a pouco, a família se une em torno desse projeto, que se torna para todos o símbolo da busca de uma vida melhor. A meta de todos passa a ser reformar um velho barco e transformá-lo num restaurante flutuante. Graças a seu senso de "como se virar" e a seus esforços, o sonho deles vai em breve se tornar realidade. Ou quase.

A produção, filmada na França em 2007 já coleciona 12 prêmios em festivais europeus. No Festival de Veneza 2007 levou o Prêmio Especial do Júri e o Prêmio Atriz Revelação, para Hafsia Herzi. No César 2008 foram quatro prêmios: Melhor Diretor (Abdel Kechiche), Melhor Filme Francês, Melhor Roteiro Original e Melhor Atriz Revelação, também para Hafsia Herzi. No Lumière 2008 faturou os prêmios de Melhor Diretor (Abdel Kechiche) e Melhor Atriz Revelação (Hafsia Herzi). Já no Étoiles d'Or 2008 faturou como Melhor Diretor (Abdel Kechiche), Melhor Atriz Revelação (Hafsia Herzi), Melhor Filme e Melhor Roteiro.

"Eu parti de uma fantasia popular, do tipo de história que se conta em projetos, o mito daqueles que 'fizeram' ou, em outras palavras, aqueles que escaparam à moderna escravidão representada por uma situação profissional precária, criando seu próprio negócio. E queria tratar o assunto com certa ironia, conduzindo a história por meio de uma narrativa típica dos contos. É uma história de aventura, onde a dimensão humana das personagens, mesmo quando em grupo ou numa ação forte, como acontece na segunda parte, constitui o tema central. Mesmo que eu me concentrasse em manter o foco na ação, cujas dimensões simbólicas e eufóricas são muito importantes para mim, paradoxalmente, era fundamental deixar livre o curso das digressões que poderiam surgir na narrativa, como o simples prazer de contemplar os eventos cotidianos de um drama familiar", diz o diretor, em nota.

"No final, é essa dimensão que mais interessa. Chegar perto das personagens, que eu tanto amo, e mostrar pequenas coisas do dia-a-dia. Por isso tive que adotar um ritmo narrativo singular. Geralmente, uma ação não permite que se permaneça muito tempo numa coisa só, mas uma refeição familiar de verdade ou o início de uma emoção demonstrada no rosto de qualquer pessoa precisa de tempo para acontecer", diz o tunisiano.

"O casamento entre a dimensão novelesca e o retrato fiel das personagens e seu ambiente é crucial para mim. Em parte porque eu pertenço ao meio descrito e estou envolvido emocionalmente. Mas, mais importante, eu queria mostrar todas as complexidades dessa família franco-arábica, em que todos estão profundamente envolvidos com a abertura do restaurante familiar, e, portanto, olhando para o futuro sem negar sua identidade. Para mim, foi importante fazer uma defesa franca e enérgica pelo direito de ser diferente, sem cair na armadilha estigmatizante e redutora da representação exótica. Uma linha tênue e essencial pela qual sou particularmente inclinado, devido ao meu olhar emocionalmente investido", complementa Abdellatif Kechiche, em nota divulgada pela distribuidora do filme no Brasil.
Divulgação Divulgação

A família se une em torno do projeto de Slimane


Ficha técnica

Título original: La Graine et le Mulet
2007, França, 151 minutos
Gênero: Comédia dramática
Direção: Abdel Kechiche
Roteiro: Abdel Kechiche
Produção: Claude Berri
Fotografia: Lubomir Bakchev
Edição: Ghalia Lacroix
Distribuição nacional: Imovision

Elenco
Habib Boufares, Hafsia Herzi, Faridah Benkhetache, Abdelhamid Aktouche, Bouraouia Marzouk.

TV Série - Three young Arab men (Egyptian, Saudi, Jordanian, and Lebanese) traveling across America in an RV with an American film crew.

sábado, 5 de julho de 2008


 
 
Imagine um reality show com quatro jovens vindos do Oriente Médio atravessando os Estados Unidos a bordo de um carro - só que substitua as festas, farras e brincadeiras típicas de programas do gênero por uma preocupação em conhecer o povo americano mais a fundo. Assim é "On the Road in America", novidade da MBC, emissora de TV a cabo da Arábia Saudita.

"On the Road in America" é produzido por Layalina, organização sem fins lucrativos amparada por políticos influentes dos Estados Unidos. O objetivo do programa é o de tentar combater os estereótipos negativos dos americanos junto ao público do Oriente Médio. Para isso, três homens e uma mulher - o egípcio Ali Amr, o saudita Sanad, o libanês Mohammed e a palestina Lara - viajaram por dez semanas pelo país e se encontraram com políticos, artistas, líderes religiosos e também com pessoas nada conhecidas em sua jornada.

Segundo matéria publicada no site AZCentral, ao contrário do que se possa pensar, o programa não é uma exaltação aos Estados Unidos, mas sim um espaço em que os quatro protagonistas fazem comentários negativos e positivos sobre os americanos, a relação com eles e as experiências que viveram por lá. A crítica aos valores ianques está presente - por exemplo, em um episódio Lara afirma sua simpatia pelo grupo Hezbollah durante uma entrevista de rádio em Washington.

O criador da série, Jerome Gary, fez questão de escolher os participantes com a preocupação de selecionar jovens que não tivessem qualquer fascínio sobre os EUA mas que também tivessem a curiosidade de visitar o país.

Nos dois últimos episódios dos 12 de "On the Road in America", os participantes voltam aos seus países para contar o que viram. Antes de participar do reality show, Amr não gostava dos Estados Unidos e tinha medo de ser discriminado por lá. De volta à sua cidade, Cairo, ele conta que tem uma nova opinião: "Minha imagem dos EUA mudou. E espero que o programa estreite as relações entre os dois povos".

Jerome Gary, o criador, parece concordar -  e está tentando encontrar uma emissora para distribuir e exibir o programa também nos Estados Unidos.

"Há um mal entendido colossal entre árabes e americanos, e eu quero que eles se resolvam", concluiu.
 
 
Site official da Série
 
 

Dica de Filme: "A Banda": convivência possível


À margem do conflito árabe-israelense existe um mundo de pessoas simples, cuja identidade se fixa através dos traços de uma identidade comum a qualquer povo. Ao seu redor há, além disso, outros pontos e semelhanças que se desvendam ao longo de uma convivência de fácil assimilação. Em seu filme "A Banda", o diretor Eran Kolirin o confirma ao longo dos 90 minutos que põem lado a lado egípcios e israelenses, por meio de uma situação inusitada. A Banda da Polícia de Alexandria vem a Israel se apresentar na inauguração de uma praça na região árabe e se perde a caminho do lugarejo, indo parar numa cidadezinha no meio do deserto. Ali predomina o estranhamento, o isolamento, a falta de perspectiva, configurados nos prédios padronizados, adornados por plantas e lagos artificiais. E seus moradores parecem saídos das folhas de uma planta de engenharia, com pontos de movimento bem identificados.

É sobre esta planta, digamos assim, que os personagens irão se deslocar, enquanto a situação kafikaniana os envolve, sem lhe dar chance de interagir, ainda que tentem fazê-lo. Pensa-se, a todo instante, que a hospitalidade termine em mais um conflito em si já milenar. Ou que num dado instante chegue à polícia e devolva os oito integrantes da banda ao aeroporto e de lá à Alexandria. Fosse assim, o israelense Eran Kolirin terminaria por atender às expectativas do espectador e transformaria seu filme num amontoado de clichês. Ele o evita através de entrechos que desmontam cada expectativa. A começar pela abertura, simplesmente atordoante, daqueles homens em farda azul claro, com seus quepes e postura militar parados na entrada do prédio do aeroporto à espera de alguém que os leve a seu local de exibição. E nada acontece.

Personagens sintetizam visões das desconfianças entre os dois povos

Este estranhamento do espectador e dos músicos é dado ainda pela ausência de movimento no aeroporto. Apenas um automóvel chega para pegar uma jovem e esta embarca, sem que possam com ela trocar palavra alguma. Tudo lhes é estranho, o vazio e o alheamento se impõem de uma maneira que se pensa que embarcarão de volta, dada a falta de um guia que os leve a seu destino. Eles, entretanto, ali estão não só para o concerto como para honrar as determinações de seu comando. Então, surge a figura imperial, do regente e comandante, o coronel Tewfiq (Sasson Gabai), com suas instruções, seguidas a contragosto pelo trompetista Khaled (Saleh Bakri), espécie de crítico da rigidez de Tewiq, mais interessado em conquistar as nativas que localizar o local para onde irão. O conflito entre os dois dará, a partir daí. O tom entre o velho e o novo, o moderno e o antigo, em termos culturais e comportamentais.

Este aparente conflito simboliza, por outro lado, visões correntes das relações árabes-israelenses. Enquanto Tewiq quer, a todo custo, manter a disciplina de seus comandados, mantendo-os distantes do estreito contato com os israelenses, Khaled, pelo contrário, busca com eles se relacionar, sem se importar com as restrições. Não os vê como inimigos ou alguém a quem se deva evitar, de modo a escapar ao confronto ou mesmo ao constrangimento.  Não se pode esquecer que a banda, mesmo sendo musical, faz parte de uma corporação militar, e Tewiq, como seu regente-comandante, é obrigado a manter a situação sob controle, dadas às circunstâncias criadas pela guerra entre os dois povos. Um clima explicitado por seu comportamento e as reticências dos demais integrantes do corpo musical, cautelosos na abordagem dos poucos israelenses que encontram na desolada cidadezinha.            

Israel é enclave dos EUA e CE no Oriente Médio    

Esta antevisão das hostilidades de parte a parte  mostra o quanto elas se entranharam no comportamento de dois povos que convivem no Oriente Médio ao longo de milênios e ainda não superaram suas históricas contradições. Pelo contrário, são submetidos, cada dia mais, à manipulação norte-americana e européia como parte da estratégia de manter Israel como enclave militar na região, garantindo, desta forma, o controle das reservas, exploração e distribuição de petróleo. O que é feito às custas da destruição paulatina do território e do povo palestino, da ocupação do Iraque e da desestabilização do Líbano. E, ainda que desde os Acordos de Camp David, durante o Governo Carter, haja uma relação de tolerância entre Egito e Israel, a precaução de Tewiq bem traduz os ânimos que predominam entre os dois povos. Qualquer deslize pode significar a explosão de um confronto de difícil contenção.                  

Quando ele se antecipa aos subordinados para abordar os israelenses, o faz mais como comandante na plenitude de sua autoridade. Uma autoridade percebida pelos que o atendem; intrigados com a súbita aparição de músicos de uniforme em pleno deserto. O diálogo entre ele, Tewfiq, e Dina (Ronit Elkabetz), a dona do restaurante, é uma daquelas perólas que o cinema raramente oferece ao espectador. Eles tentam se comunicar, mas toda uma barreira histórica se estabelece. As frases, emitidas pela metade, dizem menos que os gestos, as entonações de ambos. De Tewiq para se fazer entender, sem criar qualquer desconfiança, de Dina para captar as intenções de alguém vindo de muito longe, que se encontra num país estrangeiro e, ainda por cima, distante de onde deveria realmente estar. Uma sensação que vai aumentando à medida que a situação kafikaniana se completa. Nada se encaixa.

Dina incentiva Tewfiq a aderir à sua fantasia

O que se segue é uma série de situações hilariantes, bizarras e, por que não, sintomáticas de dois povos que, antes de se entender, desconfia um do outro. Enquanto, Tewfiq mantém sua compostura diante de Dina, temendo se descontrair e se permitir instantes de fraqueza, Khaleb explora espaços, desvenda comportamentos e passeia pela cidade, depois de fazer amizades. Comportamentos que revelam pontos de identidade entre Tewfiq e Dina. Solitários, carentes, fechados em si, precisam se expor para manter a sanidade. Ele, centrado, o faz através da rigidez, ela por meio da descontração, das indiscretas perguntas, que o sensibiliza, beirando às confidências, para logo se reerguer, pois logo tudo aquilo será apenas memória. Espécie de realidade fugidia a ser substituída pela fantasia, quando trocam confidências em plena madrugada. Então  ela o desafia a ver para além da praça, onde se encontram. O imaginário de regente está por demais apegado a compromisso para se permitir divagar e viajar por espaços da fantasia.
                   

Por momentos, esta bela seqüência remete o espectador à cena do jovem Fellini, em "Amarcord", encontrando Magali Noel, em meio à neve, e recordando a paixão que por ela nutria. Mas Tewfiq trás dentro de si muito de história e de dor para aceitar a charada que Dina lhe apresenta. Há uma barreira intransponível entre ambos, ainda que ele, por momentos, admita que errasse em sua relação familiar e avança mais do que ela esperava. Isto é, no entanto, tudo que ele deixa escapar. Logo regressa à sua normal rigidez. Não menos significativa é a perambulação de Khaled pelos espaços padronizados da cidadezinha. Ao contrário de Tewiq, ele está aberto ao diálogo, à amizade, não tem as reservas de seu regente. E se entende com os jovens e os incentiva há descobertas insuspeitadas para ambos. Aqui uma forma de Kolirin expor a identificação entre a geração mais jovem, despida das resistências e desconfianças milenares, e suas desconfianças da geração mais velha, configurada em Tewfiq. Eles, os jovens, não se questionam; não se distanciam um do outro, se amparam um no outro, como se disso necessitassem.

Música facilita identificação entre árabes e israelenses 

Percebe-se que, livre das estratégias imperialistas, da transformação de Israel em enclave militar no Oriente Médio, a convivência entre árabes, incluindo palestinos, e israelenses seria possível. A conversa entre o compositor da banda (Khalifa Natour) e o israelense desempregado que o hospeda reforça esta impressão. No quarto onde dorme o filho do casal, este último comenta a situação em que se encontra e sua relação com a mulher. Deixa o quarto e o compositor fica diante do berço onde o filho do desempregado dorme. Percebe-se, sem o recurso do flashback, que ele também tem um filho. São instantes que revelam a possibilidade da solidariedade, da amizade e da convivência pacífica entre os dois povos, ainda que a realidade o desminta a cada minuto. 

As diferenças entre ambos são deixadas de lado, quando os integrantes da banda e os moradores da cidadezinha se encontram. Vários elos os unem. Um deles a linguagem universal, traduzida pela música, que a todos fala; indo do clássico, ao jazz, passando pelo rock, como se nada mais precisasse. Algo os faz dialogar. A voz de Chet Baker, em "My Funy Valentine", cria o clima íntimo entre Tewifq, Khaled e Dina, os acordes do concerto que o compositor produz, o faz amigo dos que o abrigam. Às vezes, esta identificação se reflete na falta de comunicação e na solidão que predomina nas várias gerações representadas no filme. À exemplo da cidadezinha em pleno deserto, todos esperam por algo para além do cotidiano. Khaled o percebe ao estar na quadra de skate. Enquanto um dos casais se diverte, outro se distancia, nem mesmo a música os aproxima. O jovem Pepi tenta escapar ao namoro com a garota por ele apaixonada; Khaled vê nisto apenas timidez, inexperiência, não uma recusa. A maneira como os faz contornar a incomunicabilidade é digna de se ver: talvez alguém a condene, outros a achem normal.                         


Ganchos criados ao longo do filme não se fecham               

O importante nestes pequenos entrechos, é que os elos não se fecham. Os ganchos criados pelas situações se desmancham. As expectativas não se completam. Os encontros e as relações são tão fugazes quanto o que eles representam: uma passagem da Banda da Polícia de Alexandria pela cidadezinha, no meio do deserto israelense. Nada mais. O clima kafikaniano inicial, que se prolonga por várias seqüências também não permanece. O único dos nós a permanecer é o da manutenção da rigidez e o comportamento centrado de Tewfiq, que não se altera. Torna-se mais tolerante com Khaled, por um detalhe significativo que a ele não se submete, e entende que, afinal, o jovem músico encontrou, mesmo fugazmente, o que buscava a noite toda.  E as distâncias, porquanto a hospitalidade dos moradores as contrarie, não são tantas que não possam conviver por uma noite, com aqueles que teoricamente são seus inimigos.
                           

Com a "A Banda", Kolirin foge ao relato do conflito bélico árabe-israelense, tão comum em obras de seu compatriota Amos Gitai, tornando seu filme um manifesto pela tolerância e a superação das diferenças. Mesmo que durante seus 90 minutos se tenha a impressão de que uma bomba logo explodirá. O que em nada diminui a força de sua obra, reforçada pela bela fotografia de Shai Goldman e a brilhante interpretação de Sasson Gabai, que torna o coronel-regente um personagem que trás dentro de si todo histórico do confronto entre árabes e israelenses. Um daqueles filmes que se deve assistir como lição de cinema e de exposição de relações complexas traduzidas na linguagem direta do cinema, sem exploração emocional. Kolirin quando a ação resvala para o emocional, corta para a fantasia e desta para a contradição, não deixando espaço para o espectador perder de vista que se trata de uma obra sobre o conflito árabe-israelense, ainda que em nenhum momento se faça menção a ele. Afinal, os integrantes da Banda Policial de Alexandria são egípcios.

 

"A Banda" ("Bikur Há-Tizmoret)". Israel, 2007, 90 minutos. Fotografia: Shai Goldman. Roteiro/Direção: Eran Kolirin. Elenco: Sasson Gabai, Ronit Elkabetz, Saleh Bakru, Khalifa Natour.

(*) Festival de Cannes 2007: Prêmio da Crítica Internacional, Prêmio da Juventude, Prêmio Coup de Couer.

 

Artigo de Cloves Geraldo*
http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=39874

Bastidores da produção no Egito, do filme 'The passenger', bancado pelo ministro da cultura.

Um grupo heterogêneo de estrangeiros –professores de língua inglesa, estudantes de árabe e até mesmo um jornalista– reunido em uma noite fria recente, na cidade portuária egípcia de Alexandria. Juntos pelo amor ao cinema, pela curiosidade e pelo desejo furtivo de flagrar uma olhadela de Omar Sharif.

Foto: Paul Schemm/AP
A atriz libanesa Cyrine Abdelnour nos bastidores das filmagens de ''The passenger''
(Foto: Paul Schemm/AP)

Glamour, entretanto, estava em falta para o nosso grupo de extras de cinema. Esperando por horas em nossos figurinos da década de 40, nós relaxávamos no elegante bar de um luxuoso hotel, comendo lanche frio do McDonald's e esperando para filmar uma cena de cinco minutos em uma sala de jantar. Os atores principais ainda tinham que aparecer.

Mesmo assim, era uma oportunidade única, a que eu tinha buscado durante a década em que vivi no Egito –especialmente desde que essa produção vem sendo anunciada como o renascimento do cinema egípcio.

"Tha passenger" tem um elenco cheio de estrelas egípcias, liderado por Sharif em um retorno ao cinema egípcio após 15 anos de ausência. O filme vem sendo anunciado pelo ministro da cultura Farouk Hosni como um "retorno à era dourada do cinema". É o próprio ministro que está bancando a produção, pela primeira vez que isso é feito em 30 anos, num esforço de motivar a debilitada reputação daquilo que conhecemos como A Hollywood do Oriente Médio.

O Egito tem umas das mais antigas indústrias de cinema da região. Há 50 anos, produzia filmes equiparados aos de Hollywood. Mas nas últimas duas décadas, veio decaindo, lançando juntas comédias mal-feitas e melodramas exagerados, com produções pobres.

"No Oeste, o filme tem uma grande posição, e costumava ser da mesma forma aqui, nos anos 40 e 50. Até que algo aconteceu e isso se transformou, não sei por que, economia de segunda classe", afirmou Amr Waked, um dos atores egípcios, que também aparece em "The passengers". Ele é mais conhecido para espectadores estrangeiros como o líder terrorista do filme "Syriana" (2006), de George Clooney.

Críticos têm responsabilizado o declínio do cinema egípcio a uma série de fatores. O crescente conservadorismo islâmico transformou os filmes em desonrosos, enquanto, ao mesmo tempo, a fonte de recursos secou.

O ministro da cultura espera que, em retorno a seu trabalho de financiar o cinema –forma usada em muitos países–, o filme "The passenger" também possa mostrar qualidade. O longa é um épico que reúne várias gerações, passado em 1948, 1973 e 2001, e o diretor estreante Ahmed Maher levou um ano para rodá-lo.

"Houve a necessidade de capturar as coisas certas, não importa quanto tempo levasse nem quantas vezes precisasse ser repetido. Diferentemente de outras produções egípcias, nos quais muitas vezes eram aceitas concessões para serem finalizadas rapidamente", diz Waked.

Foto: Paul Schemm/AP 
Paul Schemm/AP
Figurantes estrangeiros se preparam para entrar em cena, no caminhão improvisado como camarim
(Foto: Paul Schemm/AP) Bastidores e ação

O caprichado processo ficou muito claro em nossa cena, naquela noite, assim que as duas dúzias de estrangeiros –da Inglaterra, dos EUA, da França, de Porto Rico, da Alemanha e da Suécia– foram transformados em personagens de um jantar do pós-guerra em um cruzeiro de luxo.

Caminhões estacionados do lado de fora do hotel onde as cenas estavam sendo filmadas serviram de sala temporária de maquiagem e camarim. No clarão das luzes, cabeleireiros trabalhavam para alisar e encaracolar os cabelos de cada uma das atrizes extras, todas elas usando elegantes vestidos de bailes.

Fui escolhido para ser um garçom. Infelizmente, eu não teria a chance de contracenar com Sharif. Ele apareceria apenas nas cenas passadas em 2001 e minha breve aparição em um terno branco era meio século antes disso. A cena foi rodada em um luxuoso hotel que serviu como residência para a família real egípcia. O restaurante foi usado como a sala de jantar do navio e Maher tirou os avisos de não fumar que inadvertidamente haviam sido colocados sobre as mesas.

Antes da cena, o diretor, que passou anos na Itália, conversou em italiano com o diretor de fotografia, Marco Oronato, cujo filme "Gomorra" recebeu recentemente o Grande prêmio no Festival de Cannes. Assim, quando a filmagem finalmente teve início, à 1h da madrugada, Maher gritou no set a versão egípcia para "luzes, câmera, ação": "Doh! Tasweer! Action!".

A câmera roda em volta do casal principal: o ator egípcio Khaled Nabawy, que apareceu em "Cruzada" de Ridley Scott, sentado em frente à diva libanesa Cyrine Abdelnour. Nabawy interpreta um carteiro de classe baixa que intercepta cartaz entre Abdelnour e seu namoradinho de infância, por quem se faz passar na tentativa de ganhar o coração dela. Eu, no meu papel de garçom, estava precariamente tentando equilibrar dois pratos no braço. Alguns minutos antes de eu aparecer em cena, um garçom de verdade do restaurante me mostrou como eu deveria carregar os pratos e a forma correta de servir vinho.

Atravessei o salão de jantar desesperadamente, tentando lembrar minha fala em inglês, "excuse me" e ao mesmo tempo parecer verdadeiro ao servir os clientes. Felizmente, a cena saiu mais ou menos sem falhas, apesar de eu ter soltado minha fala antes do combinado. Mas era apenas um ensaio, e tivemos mais "takes" adiante.

Horas mais tarde, estava tudo terminado. Mais uma cena finalizada. Restavam apenas mais algumas semanas de filmagens e a odisséia de um ano e meio para os atores estaria encerrada.

Fonte: G1

Egito promove primeira semana de cinema brasileiro

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Cairo – A primeira Semana do Cinema Brasileiro começa nesta sexta-feira (04) no Centro de Criatividade Artística da Ópera do Cairo e traz ao publico egípcio uma seleção de 15 grandes obras do cinema nacional. A mostra inclui clássicos como "Deus e o Diabo na Terra do Sol", de Glauber Rocha, "Cidade de Deus", de Fernando Meirelles, dramas como "Central do Brasil", de Walter Salles, e "Bicho de Sete Cabeças", de Lais Bodanzky.

O festival vai exibir também comédias românticas como "A Dona da Historia" e "A Partilha", de Daniel Filho, filmes históricos como "Guerra de Canudos" e "Mauá – O Imperador e o Rei", de Sérgio Resende, e até um tributo ao Rei do Futebol com "Pelé Eterno", de Aníbal Massaini Neto.

A mostra permitirá ao espectador egípcio um melhor contato com a vida, arte, cultura e história dos brasileiros. O evento é promovido e organizado conjuntamente pelo Ministério da Cultura do Egito e pela Embaixada do Brasil no Cairo. "Já há muito tempo temos vontade de organizar um evento cinematográfico desse porte com o Brasil, mas não houve oportunidade", disse Abdel Moeti Kamel, diretor artístico da Ópera do Cairo.

Ele acrescentou que havia também receio de que o cinema brasileiro não despertasse muito interesse no público egípcio. "Hoje em dia a situação parece estar mudando um pouco e o público está dando um pouco mais de atenção para o que vem desta região do mundo. Por essa razão acredito que a Semana terá uma boa receptividade", afirmou Kamel.

A Semana de Cinema Brasileiro está criando uma grande expectativa junto aos jovens egípcios que olham cada vez mais para o país. "Temos muito sorte que esta semana começa depois de nossos exames de fim de ano e início de nossas férias de verão. Por isso poderei assistir o maior numero de filmes que puder", disse Heba Mohsen, de 20 anos, que acaba de terminar seu terceiro ano de Ciências Políticas na Universidade do Cairo. "Sou apaixonada pelo Brasil e por tudo o que vem de lá: musica, moda, futebol, tudo. Tenho também vontade de aprender português para poder entender o que dizem", acrescentou.

Heba conta que não é a única a se sentir desta forma. "Nos últimos dias, cada vez que menciono esta semana de filmes brasileiros, para um dos meus amigos e amigas, percebo que eles, que raramente prestam muita atenção ao que eu digo ou faço, de repente ficam atentos e me perguntam: 'ah é, onde vai ser? a que horas'", afirmou ela.

A mostra está criando uma grande expectativa também nos cinéfilos egípcios, dentre os quais muitos que já conhecem algumas das obras que serão apresentadas, como Cidade de Deus, Zuzu Angel ou Os Dois Filhos de Francisco, que foram exibidos na 30ª edição do Festival Internacional de Filmes do Cairo, ocorrido em novembro de 2006.

"Durante esta edição o cinema latino-americano estava sendo homenageado e por isso tivemos a oportunidade de assistir alguns filmes brasileiros. Mas essa não foi a primeira vez que eu entrei em contato com este cinema. Lembro de ter ficado impressionado ao ver o filme Cidade de Deus pela primeira vez numa visita a Paris há alguns anos. Gostei tanto dele que irei certamente revê-lo agora, aqui no Cairo. Na verdade pretendo não somente ver Cidade de Deus, mas muitos dos que estão no programa. Porque parecem ser todos muito bons", diz o advogado Fouad Fauzi.

Finalmente, no que diz respeito a critica egípcia, a semana de filmes brasileiros também desperta um grande interesse. "Infelizmente, até pouco tempo, raramente o público egípcio tinha acesso a filmes vindos desta região. O que é bastante injusto, pois, ao invés de consumirmos filmes americanos ou europeus, que abordam temas que pouco têm a ver com a vida e a cultura em nossa região, deveríamos olhar mais para a América Latina, pois culturalmente temos muito mais em comum com os povos desta região do que com os americanos ou com os europeus", afirmou Amr Ramzi, jornalista especializado em cinema do jornal Al Ahram, o maior do Egito.

Dica de Filme: Caramel (Caramel, 2007)

quinta-feira, 26 de junho de 2008




Da diretora libanesa Nadine Labaki, que interpreta também o papel principal. Um retrato sensível e interessante de uma das sociedades mais liberais e ocidentalizadas do Médio Oriente. Produzido com relativa liberdade, as vidas de mulheres, de várias gerações, vão se cruzando num salão de beleza em Beirute. Cada detalhe do filme tem um significado, uma história, costumes. Para quem gosta de cultura de países árabes é um prato cheio e de quebra na trilha sonora encontrará lindas músicas. Infelizmente o idioma é 90% francês, a meu ver, o árabe cairia melhor sempre. O filme parece ter o mesmo argumento do livro Vida Dupla, da Saudita Rajaa Alsanea. Mas aqui temos uma visão apaixonada e não vingativa. E interessa mais o comportamento feminino do que o masculino. Elenco: Nadine Labaki, Yasmine Elmasri, Joanna Moukarzel, Gisèle Aouad, Adel Karam, Sihame Haddad, Aziza Semaan, Fatmeh Safa, Dimitri Staneofski, Fadia Stella, Ismaïl Antar.

Marrocos terá festival de cinema africano

quinta-feira, 12 de junho de 2008

São Paulo - O Marrocos vai sediar, entre 19 e 26 de julho, a 11ª edição do Festival de Cinema Africano. Ele vai ocorrer na cidade de Khourigba. Cerca de 16 filmes, africanos, serão apresentados durante o festival.
 
O Grande Prêmio do Festival de Cinema Africano de Khourigba é uma homenagem ao escritor, realizador, ator e cenógrafo senegalês Ousmane Sembène. A informação foi publicada na agência de notícias africana Panapress.
 
Nascido em janeiro de 1923 em Ziguinchor, capital da província de Casamança, sul do Senegal, Ousmane Sembène contribuiu para fazer a África conhecer o seu próprio patrimônio cultural. Em 1966, ele lançou o seu  primeira longa metragem sobre a África Negra.
 

Filmes do Oriente Médio trazem retratos de lutas por novas identidades

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Na última semana de maio – de seu dia 27 a 1º de junho -, o Instituto da Cultura Árabe e o Centro Cultural São Paulo realizaram a 2ª Mostra Imagens do Oriente, uma seleção feita pelos curadores Massoud Bakhshi, cineasta, e Arlene Clemesha, historiadora, de filmes produzidos em países do Oriente Médio. Em destaque, produções iranianas, palestinas, paquistanesas e sírias que traziam um mergulho profundo em questões sociais médio-orientais.

No segundo dia, após a sessão do palestino "Faixa de Gaza", quatro diretores iranianos convidados debateram a atual produção no Irã, mas que de alguma forma podem nos dar alguma idéia de um sentimento geral que se espalha por toda a região, incluindo alguns países árabes. Os relatos de Mohammad Afarideh, Ali Mohammad Ghassemi, Abolfazl Saffari e Massoud Bakhshi mostraram como funciona a produção iraniana, baseada em um pesado incentivo do Estado. Além disso, deu a oportunidade de conhecermos uma jovem safra de diretores que desenvolvem novos caminhos e estilos. Eles deixam aos poucos a herança de um nome como o de Abas Kiarostami, diretor que ganhou a cena mundial com filmes como "Gosto de Cereja" e "Dez", e desenvolvem um novo olhar por trás das câmeras do Irã.

EM BUSCA DA IDENTIDADE DEVASTADA

Bakhshi enxerga um movimento mais geral dentro das artes dos países do Oriente Médio. "Hoje, após o 11/9 setembro, a região como um todo está buscando a sua identidade".

Uma mostra disso foi o filme de Ali Ghassemi, exibido no fechamento da mostra, "Escrevendo na Terra", destaque em festivais internacionais e que fez sua estréia na América Latina na mostra realizada pelo Icarabe. O filme é uma reflexão sobre o fundamentalismo religioso que assola o mundo como um todo, e que pode ser visto em diversas manifestações. 'Eu sou a agonia de Deus' foi uma das frases que apareceram no longa de Ghassemi.

Na história, um homem perde a mulher no nascimento do filho, que vem à luz natimorto. Diante dessas angústias, procura as respostas na violência. "É uma pessoa que acredita que foi selecionado por Deus e que, pelo seu sofrimento, deve matar crianças que podem vir a pecar. Ele pensa que está ajudando a Deus, quer uma sociedade mais limpa. Ele acredita que seus familiares morreram pela má conduta da sociedade", explica o diretor.

O filme levou quatro anos para ser terminado, pois a história foi ganhando os seus contornos finais à medida que era editada. Depois da filmagem de quatro meses no norte do país, próximo à fronteira com o Azerbaijão, o trabalho mais pesado ficou com a montagem do áudio. E nesse tempo, o olhar do diretor sobre a narrativa mudava.

Bakhshi, produtor do filme, explica que não era vontade de Ghassemi que o fundamentalismo entrasse como parte central da narrativa, mas após o 11/9 e a invasão do Iraque isso foi inevitável. Ghassemi completa que chegou a um ponto em que "queria de fato discutir esses assuntos, criticar e refletir sobre o fanatismo do qual nosso país é acusado".

No filme, ele não retrata nenhuma religião especificamente e procurou inventar rituais que não se relacionam especificamente a qualquer crença. Um filme com poucos diálogos que torna-se uma experiência sensitiva, uma viagem por uma crítica que o diretor não se esquivou de fazer, uma profunda reflexão sobre algo que torna-se essencial ser percebido para que a contemporaneidade seja entendida.

E O FILME SOFREU CENSURA DO GOVERNO IRANIANO?

A pergunta acima não se aplicou apenas ao filme de Ghassemi, mas foi feita em qualquer oportunidade em que o debate era aberto ao público. Os filmes sofrem censuras? Como é tratada a sexualidade na cinematografia iraniana? Mohammad Afarideh fez questão de explicar: "antes de falar sobre a sexualidade nos filmes iranianos, gostaria de dizer que as relações humanas no Irã têm uma coloração diferente, têm uma forma diferente de serem vistas pelas pessoas. Quando vejo um filme brasileiro, também tenho uma série de perguntas e dúvidas a respeito do Brasil". Bakhshi completa: "acredito que a dificuldade é que os filmes iranianos e os filmes árabes apresentam uma ótica oriental, diferente do que um ocidental mostraria em determinada situação".

Afarideh, responsável pela primeira das respostas, é, desde de 2001, o diretor do Centro de Cinema Documentário e Experimental do Irã (o Defc, em sua sigla inglesa) e dono de uma carreira consolidada dentro dos mecanismos de produção iraniana. Produziu, dirigiu e lecionou em escolas de cinema do país, que hoje oferece, para um jovem iraniano, quatro grandes universidades onde pode se adquirir uma graduação completa de cinema, além de outras escolas locais nas principais cidades que disponibilizam formação em um nível não acadêmico. De 1997 a 2001, ele foi diretor do IYCS, o Centro de Cinema Jovem do Irã, onde produziu 700 curtas.

Além da experiência, é o responsável por bater o martelo para a realização prática de idéias que estão apenas no papel. "Eu sou o responsável por olhar os roteiros de jovens cineastas iranianos e decidir o que será feito e o que não será feito. Agradeço pela oportunidade de estar em seu país, inclusive porque me afasto um pouco e ganho férias dos insistentes pedidos que me são feitos".

O Irã produz anualmente algo em torno de 2200 filmes por ano, entre 120 ficções longa-metragens em 35mm e 2000 curtas, entre documentários, animações, e filmes de estudantes e amadores.

Um dos principais problemas que os filmes sofrem no Irã não é exatamente a regulação estatal, mas um limite de distribuição e imposições do mercado, que impedem que grande parte da produção seja exibida para uma grande massa de espectadores. Massoud revela que o filme de Ghassemi não foi exibido no Irã. "'Escrevendo na Terra' é um filme que não tem mercado para um grande público, por isso os distribuidores não o pegam".

O público não desiste. E a imagem que chega até nós de uma sociedade oprimida? Ghassemi oferece uma outra imagem, a sua visão, a visão de um iraniano que vive dia após dia no Irã. "Exemplo: o sexo jamais será mostrado de forma explícita, pois isso é uma característica de nossa religião, não tem nada a ver com o governo".

Mas há um meio-campo a ser feito entre autoridades e cineastas. Isso feito é por instituições como o Defc e o IYCS, que, segundo Bakhshi, são semi-governamentais e têm metades de suas receitas provenientes do governo. Além disso, há uma fundação governamental de cinema, a Farabi Foundation, que banca de 30% a até 100% de uma produção. O restante do capital é captado de forma independente.

Mas, de novo a pergunta, e o governo, que banca parte da produção, proíbe, censura? "Há uma pessoa que faz essa ligação entre o governo e os jovens cineastas. Os cineastas fazem seu roteiro, tratando dos mais diversos assuntos, como homossexualidade ou drogas. Eles colocam como querem. A função da pessoa dirigente é repassar e explicar ao governo de uma forma que ele queira ouvir".
 
 
por Arturo Hartmann

2ª Mostra Internacional de Filmes do Oriente

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Muito bonito o site da "2ª Mostra Internacional de Filmes do Oriente"
Informações Gerais

27 de maio a 01 de junho de 2008 - Centro Cultural São Paulo

Sala Lima Barreto (110 lugares) - entrada franca
Bilheterias começam a disponibilizar ingressos uma hora antes das sessões
(1 ingresso por pessoa).
(Suporte DVD, Betacam SP, 35mm)

Instituto da Cultura Árabe - Icarabe
contato@icarabe.org
Tel: 5084-5131

Centro Cultural São Paulo
Rua Vergueiro, 1000 - Paraíso
Setor de Informações - 3383-3401/3402

Proposta
Imagens do Oriente se encontra em sua segunda edição, trazendo mais uma vez, a São Paulo, a produção cinematográfica de realizadores jovens, de diferentes países do mundo árabe e islâmico, não divulgados no Brasil, ou na América Latina. Reiteramos o objetivo de promover o conhecimento de diferentes aspectos das realidades de países, os mais variados, comumente associados ao chamado “Oriente”. Sejam eles árabes (do Oriente Médio ao norte da África), sejam eles islâmicos mas não árabes, como Turquia, Irã, Paquistão, Indonésia, entre outros. Afinal, quem consegue definir onde está o “Oriente” a não ser na nossa própria imaginação?
Suas realidades, suas culturas - antigas, ricas e diversificadas - são muitas vezes mistificadas, deturpados, generalizadas. Como conseqüência, os povos mais variados, mas particularmente os árabes, sejam eles cristãos, islâmicos ou ateus, são facilmente rotulados e estigmatizados.

Por esse motivo, as imagens que procuramos exibir são expressões artísticas provenientes dos mencionados países.

Em geral, são filmes selecionados diretamente em festivais e centros de cinema do mundo árabe e islâmico, um estímulo ao conhecimento, ao debate e à desmistificação.

Imagens do Oriente, ICArabe (Instituto da Cultura Árabe)

Centro Cultural São Paulo prepara mostra 'Imagens do Oriente': Quarenta e dois filmes - produções da Jordânia, Líbano, Palestina, Síria, Paquistão e Irã

São Paulo – Nos territórios da Cisjordânia e Faixa de Gaza alguns jovens querem jogar futebol. Mas eles não têm liga permanente, espaço para treinos, não têm como competir nas disputas internacionais porque sua pátria, a Palestina, não é reconhecida. Longe dali, em Hollywood, um também palestino, ator, virou taxista e ganha a vida dirigindo enquanto relata as lembranças da sua terra. Essas duas histórias, e outras do Oriente Médio, principalmente da Palestina, vão estar nas telas do Centro Cultural São Paulo este mês.

A partir do dia 27 de maio até 01 de junho ocorre no local a mostra de cinema "Imagens do Oriente 2008". A história dos jogadores de futebol é um documentário de 86 minutos feito na Palestina e chamado "De Futebol e Sonhos". A do taxista se chama "Zigzigland", um filme de 92 minutos, premiado, baseado em casos verídicos, e realizado nos EUA e na Palestina. No total, 42 filmes serão exibidos. São produções dos países árabes Jordânia, Líbano, Palestina e Síria, além do Paquistão e Irã, que ficam na região, mas não são árabes.

Arlene Clemesha, uma das curadoras da mostra, explica que o foco da edição deste ano é a Nakba. A palavra quer dizer catástrofe, em árabe, e se refere à expulsão de 800 mil palestinos, em 1948, das suas terras. Mas a realidade palestina, relata Arlene, é apenas uma temática dentro da mostra, já que na seleção dos filmes se buscou variedade de temas e estilos. Cerca de um terço das produções é sobre a Palestina.

Também haverá, no dia 28, um debate sobre o cinema árabe e iraniano contemporâneo, do qual vão participar profissionais da área do Brasil, Irã e Palestina. Um deles é o palestino Montaser Marai, produtor e cineasta, que trabalha com documentários na televisão Al-Jazeera, do Catar.  "A intenção é trazer visões sobre o cinema do Irã e do mundo árabe, a visão que eles têm de si e como eles vêem que os outros os vêem", diz Arlene.

Também participam do debate Abolfazl Saffari, iraniano diretor do filme "O Sonho da Pérola", Alessandra Meleiro, da Universidade de São Paulo e do Centro Cultural São Paulo, Alimohamad Ghassemi, cineasta iraniano e diretor do filme "Escrevendo na Terra", além de Massoud Bakhsi, produtor e diretor de filme do Irã, e Mohammad Afaridehg, diretor do Centro de Cinema Experimental do Irã. A mediadora será Arlene, também co-diretora do Departamento de Relações Nacionais e Internacionais do Instituto de Cultura Árabe (ICArabe), um dos promotores da exposição de filmes.

A mostra quer despertar, segundo Arlene, a desmistificação da região e mostrar que há muito mais similaridades entre o mundo do Oriente Médio e o nosso do que se pensa. "Há especificidades culturais, mas encontramos dentro disso semelhanças inesperadas", diz Arlene, lembrando que o Oriente Médio tem problemas parecidos com os nossos nas grandes cidades, tem problemas, por exemplo, de desemprego, moradia, como o Brasil.

A mostra é gratuita e os ingressos podem ser retirados no Centro Cultural São Paulo uma hora antes de cada sessão. Os filmes são desde documentários, ficção, longas e curtas, animação e experimentais. Em cada um dos seis dias da mostra ocorrerão três sessões. Além do ICArabe, estão entre os promotores do evento o Centro Cultural São Paulo e o Centro de Cinema Documentário e Experimental.

Programação:

Dia 27 – Terça

16h
O Velho e a Estrada de Trem (10 min – Irã)
As Formigas (3 min – Irã)
O Brilho (8 min – Irã)
Os Infortúnios de Mashdi (14 min – Irã)
Miragem (18 min – Irã)
Lá Fora, uma Xícara de Chá (16 min – Irã)
Palavra (16 min – Irã)
Super… Rato (10 min – Irã)

18h
Meu País Amado (24 min – Palestina/Nova Zelândia)
Dê-me seu amor (30 min – Paquistão)
Um Prato de Sardinhas, ou A primeira vez que eu soube de Israel (17 min – Israel/Síria/França)

20h
Zigzigland (92 min – Estados Unidos/Palestina)


Dia 28 – Quarta

16h
As Mazelas de uma Solteirona (92 min – Irã)
 
18h
Coração Aberto (22 min – Palestina/Reino Unido)
Faixa de Gaza (74 min – Estados Unidos/Palestina)

20h
Debate: O Papel do Cinema Árabe e Iraniano na Contemporaneidade
De Futebol e Sonhos (86 min – Palestina)

Dia 29 – Quinta

16h
Leite do Deserto (25 min – Síria/Reino Unido)
Blues Palestino (72 min – Palestina)
 
18h
De Futebol e Sonhos (86 min – Palestina)

20h
Um Lugar Agradável para o Peixe (26 min – Irã)
Haji Gullit (31 min – Irã)
A Raiz (7 min – Irã)
A Importância da sua Imagem (25 min – Irã)
Luz Amarela (2 min – Irã)
A Gaiola (12 min – Irã)
Tapa (5 min)


Dia 30 - Sexta

16h
Zigzigland (92 min – Estados Unidos/Palestina)


18h
Nó (10 min – Irã)
Fazedor de Guerra (5 min)
Eu Quero ser um Ator (25 min – Irã)
Azeitona (6 min – Irã)
Vida  (10 min – Irã)
O Mensageiro (6 min – Irã)
35 Metros da Água (34 min – Irã)
Ao Lado da Estrada (15 min – Irã)

20h
Meu País Amado (24 min – Palestina/Nova Zelândia)
Dê-me seu Amor (30 min – Paquistão)
Um Prato de Sardinhas, ou A primeira vez que eu soube de Israel (17 min – Síria/França)

Dia 31 – Sábado

16h
Fronteiras de Sonhos e Medos (56 min – Líbano/Palestina)
A Muralha de Ferro (52 min – Palestina)

18h
As Mazelas de uma Solteirona (92 min – Irã)
 
20h
Leite do Deserto (25 min – Inglaterra/Síria)
Blues Palestino (72 min – Palestina)
 
Dia 1º – Domingo

16h
Carta de Sara (11 min – Jordânia)
Jerusalém, o Lado Leste da História (57 min – Palestina)

18h
Daf (52 min – Irã)
Naquele Dia (8,50 min – Irã)
Mulheres Escritoras no Irã (6 min – Irã/BBC)
O Sonho da Pérola (20 min – Irã)

20h
Escrevendo na Terra (78 min – Irã)

Retrospectiva de Cinema CPFL Campinas 2007, de 3 e 20 de março de 2008

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008





Retrospectiva de Cinema CPFL 2007
Espaço Cultural CPFL exibe entre 3 e 20 de março sucessos dos cinemas nacional e internacional no ano passado.

 

Entre 3 e 20 de março, o Espaço Cultural CPFL organiza pelo quinto ano consecutivo a mostra de Retrospectiva de Cinema CPFL 2007, com destaque aos filmes que mais chamaram a atenção da crítica e do espectador em 2007, com três sessões diárias e gratuitas, sob a curadoria de João Nunes, teólogo e jornalista, crítico de cinema dos jornais Diário de Povo e Correio Popular, de Campinas.

Entre os destaques internacionais da mostra estão os filmes do aclamado diretor Clint Eastwood A Conquista da Honra e Cartas de Iwo Jima - vencedor do Globo de Ouro de Melhor Filme em Língua Estrangeira e do Oscar de Melhor Edição de Som. A Vida dos Outros, do alemão Henckel von Dennersmarck; Medos Privados em Lugares Públicos; Ratatouille - vencedor do Oscar de Melhor Longa Animado; e Homem-Aranha 3 - sucesso de bilheteria em 2007; também integram a mostra. Dos brasileiros, destaque para Santiago (João Moreira Salles), Jogo de Cena (Eduardo Coutinho) e Mutum (Sandra Kogut), que recebeu menção especial durante o Festival de Berlim.

Para refletir sobre os caminhos do cinema nacional e as mudanças estéticas adotadas pelos cineastas atuais, estão programados dois debates: "Tendências estéticas do cinema brasileiro", com Jorge Coli, professor de História da Arte; Philippe Barcinski, cineasta; e o ator Caio Blat (13 de março, 19h30); e "Perspectivas de mercado no cinema brasileiro", com a cientista política Anita Simis, o cineasta Cláudio Assis e a atriz Maria Ribeiro (18 de março, 19h30).

 

Programação completa:

 

3/março
15h – Santiago, João Moreira Salles, Brasil, Documentário, 79 min, Livre
17h – Pecados íntimos (Little Children), Todd Field, Estados Unidos, Drama, 137 min, 16 anos
19h30 - Santiago, João Moreira Salles, Brasil, Documentário, 79 min, Livre


4/março
15h – Jogo de cena, Eduardo Coutinho, Brasil, Documentário, 104 min, Livre
17h – A Casa de Alice, Chico Teixeira, Brasil, Drama, 92 min, 14 anos
19h30 - Pecados íntimos (Little Children), Todd Field, Estados Unidos, Drama, 137 min, 16 anos


5/março
15h – A Casa de Alice, Chico Teixeira, Brasil, Drama, 92 min, 14 anos
17h – Jogo de cena, Eduardo Coutinho, Brasil, Documentário, 104 min, Livre
19h30 - A Vida dos Outros (Des Leben der Anderen), Florian Henckel von Donnersmarck, Alemanha, Drama, 137 min, 12 anos


6/março
15h – Proibido Proibir, Jorge Duran, Brasil, Drama, 100 min, 16 anos
17h – A Conquista da Honra (Flags of Our Fathers), Clint Eastwood, Estados Unidos, Ação, 132 min, 16 anos
19h30 - Cartas de Iwo Jima (Letters From Iwo Jima), Clint Eastwood, Estados Unidos, Drama, 141 min, 14 anos


7/março
15h – O Cheiro do Ralo, Heitor Dhalia, Brasil, Comédia, 112 min, 16 anos
17h – Cartas de Iwo Jima (Letters From Iwo Jima), Clint Eastwood, Estados Unidos, Drama, 141 min, 14 anos
19h30 - A Conquista da Honra (Flags of Our Fathers), Clint Eastwood, Estados Unidos, Ação, 132 min, 16 anos


8/março
15h – Propriedade Privada (Nue Propriété), Joachim Lafosse, Bélgica/França/Luxemburgo, Drama, 105 min, 14 anos
17h – Proibido Proibir, Jorge Duran, Brasil, Drama, 100 min, 16 anos
19h30 - O Cheiro do Ralo, Heitor Dhalia, Brasil, Comédia, 112 min, 16 anos


9/março
15h – Mutum, Sandra Kogut, Brasil, Drama, 95 min, Livre
17h – A Vida dos Outros (Des Leben der Anderen), Florian Henckel von Donnersmarck, Alemanha, Drama, 137 min, 12 anos
19h30 - Medos Privados em Lugares Públicos (Coeurs), Alain Resnais, França, Drama, 120 min, 12 anos


10/março
15h – Propriedade Privada (Nue Propriété), Joachim Lafosse, Bélgica/França/Luxemburgo, Drama, 105 min, 14 anos
17h – Mutum, Sandra Kogut, Brasil, Drama, 95 min, Livre
19h30 - Medos Privados em Lugares Públicos (Coeurs), Alain Resnais, França, Drama, 120 min, 12 anos


11/março
15h – Proibido Proibir, Jorge Duran, Brasil, Drama, 100 min, 16 anos
17h – Propriedade Privada (Nue Propriété), Joachim Lafosse, Bélgica/França/Luxemburgo, Drama, 105 min, 14 anos
19h30 – Alpha Dog (Alpha Dog), Nick Cassavetes, Estados Unidos, Drama, 117 min, 16 anos


12/março
15h – Alpha Dog (Alpha Dog), Nick Cassavetes, Estados Unidos, Drama, 117 min, 16 anos

17h – Notas Sobre um Escândalo (Notes on a Scandal), Richard Eyre, Estados Unidos, Drama, 92 min, 14 anos
19h30 - Zodíac(Zodiac), David Fincher, Estados Unidos, Drama, 158 min, 16 anos


13/março
15h – O Passado, Hector Babenco, Drama, 115min, 16 anos
17h – Não Por Acaso, Philippe Barcinski, Brasil, Drama, 102 min, 10 anos
19h30 – Mesa redonda: "Tendências estéticas do cinema brasileiro", com Jorge Coli, professor de História da Arte, Philippe Barcinski, cineasta, e o ator Caio Blat.


14/março
15h – Em Paris (Dans Paris), Christophe Honoré, França, Drama, 93 min, 14 anos
17h – Alpha Dog (Alpha Dog), Nick Cassavetes, Estados Unidos, Drama, 117 min, 16 anos
19h30 - Zodíaco (Zodiac), David Fincher, Estados Unidos, Drama, 158 min, 16 anos


15/março
15h – Não Por Acaso, Philippe Barcinski, Brasil, Drama, 102 min, 10 anos
17h – Notas Sobre um Escândalo (Notes on a Scandal), Richard Eyre, Estados Unidos, Drama, 92 min, 14 anos
19h30 – O Passado, Hector Babenco, Drama, 115min, 16 anos

16/março
15h – Ratatouille (Ratatouille), Brad Bird e Jan Pinkava, Estados Unidos, Desenho animado, 110 min, Livre
17h – Homem-Aranha 3 (Spider-Man 3), Sam Raimi, Estados Unidos, Aventura, 140 min, 12 anos
19h30 - Em Paris (Dans Paris), Christophe Honoré, França, Drama, 93 min, 14 anos


17/março
15h – Ratatouille (Ratatouille), Brad Bird e Jan Pinkava, Estados Unidos, Desenho animado, 110 min, Livre
17h – Homem-Aranha 3 (Spider-Man 3), Sam Raimi, Estados Unidos, Aventura, 140 min, 12 anos
19h30 - Em Busca da Vida (Sanxia Haoren ou Still Life), Jia Zhang-Ke, China/Hong Kong, Drama, 108 min, 12 anos


18/março
15h – Hércules 56, Silvio Da-Rin, Brasil, Documentário, 99 min, Livre
17h – Baixio das Bestas, Cláudio Assis, Brasil, Drama, 80 min, 18 anos
19h30 – Mesa redonda: "Perspectivas de mercado no cinema brasileiro", com Anita Simis, cientista política, Cláudio Assis, cineasta, e a atriz Maria Ribeiro.


19/março
15h – Cão Sem Dono,Beto Brant, Brasil, Drama, 82 min, 16 anos
17h – Em Busca da Vida (Sanxia Haoren ou Still Life), Jia Zhang-Ke, China/Hong Kong, Drama, 108 min, 12 anos
19h30 - Baixio das Bestas, Cláudio Assis, Brasil, Drama, 80 min, 18 anos


20/março
15h – Hércules 56, Silvio Da-Rin, Brasil, Documentário, 99 min, Livre
17h – Baixio das Bestas, Cláudio Assis, Brasil, Drama, 80 min, 18 anos
19h30 - Não Por Acaso, Philippe Barcinski, Brasil, Drama, 102 min, 10 anos

 

Entrada gratuita e por ordem de chegada.

O cinema de Hollywood, tem sido, um dos maiores meios de degradação, da imagem dos povos árabes.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Não perca o texto do jornalista Arturo Hartmann, no Icarabe.

Cinema orientalista: Filme reflete sobre imagem do árabe em Hollywood
http://www.icarabe.org/CN02/curtas/curtas_det.asp?id=36

Lembrei que ontem, na Rede Globo, após uma materia sobre o Oscar 2008, a jornalista, direto dos Estados Unidos, fala: "A vilência retratada nos vários filmes vencedores do Oscar reflete o medo dos americanos ao terrorismo."

Não demorei, meio segundo, para começar a rir e como eu supunha, entender que a escolha deste ano foi fazer do Oscar 2008 um incentivo ao ódio entre as pessoas. O governo americano, nunca vai se cansar de tentar manipular as pessoas, enquanto não houver gente que pensa e fala suas próprias opiniões.

O cinema de Hollywood, tem sido, um dos maiores meios de degradação, da imagem dos povos árabes.

É uma pena que o Oriente, não produza mais filmes, que retratem melhor sua cultura, estamos ansiosos por isso.

Allzine cine asiático

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Recebi um email perguntando sobre sites com filmes do oriente médio. Infelizmente eu não pude ajudar ainda, mas prometi que irei pesquisar.

O próprio contato do email me passou o link do Allzine Cine Asiático (http://www.allzine.org) é um forúm, e nele (fui conferir) tem uma parte dedicada a informações de releases de filmes Indianos & do oriente próximo e médio. Bem interessante, tanto que adicionei ao lado nos links.

É necessário se cadastrar!

Uma outra dica que deixo aqui é que troquem o emule pelo dreamule. Fiz isso aqui e melhorou muito para buscar e baixar releases.

Um desenho Iraniano concorrendo ao Oscar?

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Persépolis (2007)

Teerã 1978: Marjane, de oito anos, sonha em ser uma profetisa do futuro, para assim salvar o mundo. Querida pelos pais cultos e modernos e adorada pela avó, ela acompanha avidamente os acontecimentos que conduziram à queda do xá e de seu regime brutal. A entrada da nova República Islâmica inaugura a era dos "Guardiões da Revolução", que controlam como as pessoas devem agir e se vestir. Marjane, que agora deve usar véu, sonha em se transformar numa revolucionária. Pouco depois, a cidade é bombardeada durante a guerra contra o Iraque. Com as restrições impostas pelo conflito e o desaparecimento rotineiro de membros da família e entes queridos, a repressão torna-se cada dia mais severa. Como o ambiente fica a cada dia mais perigoso, a rebeldia de Marjane sugere um grave problema. Seus pais decidem mandá-la para a Áustria, para sua própria proteção. Em Viena, Marjane vive outras revoluções aos 14 anos: adolescência, liberdade e o peso do amor mas, além de toda a também excitação, vem também a sensação de exílio e solidão e o gosto amargo de estar à margem da sociedade. No elenco de dubladores, a atriz Chiara Mastroianni dá voz à Marjane criança e adolescente, enquanto que sua mãe na vida real, a veterana Catherine Deneuve, vocaliza a mãe de Marjane, Tadji.

De nacionalidade franco-iraniana, Marjane Satrapi nasceu no Irã, em 1969, e se mudou para a Europa em 1983, onde estudou na Escola Superior de Artes Decorativas de Estrasburgo. Vincent Paronnaud nasceu em 1970, em La Rochelle, França, escreveu roteiros para filmes de TV e estreou na direção com Raging Blues (2004). Entre 2005 e 2007, realizaram juntos a adaptação para as telas de Persépolis, a autobiografia da cineasta impressa como história em quadrinhos em quatro álbuns de luxo, que se tornaram fenômeno de crítica e público na França e também foram publicados no Brasil. O resultado conferiu ao casal o Prêmio do Júri em Cannes 2007.

http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_exib_filme_366.shtml


Nota da Big Eyes:


Você deve pensar que maravilha um desenho "Iraniano" concorrendo ao Oscar!
Parece otimista demais essa afirmação, ok eu menti na frase acima.

O desenho na verdade é Francês, é a autobiografia de Marjane Satrapi (que você leu acima). Sendo assim a revoltada Iraniana, desenhou toda sua adolescência vivida no Irã, ela faz uma denúncia frontal ao totalitarismo fundamentalista que domina o Irã desde a queda da tirania monárquica.

O que me deixa intrigada e talvez até indignada é que aqui, sim aqui no Brasil, nós odiamos quando os Estados Unidos invadem os países em prol da LIBERDADE.

Mas o desenho me parece um pedido, senão uma súplica, para que a AMÉRICA desmantele aquele governo ditador e que então finalmente eles possam ter sua liberdade.

Quero ficar em cima do muro, vou calar minha boca.

Quanto à arte do desenho: Marjane Satrapi é talentosa, seu desenho estilo cartum tem humor, é inteligente, com traços "simples", porém agradáveis, foi colorido apenas em momentos especiais.

Não sei que tipo de comparação pode ser feita com seus adversários ao prêmio Oscar: "Ratatouille" e "Tá dando onda". 

Será que a animação foi indicada e talvez ganhe por outras questões?

"Tá dando onda" me deixará feliz se for o ganhador. Sem pecar na qualidade da sua arte, carrega um conjunto maior de características compatíveis com o gênero (que a meu ver ainda tem a ver com crianças e diversão) desde o seu tema, personagens, enredo e humor, "Tá dando onda" deu show!