Bin Laden ameaça França em nova mensagem de áudio

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Paris (França)  - Osama Bin Laden, líder da Al-Qaeda, justificou o sequestro de cinco cidadãos franceses no Níger no mês passado como o resultado das injustiças da França contra os muçulmanos que vivem no país e alertou que os sequestros irão continuar. Em uma nova gravação de áudio, cuja autoria é atribuída a Bin Laden e que foi divulgada pela Al Jazeera nesta quarta-feira, o líder apelou ao povo da França para parar de "intervir nos assuntos dos muçulmanos no norte e no oeste da África".

"O tema do meu discurso é a razão pela qual a segurança está sendo ameaçada e seus filhos sendo tomados como reféns", disse o líder da Al-Qaeda.

"O sequestro de seus especialistas no Níger, enquanto eles estavam sendo protegidos pelo seu representante no país, é uma reação à injustiça que vocês estão praticando contra a nossa nação muçulmana".

"Como poderia ser justo que vocês intervenham nos assuntos dos muçulmanos, no norte e no oeste da África em particular, coloquem os seus agentes contra nós e tomem muito da nossa riqueza em negócios suspeitos, enquanto nosso povo sofre várias formas de pobreza e desespero?", questionou Osama Bin Laden.

Sequestros de setembro

A célula da Al-Qaeda no norte da África reivindicou a responsabilidade pelo sequestro de cinco cidadãos franceses em setembro, juntamente com outros dois cidadãos de Madagascar e de Togo.

A Al-Qaeda divulgou fotos do grupo no final do mês passado, mostrando os reféns sentados na areia com vários homens armados vestindo roupas de beduínos atrás deles.

Os reféns estão supostamente sendo mantidos em uma região montanhosa no noroeste de Mali. Autoridades francesas afirmam não ter recebido qualquer exigência da Al-Qaeda no Magreb Islâmico, o grupo que realizou o sequestro.

Os reféns são funcionários de duas empresas francesas, a Areva e a Vinci, que fazem negócios na cidade mineira de Arlit, no Níger.

Bin Laden também usou a gravação para criticar o plano da França de proibir o uso de véus que cobrem todo o rosto em público - uma lei que deve ser implementada no próximo ano.

"Se você injustamente pensa que é seu direito impedir que as mulheres muçulmanas livres usem o véu que cobre o rosto, então não é nosso direito expulsar os seus homens invasores e cortar seus pescoços?", questiona o líder da Al-Qaeda.

Demanda afegã


Bin Laden também usou a mensagem para estimular a França a se retirar do Afeganistão, chamando a situação de uma guerra injusta - e prometeu mais sequestros se suas advertências não forem ouvidas.

"A equação é muito simples e clara: se você matar, você vai ser morto, se você toma os outros como reféns, você será feito refém, se você destrói a nossa segurança, nós vamos destruir a sua segurança", disse Bin Laden.

O paradeiro de Osama Bin Laden é desconhecido, mas em agosto, o general David Petraeus, o comandante dos EUA no Afeganistão, disse que ele está "muito enterrado" nas remotas montanhas entre o Afeganistão e o Paquistão e que capturá-lo continua sendo uma tarefa chave.

Bin Laden é o homem mais procurado do mundo. Os EUA oferecem recompensa de até US$ 25 milhões por informações que levem à sua captura.

Serviço de mensagens do BlackBerry é bloqueado na Arábia Saudita

sexta-feira, 6 de agosto de 2010


RIAD - As restrições impostas pela Arábia Saudita a alguns serviços do smartphone BlackBerry passam a valer a partir desta sexta-feira, 6, segundo informações da agência AFP. Riad bloqueou o sistema de mensagens do aparelho alegando que as mensagens transmitidas entre seus usuários têm códigos ultrasseguros e dificultam a vigilância do governo.

Codificação das mensagens do ClackBerry dificultam vigilância do governo

Vários usuários do aparelho disseram não ter conseguido usar a função de mensagens em seus telefones desde o meio-dia local (6 horas em Brasília), embora tenham conseguido enviar recados antes desse período.

O órgão regulador das telecomunicações anunciou na terça-feira que ordenou a suspensão de tal serviço do BlackBerry a partir desta sexta, já que a companhia responsável pelo aparelho não cumpriu as exigências do governo. "O modo como são utilizados os serviços do BlackBerry não correspondem aos critérios de segurança da comissão nem às condições de licença", informou a Comissão de Comunicações e Tecnologia da Informação (CITC).

Os aparelhos, fabricados pela empresa canadense Research in Motion (RIM), apresentam um nível de codificação superior à maioria dos outros smartphones, tornando muito difícil a vigilância sobre seus usuários.

Além da Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos podem censurar alguns serviços do BlackBerry. Ambos os países regulam o acesso à internet. O governo indiano também lamentou a falta de controle sobre a comunicação entre os usuários do aparelho e disse que poderia tomar medidas semelhantes.

Venda

Alguns sauditas estão tentando vender seus BlackBerries, já que o serviço de mensagens está bloqueado. A iniciativa causou a queda do preço dos aparelhos. Alguns os vendiam pela metade do preço que é comumente comercializado. Comerciantes dizem que "ninguém mais compra, só querem vender os BlackBerries".
 

Além de Sakineh, 24 presos iranianos podem ser mortos a pedradas

 

A iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani não é a única no país que está prestes a ser apedrejada. Outros 24 presos do país se encontram no mesmo corredor da morte, segundo um estudo publicado pelo Comitê Internacional Contra Apedrejamento - ONG que monitora este tipo de execução no Irã. O caso da mulher de 43 anos, condenada inicialmente por adultério e depois por assassinato, ganhou repercussão mundial, tendo inclusive interferência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e evidencia a gravidade do problema na República Islâmica.

O Irã é, atualmente, o país com o maior número de execuções per capita no mundo - à frente até da China, apontam dados do Comitê e da Organização das Nações Unidas (ONU). "Esse é um regime que apedreja e executa, que prende pessoas todos os dias e corta suas mãos e seus pés", enfatizou Mina Ahadi, porta voz da ONG, em carta aberta ao presidente brasileiro divulgada na última terça-feira. No documento, Mina agradecia a oferta de asilo feita por ele a Sakine Ashtiani, mas pedia que Lula deixe de apoiar o governo de Mahmoud Ahmadinejad.

Somente este ano, de acordo com a Anistia Internacional, o regime iraniano já executou 115 pessoas. Entre elas, estão manifestantes torturados após os protestos contra a reeleição de Ahmadinejad, em junho de 2009, em um pleito marcado por denúncias de fraudes.

Sakineh - A iraniana que chamou a atenção de todo o mundo é mãe de dois filhos e havia sido condenada à morte por adultério, por manter relações consideradas ilícitas com dois homens após ficar viúva. Em 2006, ela levou 99 chibatadas por esse "crime". Neste mesmo ano, um dos amantes foi condenado pelo homicídio do marido dela. O caso foi, então, reaberto e ela foi sentenciada à morte por apedrejamento. Para evitar críticas internacionais, na última terça-feira, o Irã mudou a condenação de Sakineh de adultério para assassinato. Logo depois, decidiu que ela vai responder, na verdade, pelas duas acusações.
 

Nobel da Paz iraniana critica Lula e diz que "nenhuma nação deve estar ao lado do Irã"

Nobel da Paz iraniana critica Lula e diz que "nenhuma nação deve estar ao lado do Irã"

Cecília Araújo
Shirin Ebadi: "Por que Lula não visitou líderes de sindicatos nas prisões?"

Shirin Ebadi: "Por que Lula não visitou líderes de sindicatos nas prisões?" (Paulo Vitale)

Há exato um ano, depois de décadas em defesa dos direitos humanos e uma série de ameaças contra sua família, a advogada Shirin Ebadi decidiu deixar o Irã. Era a véspera das eleições de 12 de junho, que, sob suspeita de fraude, deram um segundo mandato ao presidente Mahmoud Ahmadinejad e detonaram uma onda de protestos diários nas ruas de Teerã, duramente reprimidos. Hoje com 62 anos, a ganhadora do Nobel da Paz de 2003 passa grande parte de seu tempo em viagem pelo mundo - fazendo denúncias, ajudando a fundar organizações humanitárias e representando as vítimas da repressão no país dos aiatolás.

Primeira mulher a se tornar juíza no Irã, expulsa dos tribunais com a instauração da Revolução Islâmica, em 1979, Shirin conversou por telefone com a reportagem de VEJA.com, por intermédio de sua intérprete. Embora não dê grande importância a Ahmadinejad ("o que importa é o comportamento dos aiatolás"), Shirin critica sua recente aproximação com o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva. Discorda das sanções econômicas impostas ao Irã - prefere as punições políticas - mas é clara ao recomendar uma única postura diplomática em relação ao seu país: "Enquanto o Irã mantiver essa atitude provocadora, nenhuma nação deve estar ao seu lado".

Em 31 anos de República Islâmica, a senhora reconhece algum progresso na forma com que o governo lida com os cidadãos iranianos?
Lamento muito que depois desses anos todos passados da Revolução eu ainda não possa me considerar uma iraniana livre. Em 1979, foram impostas ao país muitas leis que vão contra o direito das mulheres. Talvez o governo tenha devolvido um ou dois desses direitos. Ainda faltam muitos outros.

A senhora ainda recebe ameaças devido ao seu posicionamento crítico ao governo dos aiatolás?
Infelizmente, estou sempre recebendo ameaças. Agentes do governo frequentemente mandam mensagens à minha família dizendo que, se eu continuar com o meu trabalho, o governo iraniano vai me encontrar onde quer que eu esteja.

No dia 12 de junho, completa-se um ano da polêmica votação que reelegeu Mahmoud Ahmadinejad à presidência do Irã. Como a senhora avalia seu governo?
Na verdade, não importa se é Ahmadinejad ou outra pessoa que está no poder, mas sim a forma como as autoridades máximas do Irã atuam. O que realmente faz a diferença é o comportamento dos aiatolás. Embora Ahmadinejad seja o presidente, há um outro líder supremo (o aiatolá Ali Khamenei) que de fato comanda a vida dos iranianos.

O que a senhora pensa do acordo entre Brasil, Irã e Turquia para a troca de urânio enriquecido?
Espero que o governo brasileiro seja capaz de convencer o Irã a de fato negociar e respeitar as resoluções determinadas pela comunidade internacional. Ao mesmo tempo, lamento profundamente que o presidente Lula tenha ido até o Irã e se recusado a conversar com qualquer membro da sociedade iraniana.

O que a senhora esperava do presidente Lula durante sua visita ao país?
Quando Lula foi ao Irã, por que não visitou líderes de sindicatos de trabalhadores nas prisões? Fiquei surpresa, porque sei que ele representa os trabalhadores em seu país. Atualmente, a condição das prisões é muito precária - e tem piorado. E esses líderes sindicalistas estão presos por participarem de protestos em prol de seus direitos! Tenho muito respeito pelo presidente Lula, mas me surpreendeu muito que ele tenha se encontrado com o presidente do Irã e outras autoridades e ignorado completamente a classe trabalhadora.

A senhora é a favor das sanções impostas ao Irã pelos Conselho de Segurança da ONU?
Sou contra a imposição de sanções econômicas ao Irã porque elas não vão atingir o regime e sim fazer com que a população iraniana fique ainda mais pobre. Por outro lado, acredito que seja uma obrigação do Irã respeitar as resoluções internacionais e suspender o enriquecimento de urânio. Eu acharia mais justo que, no lugar das sanções econômicas, as potências impusessem sanções políticas ao país. Enquanto o Irã mantiver essa atitude provocadora, nenhuma nação deve estar ao seu lado.

A senhora, pessoalmente, acredita que o Irã desenvolva armas nucleares?
Tudo no Irã é feito a portas fechadas. Eu - ou qualquer outro cidadão iraniano - não tenho ideia das decisões que são tomadas entre as autoridades.

Como deveriam agir as autoridades iranianas?
Se o governo de fato escutasse os cidadãos, poderia se tornar mais forte. Porém, da forma como esses líderes têm agido, mais cedo ou mais serão tirados do poder pelo povo. Não digo que isso vai acontecer nos próximos três anos de mandato de Ahmadinejad. Falo do início de um processo cuja duração não se pode prever.

 

O ator Adel Benchérif fala de O Profeta e de como a França inteira, com os seus problemas humanos e sociais, cabe no grande filme de Jacques Audiard

sexta-feira, 18 de junho de 2010


Luiz Carlos Merten - O Estado de S.Paulo
O nórdico e o árabe. Benchérif (E) é o fiel escudeiro de Rahim na escalada do crime: unidos por laços de sangue e amizade  

Olhe a foto aí acima. Nela aparecem Adel Benchérif e Tahar Rahim. Interpretam os amigos Malik e Ryad em O Profeta. Havia a expectativa de que o grande filme de Jacques Audiard ganhasse a Palma de Ouro em Cannes, no ano passado. O júri presidido por Isabelle Huppert preferiu A Fita Branca, de Michael Haneke, outorgando a O Profeta o segundo prêmio em importância, o Grand Prix. Os dois filmes concorreram ao Oscar e perderam para o argentino O Segredo dos Seus Olhos, de Juan José Campanella.

Voltemos a O Profeta. O filme venceu o César, o Oscar francês. Tahar Rahim foi duplamente vitorioso - melhor ator e melhor esperança masculina, o prêmio com que a Academia Francesa destaca os novos talentos. O Profeta tem feito uma bela carreira, de público e crítica, em todo o mundo. O virtuosismo de Jacques Audiard é indiscutível. O filme também tem provocado polêmica - Jacques, filho do diretor e roteirista Michel Audiard, estaria reproduzindo, na França, modelos hollywoodianos de ação. Para os próprios franceses, a discussão foi outra. O Profeta expõe a cadeia como escola do crime. Em várias entrevistas, Jacques Audiard disse que os filmes de Hector Babenco, Pixote, a Lei do Mais Fraco e Carandiru, foram faróis em sua vida e certamente o influenciaram na formulação dramática de O Profeta.

Adel Benchérif integrou a delegação que veio ao Brasil para divulgar o Festival Varilux de Cinema Francês. No Rio, ele contou como foi o processo criativo de Jacques Audiard. Admitiu que o universo da cadeia não lhe é estranho - ele próprio esteve preso. O cinema tem lhe aberto novos horizontes, mas o jovem de ascendência tunusina conhece bem o racismo e a discriminação. Até hoje, ainda sente o ódio pelo "estrangeiro", pelo colonizado, que Mathieu Kassovitz retratou num filme justamente chamado La Haine (O Ódio). Mas o que mais lhe doi, ele confessa, é a mudança no relacionamento com os antigos amigos. "Eu acho que continuo o mesmo, mas o olhar deles sobre mim mudou. Não nos frequentamos mais e há hoje uma distância muito grande entre a gente."

Sua mãe mora na Tunísia, e essa é outra distância dolorida. Adel é francês de nascimento. Criou-se em Grenoble. Sua vida poderia ter sido, quem sabe, menos difícil, mas ele se interroga se isso teria mudado sua formação: a sensibilidade seria outra? Teria virado ator? É orgulhoso das raízes tunisinas. Há toda uma história de família, sobre como seus ancestrais "fizeram" a França. Adel começou a carreira interpretando pequenos papéis em Grande École ou na série La Crim", em 2004. Em 2006 e 2007, de novo na TV, conheceu dois grandes sucessos pessoais em outras séries, Djihad e Les Liens du Sang. Foi nelas que Jacques Audiard buscou boa parte do elenco jovem de O Profeta, para compor o grupo que cerca Malik. O personagem de Tahar Rahim vai preso e, na cadeia, torna-se o serviçal do chefão Niels Arestrup.

O jovem árabe e o nórdico. Malik faz sua escalada no crime, Ryad o acompanha como escudeiro fiel. A meta de Malik é ocupar o posto de Arestrup. Não é preciso citar O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola, para lembrar outros exemplos notáveis de disputa pelo poder no meio do crime, e neste como representação da democracia étnica. "A experiência na prisão não me havia preparado para o papel", Adel conta. Jacques Audiard confinou seus atores, como parte da preparação. Em nome do realismo de cena, os presidiários que cercam o elenco principal vieram de cadeias de verdade.

Adel fala de seu personagem. "Ryad está doente e sabe que vai morrer. Tem tudo a perder, a mulher e a criança. Ele faz não importa o quê, na certeza de que Malik olhará pelos seus." Laços de sangue, de amizade. É disso que O Profeta também fala. E existe a linguagem dos "árabes". A França inteira cabe na prisão de O Profeta. Adel Benchérif sabe que seu elogio é suspeito. O filme de Jacques Audiard colocou-o em outro patamar de sua carreira. Mas também sabe que é um grande filme. E Jacques? "Ele duvida o tempo todo. Nunca está certo de coisa nenhuma. Mas é um líder, une todos ao seu redor." Mais do que uma experiência artística, O Profeta foi, para ele, uma experiência humana.

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100618/not_imp568323,0.php




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Mirela Goi

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Dica de Livro: Música árabe: expressividade e sutileza, da editora BibliAspa

segunda-feira, 14 de junho de 2010

ão Paulo – A professora e coreógrafa de danças árabes, Marcia Dib, vai lançar neste sábado (12) o livro Música árabe: expressividade e sutileza, da editora BibliAspa, no Esporte Clube Sírio, em São Paulo. A autora fará uma palestra sobre as principais características da música árabe e vai contar um pouco da história do livro.

O livro, que tem 217 páginas, é um capítulo da tese de mestrado de Marcia intitulada A diversidade cultural da Síria através da música e da dança. Ela terminou o trabalho no final do ano passado. A ideia de escrever o livro surgiu do seu orientador. "Fiz um capítulo inteiro só para explicar a música árabe. Não achei nada publicado em português sobre música árabe. É um livro inédito", afirmou Marcia.

Divulgação Divulgação

Livro é capítulo da tese de Marcia



De acordo com ela, o livro é para pessoas leigas no assunto e que querem saber algo sobre a teoria e a história da música árabe. "O livro tem uma visão de uma pessoa que usa a música para o trabalho", disse a professora, que é descendente de sírios e viajou três vezes ao país árabe para concluir o mestrado.

A publicação é dividida em cinco capítulos. O primeiro, Origem, influências e tratados, fala dos caminhos que a música árabe percorreu, dos aspectos teóricos e filosóficos da música. "No passado, a música era estudada junto com outras ciências", disse Marcia.

O segundo capítulo, O conceito de tempo e a transformação axial da visão de mundo, aborda as diferenças de tempo. "Para a gente, o tempo é uma linha reta, para os árabes, eles vêem o tempo como um círculo", disse a professora, que explica esse pensamento no capítulo. No terceiro, A concepção de mundo influencia a composição, execução e o aprendizado, a autora fala da importância da memória, da transmissão oral da música, que não era escrita, pois não havia as partituras.

As Características melódicas e rítmicas aborda a definição da música árabe, da formação das notas e escadas, que são diferentes das usadas na música ocidental. O último capítulo, A doutrina do Ethos ou Ta'thir, é uma analogia entre a música e as outras ciências. "Falo de como a música influencia o corpo e a mente, por exemplo", disse Marcia.

Segundo ela, a música árabe é uma arte integrada com outras áreas do conhecimento e da existência e tem o poder de tocar os sentimentos e as pessoas, que respondem a ela com seu corpo e mente.

Serviço

Lançamento do livro Música árabe: expressividade e sutileza
Data: 12 de junho
Horário da palestra: 16 horas
Sessão de autógrafos: 17 horas
Local: Auditório do Esporte Clube Sírio
Endereço: Avenida Indianópolis, 1192 – São Paulo
 
Fonte:

Escritora egípcia entra no filão das comédias românticas para mulheres de 30 anos e conta a saga de Bride, uma egípcia, farmacêutica, independente financeiramente, mas que ainda não arrumou um marido.

Claudia Abreu/Agência Meios Claudia Abreu/Agência Meios

Os dilemas de uma balzaquiana, formada em Farmácia, para arrumar um marido no Egito, estão no livro de Ghada Abdel Aaal

Tudo começou com um blog escrito em árabe (http://wanna-b-a-bride.blogspot.com), em 2006, idealizado pela escritora para encontrar amigos e dividir histórias. Era escrito com o pseudônimo Bride, esposa em inglês. Ghada tinha perdido a mãe e toda a sua família começava a se mobilizar para encontrar um bom marido para a moça. "Me apresentavam todos os tipos de pessoas", disse Ghada, em entrevista à TG3 italiana. Aos poucos, post após post, a escritora percebeu que o seu dilema era comum a tantas outras moças no Egito, país que tem mais três milhões de mulheres entre 30 e 35 anos solteiras. Os seguidores do blog chegaram a 500, sempre ativos, publicando comentários. Hoje são mais de 600.

Ghada diz que, no início, tinha medo da reação das pessoas aos textos do blog, que eram divertidos, engraçados, mas também muito reflexivos. O Egito tem enfrentado uma dura crise econômica, que, como todas as crises, reflete nos hábitos e costumes da sociedade. As taxas de desemprego, por exemplo, são altas, superiores a 10% da população, e cerca de 20% vive abaixo da linha da pobreza. Sem condições financeiras para manter uma casa, boa parte dos homens na faixa dos 30 anos não se arrisca, mora com os pais e não se casa. Se para eles pode ser até confortável, para as mulheres, na mesma faixa etária, a situação é sinônimo de fracasso pessoal.

Com as expectativas de casamento em baixa, somada à situação financeira das famílias do Egito, investir na profissão passou a fazer parte do cotidiano das mulheres de 30 anos que, cada vez mais, se dedicam ao trabalho e à formação universitária. Segundo Ghada, formada em Farmácia, portanto doutora no Egito, é muito comum encontrar mulheres que trabalham fora, ganham mais do que os homens e não abrem mão da carreira e, claro, do uso da Internet. Fato que aparece nas perguntas da mãe de Bride para o futuro marido da filha: "E quanto ao trabalho? E à Internet?". E um dos motivos do sucesso do blog, que abriu as portas para o livro de Ghada, que já vendeu 2.000 cópias na Itália.

Os pretendentes

A escritora, comparada à Helen Fielding - autora de Bridget Jones, de 2001, livro que virou filme - na mídia italiana, diz que não foi influenciada pela autora inglesa. Também não assistiu a série Sex and the City, da americana Candace Bushnell ou leu Comer, Amar e Rezar, de Liz Gilbert. Começou a escrever simplesmente para contar a sua experiência e ouvir que não era "uma estranha que não conseguia encontrar um marido". "Eu não esperava tanto sucesso, sinal de que precisávamos de uma voz que dissesse o que nós, mulheres árabes de 30 anos, sentimos (em relação à questão do casamento)", disse a escritora à TG3.

No livro, Bride descreve 10 pretendentes, reunidos da experiência de Ghada, das suas amigas, e das seguidoras do blog, e os amigos da família, como tia Ficcanaso e Tio Disco, que tentam, desesperadamente, encontrar um marido para a protagonista. Do primeiro, um doutor homeopata, que depois vira um imitador de personagens famosos e se veste "como um arco-íris, com todas as roupas do varal", passando pelo ladrão, que corteja Bride apenas para lhe roubar a carteira dentro do ônibus, até o baixinho, muito baixinho que "parecia um desenho animado" e que apaga todas as luzes da casa, por questões econômicas, e acende velas, irritando profundamente o pai de Bride, ao último, Imed "o Belo", que vive em Londres, é casado, mas, sua mãe quer que se case com uma egípcia, "pois assim, poderá voltar para casa a cada três meses", Ghada descreve o comportamento de cada um deles, envolvendo o leitor na corrida da protagonista pelo casamento.

Depois do décimo, Bride decide parar um pouco com a busca frenética, mas uma amiga do trabalho, Noha, encontra um namorado. "Não é um rapaz bruto, só é magro como um junco, as orelhas, é claro, brigaram entre elas, mas é uma criatura de Deus", escreve Bride, com uma tremenda dor de cotovelo, mas também cheia de energia para continuar a corrida, pois, no final, apesar do caminho tortuoso, Ghada, a autora, quer se casar - e deixa isso claro para as leitoras do livro e do blog. Assim como as ocidentais Carry Bradshaw, de Sex and the City, e Bridget Jones.
 

Brasileiro sequestrado por nigerianos disse que ontato com sequestradores teria começado através da Camara de Comèrcio Árabe Brasileira


O empresário paraense sequestrado na África do Sul desembarcou nesta terça no Brasil. Osmar Pereira contou os momentos de terror que passou nas mãos dos bandidos.

Dez horas de viagem e um desejo enorme de voltar pro Brasil. "Eu me sinto aliviado. Primeiro, voltei pra casa. Segundo, que descobri também que sou mais forte do que imaginava, porque não estava preparado pra isso. Mas eu acho que eu me superei bem", declarou o empresário Osmar Pereira.

Além da bagagem, Osmar Pereira trouxe da África do Sul marcas no corpo que preferiu não mostrar. Resultado de dois dias de tortura.

"Esquentavam o ferro elétrico e me queimavam. O pior momento eu acredito que foi no segundo dia, porque, vendo a possibilidade de o dinheiro não chegar a tempo do resgate, eles iriam me matar mesmo. Só tinha duas alternativas: ou o dinheiro ou a vida. Não tinha outra alternativa".

O empresário paraense do ramo de madeiras foi sequestrado na terça-feira da semana passada por um grupo de nigerianos assim que desembarcou na África do Sul. "As pessoas que foram me pegar estavam muito bem vestidas, pessoas muito bem trajadas".

Osmar cruzou o oceano com o objetivo de vender US$ 4 milhões em portas de madeira para supostos importadores de Dubai.

"Isso começou com a câmara árabe aqui em São Paulo. Eles me deram uma relação de importadores em Dubai e no Qatar e foi através daí que aconteceu. O preço era de mercado, não tinha diferencial nenhum".

Osmar Pereira atribui a libertação a um trabalho conjunto das polícias da África do Sul e do Brasil. Disse que no primeiro dia de cativeiro, os sequestradores o deixaram ligar para um escritório da empresa dele que fica em Angola, imaginando que assim o empresário conseguiria o dinheiro exigido no resgate. Sem saber se os bandidos entendiam português, Osmar arriscou: contou aos colegas de trabalho que tinha sido sequestrado.

Alertada, a polícia localizou o cativeiro com a ajuda de outra vítima, um empresário coreano sequestrado na semana anterior.

Ainda nesta terça, Osmar embarca de São Paulo para Belém. Vai reencontrar a mulher e os filhos, depois de tirar uma lição do pesadelo que viveu na África. "Acho que mais prudência pra tudo é a palavra".

O vice-presidente da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, Hélmi Nascerê, afirmou que precisa de mais detalhes da negociação entre o empresário e os nigerianos para se pronunciar sobre o caso, mas disse que a câmara é criteriosa na seleção e na indicação de nomes de comerciantes.
 

Notícias da Copa do Mundo: Na estréia Nigéria perde para a Argentina por 1 X 0 mas o goleiro Nigeriano é o destaque da partida


Na estreia de Argentina e Nigéria na Copa do Mundo da África do sul, quem venceu foram os sul-ameircanos, mas o melhor jogador da partida foi o goleiro nigeriano Vincent Enyeama, que evitou uma goleada com belas defesas e garantiu a derrota por "apenas" 1 a 0.

Sua atuação foi até destacada no site da Fifa. Segundo a entidade, o arqueiro, que defende o Hapoel Tel-Aviv, de Israel, fez pelo menos seis grandes defesas, quatro delas de chutes do craque Lionel Messi.

"Eu assisti aos jogos do Messi no Campeonato Espanhol, além de ter algumas informações para a partida. Seria o meu melhor desempenho contra o melhor jogador do mundo. De agora em diante você não pode tirar isso de mim. Foi o melhor jogo da minha carreira", comemorou Enyeama, que não teve culpa no único gol da partida, uma cabeçada de Heinze após cobrança de escanteio.

Seus companheiros também elogiaram sua performance. "Ele é um bom goleiro, fez três ou quatro excelentes defesas e realmente nos ajudou", disse o atacante Obafemi Martins. O jogador reconheceu a parcela de Enyeama no resultado. "Eu quero agradecer nosso goleiro hoje e nossa defesa, porque contra um grande time como a Argentina, conceder apenas um gol é um bom resultado", afirmou o meia-atacante Peter Odemwingie.

O técnico Lagerback lamentou a falta de atenção da defesa no lance do gol argentino. "Se você tiver um segundo de desconcentração atuando contra esse tipo de jogadores você será punido. E nós fomos. Não fosse por isso nós poderíamos ter conseguido pelo menos um empate", lamentou o treinador.
 
13 de junho 2010
Terra

Notícias da Copa do Mundo: Nigerianos têm visto de entrada na África do Sul negado sem justificativa

A Embaixada da África do Sul vem negando sem justificativa plausível, há cerca de duas semanas, vistos de entrada no país para nigerianos. A medida afeta diretamente torcedores que já possuem ingressos para os jogos da Nigéria na Copa do Mundo e não têm permissão para entrar no país-sede do Mundial de 2010. Segundo o jornal "The Guardian", milhares de pessoas - muitas delas com ingressos para os jogos na mão - vêm protestando na porta da embaixada sul-africana, por não receberem sequer uma justificativa para a negativa de visto, mesmo tendo cumprido todo o protocolo exigido pelas autoridades.

O embaixador da África do Sul na Nigéria, JKN Mamabolo, não foi encontrado para comentar o episódio, por estar em uma viagem internacional. A África do Sul, segundo o jornal, costuma ser muito rígida na expedição de vistos para nigerianos, que hoje são a segunda maior colônia estrangeira no país, atrás apenas dos zimbabuanos. O governo nigeriano vem mostrando preocupação pela forma como os cidadãos do país são tratados pelos órgãos do governo sul-africano no país quando solicitam vistos de entrada.

A situação forçou o governo da Nigéria a tomar uma ação retaliadora para expressar seu descontentamento pela forma como os nigerianos foram tratados. Muitos já têm pacotes comprados, com passagens aéreas e acomodação na África do Sul, que são justamente os critérios mais importantes para a obtenção dos vistos. Alguns torcedores acusam as autoridades sul-africanas de fazer pedidos de última hora com o objetivo de dificultar a apresentação de documentos que justifiquem a expedição dos vistos

Segundo informações dos consulados e embaixadas da África do Sul na Nigéria, a posse de ingressos para jogos da Nigéria, bilhetes aéreos, vouchers de hotel e comprovação de condições de se manter na África do Sul durante o período da Copa do Mundo dariam o direito a um "visto de evento", válido apenas durante a realização da Copa do Mundo. Porém, mesmo de posse de todos esses documentos, os nigerianos viram seus pedidos negados.

- Eles agora nos pedem declarações de empregadores, contra-cheques, extratos bancários e outros documentos pouco comuns de serem exigidos por autoridades consulares - reclamou um dos manifestantes, que não quis se identificar.
 
Fonte: globoesporte.com 06-06-2010

 

Notícias da Copa do Mundo: Festa para nigerianos quase vira tragédia na África do Sul

Reuben, como muitos dos nigerianos que moram na África do Sul, sentiu no domingo o impacto de não poder pagar por um ingresso para uma partida da Copa do Mundo quando foi ferido ao tentar entrar no estádio para ver a seleção do seu país de graça.

Milhares de nigerianos foram ao estádio Makhulong, nos arredores de Johanesburgo, na esperança de acompanhar o amistoso entre Nigéria e Coreia do Norte, preparatório para o Mundial, que começa na sexta-feira.

Mas Reuben, de 54 anos, acompanhado de sua mulher e de sua filha, não conseguiu ver sequer um minuto da vitória de 3 x 1 da Nigéria sobre os norte-coreanos. Antes de chegar à arquibancada, ele foi atropelado pela multidão que entrava no estádio ao saber que os ingressos eram gratuitos.

Embora a Fifa afirme que nenhum outro Mundial teve tantos ingressos disponíveis como em 2010 na África do Sul, o incidente enfatiza o fato de que o preço dos ingressos é um obstáculo para a população da África, continente mais pobre do mundo.

"Eu tentava entrar, e as pessoas começaram a me esmagar", disse Reuben, que teve um ferimento na perna, à Reuters. "Havia muitas pessoas tentando entrar, e foi aí que tudo saiu errado."

O jogo de domingo foi a única chance para muitos nigerianos verem a seleção do país, já que os chamados "tíquetes acessíveis" para as partidas da equipe contra Argentina, Coreia do Sul e Grécia estão esgotados.

"Era agora ou nunca. Não posso pagar centenas de dólares para ver a seleção. Viajei muitos quilômetros para chegar aqui, é o máximo que posso fazer", disse Chadi, um nigeriano de 35 anos, que conseguiu entrar no estádio antes de o tumulto começar.

A confusão começou durante o primeiro tempo, quando as pessoas que vivem nos arredores do estádio descobriram que imigrantes nigerianos poderiam entrar de graça no estádio com capacidade para 10 mil pessoas quando ele já estava praticamente cheio.

Cerca de 250 mil nigerianos moram na África do Sul, segundo dados não-oficiais. Algumas estimativas, no entanto, colocam esse número em mais de 400 mil, muitos deles imigrantes ilegais vivendo na pobreza.

Horas depois do incidente que deixou um policial ferido em estado grave, a Fifa divulgou comunicado em que afirma que não teve relações com a organização do amistoso de domingo.

Fonte: REUTERS 07 de junho de 2010

Tunísia quer importar bezerros do Brasil

quinta-feira, 13 de maio de 2010

São Paulo - A Tunísia quer importar bezerros para engorda do Brasil e o membro do Conselho Executivo da União Tunisiana da Agricultura e Pesca (Utap), encarregado de Relações Internacionais e Parcerias, Labidi Abdelmajid, está em busca de contatos de fornecedores. Abdelmajid participa, em Brasília, do Diálogo Brasil-África, conferência entre brasileiros e africanos sobre alimentação e agricultura, e está também, nesta viagem, verificando a possibilidade de compra dos bezerros. De acordo com Abdelmajid, a empresa tunisiana interessada nos animais é a Sociétes les Eleveurs Réunis, afiliada à Utap.

Abdelmajid está no Brasil ainda com a missão de promover a International Agricultural Show, exposição bianual da área agrícola, que ocorre na Tunísia entre 19 e 23 de outubro deste ano. De acordo com o tunisiano, a mostra pode ser uma oportunidade para promoção da tecnologia brasileira agrícola em seu país. Segundo ele, a Tunísia tem interesse na tecnologia brasileira, principalmente para agricultura em regiões áridas e semi-áridas. "Tenho planos de discutir o tema e estabelecer um diálogo com organizações e profissionais brasileiros em um futuro próximo", disse Abdelmajid em entrevista à ANBA por e-mail.

No Diálogo Brasil-África, Abdelmajid, que foi convidado pela Secretaria-Geral da Presidência da República, participou como representante da sociedade civil da Tunísia e produtores agrícolas tunisianos e do Maghreb. Da participação na conferência, Abdelmajid destacou a vontade do Brasil e África de construir uma ponte de cooperação e parceria para transferência de tecnologia e investigação científica. "Possibilitar que a África tire proveito da experiência brasileira no desenvolvimento agrícola é um desafio interessante", disse Abdelamajid.

Durante o encontro em Brasília foi inaugurada uma nova unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que vai oferecer treinamento para estrangeiros. Abdelmajid lembra que a instituição já tem projetos em parceria com africanos, mas afirma que é uma vontade do país árabe estabelecer programas de cooperação entre a Embrapa e o Tunisian National Institute for Agronomical Reasearched (INRAT). Ele afirma que a Embrapa é uma instituição de pesquisa muito desenvolvida e na Tunísia o nível da pesquisa agrícola também é avançado.

De acordo com Abdelmajid, a cooperação entre o Brasil e a Tunísia, na área agrícola e pesca, está abaixo das expectativas. "Mas há uma vontade de ambas as partes para concretizar e promover ações. O estudo de alguns projetos ligados ao cultivo de cereais e silvicultura estão em andamento", disse o tunisiano. Além da cooperação, também há áreas nas quais o comércio agrícola entre os dois países pode crescer. A Tunísia pode exportar para o Brasil, segundo Abdelmajid, azeite de oliva e azeitonas em conserva.

Abdelmajid retorna ao seu país na quinta-feira e, segundo ele, que visitou o Brasil pela primeira vez, vai levar a imagem de um país cheio de potencialidades. "Oferece muitas oportunidades de parcerias e cooperação", diz. Segundo ele, o Brasil tem um "excelente presidente" assim como políticas de desenvolvimento social com fins humanitários e nobres. "O Brasil é um país modelo em um ambiente internacional marcado pelo protecionismo, incertezas econômicas e tensões sociais, disse.
 

As memórias de Daud Constantino Cury

São Paulo – Era dia 11 de setembro de 2001 quando o cineasta brasileiro Otavio Cury e sua família chegaram de férias à cidade de Homs, na Síria. Essa era a primeira vez que Otavio pisava no país árabe, terra que seu bisavô deixou em 1926 para vir ao Brasil. No único dia em que o cineasta ficou na cidade, descobriu um livro, de 500 páginas, escrito pelo seu bisavô, Daud Constantino Cury. "Foi assim que surgiu a vontade de investigar a história, as memórias perdidas do meu bisavô", afirmou à ANBA o cineasta e produtor da Outros Filmes, que até o final do ano concretiza o longa-metragem Constantino, que tem como base a história do bisavô.

Raquel Brust Raquel Brust

Otavio já tem 100 horas de filmagem



A tradução do livro, do árabe clássico para o português, começou em 2007, em São Paulo, por um iraquiano que mora no Brasil. Com algumas traduções na mão, Otavio foi em busca de mais informações. Foi ao consulado da Síria em São Paulo e ao Centro Cultural Árabe Sírio. "Fui filmando todos os lugares e as conversas que eu tinha, pensava que poderiam ser usadas para montar um roteiro e buscar financiamento", disse Cury.

De acordo com ele, no final de 2008 o projeto do Constantino conseguiu dois financiamentos, um pelo Programa de Fomento ao Cinema Paulista, da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, e outro pelo Iran Documentary Fund (IDF), fundo de fomento ao documentário do Irã. "Mesmo assim ainda estamos atrás de fundos adicionais", acrescentou o cineasta.

Com o dinheiro na mão, Cury e sua equipe, com mais três pessoas, incluindo a fotógrafa gaúcha Raquel Brust, viajaram para Síria em 2009 para começar as gravações. No período de um mês, a equipe, com autorização do governo sírio e com a ajuda da embaixada brasileira em Damasco, deu início às gravações e às pesquisas mais aprofundadas sobre a história de Constantino. "Quando voltei para Homs, o que eu descobri foi algo 50 vezes maior e mais emocionante do que eu achava (sobre o seu bisavô)", afirmou o cineasta.

Raquel Brust Raquel Brust

Otavio (D) conversa com um primo em Homs

Em Homs, Cury percebeu que seu bisavô, além de ter sido professor de Matemática - que era a única informação da qual ele tinha conhecimento antes de encontrar o livro - foi poeta, jornalista, dramaturgo, compositor, músico, ativista e professor de Artes. Segundo o cineasta, seu bisavô foi um dos únicos professores cristãos a ensinar em Homs no século 19, num país que vivia há quatro séculos sob dominação otomana.

"Descobri que ele fundou o primeiro jornal da cidade de Homs, que existe até hoje, e achei todos os artigos escritos por ele", contou Cury, que visitou a redação do Jornal Homs, fundado em 1909. Outra descoberta foi uma igreja, onde os músicos ainda cantam uma música composta por Constantino nas missas. "Eu também fui a duas escolas em que ele deu aula e que ainda funcionam normalmente na cidade", disse Cury.

Segundo o cineasta, seu bisavô também foi uma pessoa muito importante na história do teatro sírio. Constantino teve ligação com Abu Khalil Al-Qabbani, considerado o pai do teatro árabe e principal autor da Renascença Árabe. Os dois trabalharam juntos no teatro Khan Al-Zait, em Damasco, e depois Constantino o levou para Homs quando o teatro de Al-Qabbani foi incendiado pelos turcos.
Raquel Brust Raquel Brust

Artigo do Jornal Homs escrito por Constantino



"Esse filme vai ir além da história do meu bisavô. Vai acabar falando do período do final do Império Otomano, que teve duração de 400 anos", disse Cury, que já tem 100 horas de gravação. Com os desdobramentos das pesquisas e as novas descobertas da história de seu bisavô, Cury acabou indo filmar também na Jordânia, Líbano e Turquia. "Faz quatro anos que estou trabalhando nesse filme. Agora já está tudo filmado e estamos em fase de montagem", acrescentou ele, que deve lançar o filme nos cinemas em 2011.

Paralelamente ao filme, Cury e a fotógrafa Raquel Brust vão lançar um livro de fotos e poesias, com as imagens do making off da viagem e alguns textos de convidados especiais, inclusive poemas do Constantino. O livro vai ser publicado em três idiomas, português, árabe e inglês. "Estamos atrás de patrocínio para essa publicação", disse Cury, que tem recebido apoio de muitas pessoas e instituições árabes e brasileiras.

Flávio Kehdi Flávio Kehdi

O filme deve ser lançado em 2010

De acordo com o cineasta, o início do trabalho, que envolvia a tradução e as pesquisas, foi bem difícil e desgastante. "Cheguei a desistir algumas vezes", disse. "Um pouco depois da euforia, de se emocionar muitas vezes, talvez me sinta um pouco mais sírio, mas não sou sírio. Passei a admirar a história e a cultura dessa gente, que são pessoas incríveis, generosas e hospitaleiras", afirmou.

Memórias de Otavio

Otavio Cury, 38 anos, é formado em Agronomia pela Universidade de São Paulo (USP), mas nunca exerceu a profissão. Aos 30 anos resolveu fazer Cinema e a primeira produtora na qual trabalhou foi a Mutante Filmes, em São Paulo, de onde saiu o seu primeiro documentário, Cosmópolis, em 2005. "O vídeo nasceu com os 450 anos da cidade de São Paulo. Resolvemos fazer um filme sobre a cidade e mostrar a participação que os imigrantes tiveram na história da cidade", disse Cury, que dirigiu o documentário junto com Camilo Tavares e Cói Belluzzo.

Marina Sarruf/ANBA Marina Sarruf/ANBA

Otavio mostra livro escrito por seu bisavô

Entre os 12 personagens do filme estão um egípcio e dois sírios, que contam um pouco de suas histórias. O documentário agradou o público e foi selecionado para os principais festivais de cinema do Brasil e exibido em diversos festivais europeus. Este ano, após ganhar legendas em árabe, com patrocínio da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, o filme foi exibido na Síria. Resultado: mais duas apresentações já estão agendadas para este ano em Damasco.

Outro filme de Otavio, que está saindo do forno, é Xié, nome de um rio na Floresta Amazônica. O longa-metragem vai mostrar um grupo de cirurgiões voluntários da cidade de Campinas, interior de São Paulo, que viajam para a floresta amazônica e montam hospitais temporários para atender uma aldeia indígena, com mais de 500 pacientes em busca de operações. O filme deve ser lançado ainda este ano.
 
 
 
 

Campinas recebe exposição sobre Palestina

terça-feira, 4 de maio de 2010

São Paulo – Campinas, no interior de São Paulo, recebe até 14 de maio a exposição Palestina: Vida e Sangue. Organizada pelo Instituto da Cultura Árabe (Icarabe) e pela Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários da Universidade de Campinas (Unicamp), a mostra exibe dez filmes sobre o drama palestino, além de imagens dos fotógrafos Rogério Ferrari e Aline Baker feitas nos territórios ocupados da Cisjordânia e da Faixa de Gaza.

Rogério Ferrari Rogério Ferrari

Resistência das pedras contra os tanques



Em "Retratos da vida palestina", Aline Baker, brasileira de família palestina, exibe 36 fotografias feitas em 2008 na Cisjordânia, mostrando a vida cotidiana de seus habitantes, rodeados por postos de controle e soldados israelenses.

"A eloquência do sangue", de Rogério Ferrari, reúne 30 fotografias feitas entre janeiro e abril de 2002 na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, e destaca a resistência da população palestina contra os tanques de guerra de Israel.

Já os filmes dividem-se entre longas e curtas-metragem de ficção e documentários, produzidos por países árabes, França e Estados Unidos.

Serviço

"Palestina: vida e sangue" – Mostra de filmes e exposições fotográficas
De 29 de abril a 14 de maio (de segunda à sexta-feira)
Horário: das 8h30 às 22 horas
Sessões cinematográficas diárias às 16 e às 19 horas

Local: Espaço Cultural Casa do Lago
Rua Érico Veríssimo, s/nº, Cidade Universitária Zeferino Vaz, Barão Geraldo, Campinas/SP
Tel.: (19) 3521-7851
Entrada gratuita
 

O problema dos requerentes de asilo da Nigéria na Suíça

quinta-feira, 22 de abril de 2010

A Organização Suíça de Ajuda aos Refugiados (Osar) aponta a complexidade do problema, adverte contra processos abreviados e insiste na importância de respeitar o Estado de Direito.

"Queremos atacar principalmente o problema dos nigerianos. Eles fizeram o maior número de pedidos no ano passado, quase 1,8 mil – 99,5% sem a mínima chance de poder ficar na Suíça. Eles não vêm para para cá como refugiados e sim para fazer transações ilegais", disse Alard du Bois-Reymond, o novo diretor da Secretaria Federal de Migração (SFM), ao jornal NZZ am Sonntag.

"Grande parte deles acaba cometendo pequenos delitos ou se envolve com o tráfico de drogas. Esta é uma triste realidade", acrescentou du Bois-Reymond.

Por isso, a SFM quer criar um grupo de trabalho com representantes da confederação e dos cantões, que deve propor medidas até o próximo verão europeu. "O objetivo é reduzir o tempo de trâmite dos pedidos de asilo e acelerar o regresso após uma decisão negativa.

Partido pede ação imediata

Agora é preciso "fazer o trabalho até o fim", disse Hans Fehr, deputado federal Partido do Povo Suíço (SVP), também conhecido como União Democrática de Centro (UDC), maior partido da Suíça, que há anos pede ações mais duras contra os requerentes de asilo infratores. "Trata-se de obter os documentos e determinar a identidade. Agora é preciso agir."

Não é tão simples assim, afirma a Organização Suíça de Ajuda aos Refugiados (Osar) . "Outros diretores SFM já esbarraram neste problema", diz Beat Meiner, secretário-geral da Osar, à swissinfo.ch: "Autoridades de outros países são igualmente confrontadas com ele. Se o senhor Bois-Reymond resolvesse o problema, ele seria um homem muito requisitado."

Uma ação dura "é importante e correta em determinadas situações", admite o deputado federal social-democrata Andy Tschümperlin. "Mas não se deve esquecer que cada caso leva tempo para ser julgado."

Via judicial leva tempo

Bois-Reymond quer reduzir este fator tempo. "É um fato que certos requerentes nigerianos zombam da ingenuidade dos suíços e exploram os pontos fracos do processo de asilo. Para mim está claro: somos atraentes demais como país de asilo para requerentes fraudulentos. A Suíça lhes dá tempo demais para fazer negócios escusos aqui."

Pessoas que "não têm motivo algum para proteção e ainda por cima atuam criminososamente devem voltar o mais rapidamente possível" ao seu país, diz também Meiner. "Prejudicaria muito os interesses dos refugiados se tivéssemos tal situação e a tolerássemos."

Para a Osar, no entanto, está claro que o "processo de asilo deve seguir os princípios do Estado de Direito. Deve haver também um meio jurídico para que a Justiça possa corrigir eventuais decisões errôneas das autoridades", afirma Meiner.

A maioria dos pedidos é rejeitada

"Há boas razões para fugir da Nigéria", diz Meiner. Ele lembra "a péssima situação dos direitos humanos e a grande pobreza" neste país com 150 milhões de habitantes de mais de 400 diferentes grupos étnicos. Tortura, conflitos armados e perseguições estão na ordem do dia na Nigéria.

No entanto, em 2009, a Suíça aprovou apenas um único pedido de asilo de um requerente da Nigéria. Seis pessoas que tiveram seus pedidos negados receberam autorização de permanência preliminar. A maioria dos cerca de 1,8 mil pedidos foi indeferida.

Não é a história real

Isso, segundo Meiner, tem a ver principalmente com o fato de que a maioria dos nigerianos "conta as mesmas histórias estereotipados, curtas e não credíveis" e não a sua verdadeira biografia. "Por causa dessas histórias, a rejeição dos pedidos de asilo provavelmente ocorre com razão", diz. "As organizações filantrópicas que acompanham a audiências também veem isso assim."

Segundo Meiner, as organizações humanitárias não têm uma explicação fundada para o fato de que os requerentes de asilo da Nigéria não contem sua história real. "Podemos apenas especular sobre isso. É claro que as pessoas têm de juntar muito dinheiro para a sua viagem à Europa."

Fator medo

Pode ser que eles tenham de fazer um juramento com motivação religiosa que também envolva magia, acrescenta Meiner. "Provavelmente por razões que nós não conseguimos entender, as pessoas têm medo de que, se falarem, algo de ruim possa acontecer. Por isso, elas silenciam."

Além disso, há o problema da falta de documentos, o que, no caso da rejeição do pedido de asilo na Suíça, causa problemas. Todos país de origem só aceita a devolução de refugiados se a sua identidade e, por conseguinte, a sua cidadania for comprovada.
Fonte: http://www.swissinfo.ch/por/sociedade/O_problema_dos_requerentes_de_asilo_da_Nigeria_na_Suica.html?cid=8664028

Andreas Keiser, swissinfo.ch - Adaptação: Geraldo Hoffmann

Dica de site - Futebol na Áfica

Eis aqui o link do que se diz ser o maior site sobre futebol da África :
 
O link abaixo cai na página da nigéria rs, minha favorita né!
 

France to ban full Islamic veil from public spaces

Notícia:
 
PARIS — The French government will ban Muslim women from wearing a full-face veil in public, despite a warning from experts that such a law could be unconstitutional, it announced Wednesday.

The spokesman for President Nicolas Sarkozy's government said a bill would be presented to ministers in May and would seek to ban the niqab and the burqa from streets, shops and markets and not just from public buildings.

"We're legislating for the future. Wearing a full veil is a sign of a community closing in on itself and of a rejection of our values," Luc Chatel told reporters, on leaving a cabinet meeting chaired by Sarkozy.

Last month, the State Council -- France's top administrative authority -- warned Sarkozy against a full ban on the veil, suggesting instead an order that women uncover their faces for security checks or meetings with officials.

"It appears to the State Council that a general and absolute ban on the full veil as such can have no incontestable judicial basis," it said, suggesting a full ban could be declared unconstitutional and overturned in court.

Prime Minister Francois Fillon insisted the government would go ahead anyway, taking the risk that the eventual text would be struck down by the constitutional court, because of the importance of the issue.

"If we are convinced that it's a question of human dignity we can't let ourselves be over-cautious about respecting laws that are no longer appropriate for today's society," he said.

"We have to develop the jurisprudence of the constitutional court and of the European Court of Human Rights in order to confront a new question that no-one was asking 20 years ago."

There is strong support in parliament for such a ban and the government is determined to press on with a law, which it says would affect only around 2,000 Muslim French women who currently cover their faces.

According to Chatel, Sarkozy told his cabinet the veil was an "assault on women's dignity".

Most Muslim women, in France's immigrant communities and around the world, do not wear a full veil, but the niqab, which covers the face apart from the eyes, is widely worn on the Arabian peninsular and in the Gulf states.

The burqa, a shapeless full-body cloak that covers the face with a fabric grille, is worn in some areas of Pakistan and Afghanistan.

Muslim scholars differ in their interpretation of the Koran's rules on what constitutes modest dress, and many argue veils are a cultural tradition rather than a religious obligation.

In France, the garments are widely identified with fundamentalist strains of Islam and with the repression of women in some communities, and politicians accuse radical clerics of promoting their use.

"We're not going to let this phenomenon drift," Chatel said.

France's neighbour Belgium is also preparing legislation, and could become the first European country to ban the full veil when a bill goes before parliament during a plenary session from Thursday.

In France the idea of banning the veil has won support from across the political spectrum.

Members of Sarkozy's right-wing UMP party have been pushing him to enact tough legislation, but left-wing lawmakers were also among those who welcomed the decision to draft the law.

An association set up to defend the rights of women in France's immigrant ghettos -- "Neither Whores Nor Submissives" -- hailed Sarkozy's decision as a "victory for women".

"I ask lawmakers to have the courage to back a law to protect and free women. Let's hear the voices of those who are fighting green fascism," said chairwoman Sihem Habchi, referring to the traditional colour of Islam.

Outside France, North African militants with ties to Al-Qaeda have threatened attacks on French interests if the law is passed and US President Barack Obama has made it clear he does not support Europe's moves.
 

Two veiled muslim women walk down a street in Marseille

 

Veiled women walk in a corridor of a Paris subway station

 

Women stand by a fashion stall during the annual meeting of French Muslims

 
Fonte: AFP
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Notícia:

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, ordenou hoje a elaboração de um projeto de lei com o objetivo de impedir mulheres muçulmanas de utilizarem, na rua e em outros locais públicos, tradicionais véus islâmicos que cobrem o rosto. Na tentativa de impedir o uso do véu feminino em lugares públicos, Sarkozy preferiu ignorar as recomendações de especialistas consultados pelo governo segundo os quais tal medida provavelmente seria declarada inconstitucional.

A decisão de buscar uma proibição total, e não limitada, pegou os analistas políticos de surpresa. Caso o projeto de lei vá adiante, a França se colocaria na mesma posição de países como a Bélgica, que se mobiliza para proibir totalmente o uso do véu por considerar que a cultura islâmica estaria em conflito com "valores europeus".

Sarkozy já declarou em diversas ocasiões que considera os véus islâmicos um mecanismo de opressão à mulher e que seu uso "não é bem-vindo" na França. Luc Chatel, porta-voz do governo francês, disse hoje, depois da reunião semanal de gabinete, que o presidente decidiu seguir adiante com a ideia de apresentar em maio um projeto de lei ao Parlamento com o objetivo de banir totalmente o uso da burca e de outros véus similares em público.

"Isto é um transgressão, ou até mesmo uma agressão, no que concerne à liberdade do indivíduo", denunciou Abdellatif Lemsibak, integrante da Federação Nacional de Muçulmanos da França. "Os muçulmanos têm o direito a uma manifestação ortodoxa de sua religião. Estou chocado", prosseguiu.

A França é um país secular que abriga a maior população islâmica da Europa, estimada atualmente em cerca de 5 milhões. As autoridades locais consideram o véu incoerente com a igualdade entre os gêneros ao mesmo tempo em que temem a disseminação de uma forma radical do Islã dentro de suas fronteiras.

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,sarkozy-quer-elaboracao-de-lei-para-proibir-veu-islamico,541319,0.htm

Bélgica dá mais um passo na proibição do véu islâmico



 

A Câmara Baixa do Parlamento vota hoje o projecto de lei que tem como objectivo proibir o uso do véu islâmico no país.

Se a decisão for confirmada nesta sessão plenária, a Bélgica pode tornar-se o primeiro país europeu a interditar  todo o tipo de vestuário que esconda a cara, deixando apenas os olhos à vista, uma medida que, sem os nomear, se refere aos véus islâmicos totais, como a "burqa" e o "niqab".

Os promotores do projecto de lei apresentaram-no como uma medida de promoção à emancipação das mulheres e de garantia da segurança no espaço público, onde cada pessoa deve ser reconhecível.

A Human Rights Watch (HRW) e a Amnistia Internacional (AI) opuseram-se à proibição do uso de véu integral.

Aluna espanhola impedida de ir às aulas

Najwa Malha soube esta semana que dificilmente voltará a estudar com os colegas do Instituto Camilo José Cela, em Pozuelo de Alarcón, nos arredores de Madrid.

O Conselho de Escola recusou mudar o regulamento interno que a impede de ir às aulas por usar um lenço a cobrir-lhe o cabelo.
"As proibições desta ordem criam uma situação em que toda a gente sai a perder", afirmou, em comunicado, Judith Sunderland, uma investigadora da HRW. "Elas violam os direitos das mulheres que escolheram usar [o véu] e não ajudam nada as que são obrigadas a fazê-lo", acrescentou.

Também a AI apelou ao Parlamento belga para que não aprove esta lei proibitiva. Claudio Cordone, secretário-geral interino da organização, afirmou que "uma proibição geral contra usar o véu em público viola os direitos de liberdade de expressão e religião das mulheres que querem expressar as suas crenças".

"As autoridades devem garantir que as mulheres que decidam usar o véu podem fazê-lo sem coação, sem acusações e sem discriminação", acrescentou.

Na Europa, a França é o único país que proíbe o hijab nas escolas. Noutros países, como na Bélgica e na Holanda, isso depende do estabelecimento de ensino. Na Alemanha e na Áustria, os governos consideram que as alunas muçulmanas têm direito a cobrir a cabeça e que o contrário seria atentar contra a liberdade religiosa e até ilegal à luz da Constituição e da Declaração Europeia dos Direitos Humanos.
 

Bélgica vota lei que proíbe véu islâmico que cobre o rosto

HUMMM Duro golpe contra o Islamismo... será que a moda vai pegar? Vamos ver como vão reagir os países islâmicos.
 
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Notícia:
 
A Bélgica pode se tornar nesta quinta-feira o primeiro país da União Europeia a proibir o uso do véu islâmico que cubra o rosto em lugares públicos se o Parlamento nacional aprovar em sessão plenária uma proposta de lei que prevê penas de prisão para os contraventores.

A proposta legislativa já foi aprovada por unanimidade na comissão de Interior do Parlamento no dia 31 de março e proíbe os cidadãos de circular "em locais públicos com o rosto coberto ou dissimulado total ou parcialmente, de maneira que não seja identificável".

Isso inclui ruas, lojas e edifícios públicos, com exceção apenas de festividades permitidas pelas autoridades, como desfiles de carnaval, o que dá à interdição uma abrangência inédita.

Algumas cidades belgas já contam com leis locais que proíbem o uso de acessórios que cobrem o rosto do cidadão, mas a interdição se limita a escolas ou a edifícios da administração pública.

De acordo com a atual proposta, os infratores estarão sujeitos a multas de entre 82,50 e 137,50 euros e, no caso de reincidir, poderão ser detidos por entre um e sete dias.

Liberdade

Apesar de o texto não mencionar especificamente os véus islâmicos - a burca, que cobre todo o rosto, ou o niqab, que deixa apenas os olhos descobertos -, seus defensores deixaram claro que são eles os objetivos da iniciativa.

"Trata-se de uma questão de dignidade humana. O véu que cobre todo o rosto faz da mulher uma prisão ambulante. Usar uma burca em público não é compatível com uma sociedade aberta, liberal e tolerante", argumenta o relator da proposta, Daniel Bacquelaine, do partido liberal francófono MR.

Para a deputada Leen Dierick, do partido conservador flamengo CD&V, "o que está em questão não é uma redução da liberdade religiosa, mas a segurança pública e a necessidade de mostrar o rosto em público".

A proposta é criticada por associações islâmicas e de defesa dos direitos humanos, como Human Rights Watch, que considera que a lei "violaria os direitos de quem decide usar (os véus islâmicos) e não ajudaria em nada aqueles que são obrigados a fazê-lo".

"A Bélgica se juntaria ao Irã e à Arábia Saudita no seleto mas pouco invejado clube de países que prescrevem uma norma de vestimenta para os espaços públicos", disse ao diário belga Le Soir o muçulmano e estudioso Michaël Privot, que se opõe ao uso do véu facial.

Em sua opinião, "tentar liberar contra sua vontade as pessoas que escolhem se isolar ou viver à margem da sociedade é uma aberração".

Maioria

O uso dos véus islâmicos em lugares públicos também está sendo debatido pelo governo francês e causa polêmica em muitos países europeus, onde a população muçulmana vem aumentando.

A principal revista francófona da Bélgica, Le Vif, traz esta semana uma reportagem de capa de dez páginas argumentando que a população de Bruxelas poderá ser majoritariamente muçulmana em 2030.

Na falta de estimativas oficiais sobre essa evolução, o semanário cita um estudo realizado em 2008 por Olivier Servais, antropólogo da Universidade Católica de Louvain (UCL), que afirma que 33,3% do 1 milhão de habitantes da capital belga eram muçulmanos nesse ano e que, se a tendência atual de crescimento populacional for mantida, essa porcentagem deverá superar os 50% dentro de 15 ou 20 anos.

Mas de acordo com o instituto governamental belga Centro para a Igualdade de Chances, cerca de 650 mil muçulmanos vivem atualmente na Bélgica, o equivalente a 6% da população.
 

Refutando a ideia de opressão e desrespeito às mulheres muçulmanas

Encontrei esse artigo e achei bem interessante. É um estudo, com bastante referências e argumentação. Lá no site, de onde peguei, não há espaço para comentários, mas aqui no blog sim, por isso comente!
 
Hesdras Sérvulo Souto de Siqueira Campos Farias

Desde pequenas, as crianças ocidentais aprendem que o senhor do universo criou primeiramente o homem, "e formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente"(Gênese: 2, 7), para depois, de uma costela sua, criar a mulher, "Então o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu: e tomou um das suas costelas, e cerrou a carne em seu lugar; e da costela que o Senhor Deus tomou do homem, formou uma mulher: e trouxe-a a Adão" (Gênese: 2, 21 e 22). Aprendem ainda que Eva foi quem cometeu o primeiro erro quando comeu o fruto proibido e induziu Adão (o homem) a comer também: "Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e árvore desejável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto e comeu e deu também ao marido, e ele comeu" (Gênese: 3, 6). A ideia de que a mulher foi a causadora desse "erro gravíssimo" é corroborada mais à frente com o seguinte trecho: "Então, disse o homem (Adão): A mulher (Eva) que me deste por esposa, ela me deu da árvore e eu comi"(Gênese 3, 12). Analisando bem essas passagens bíblicas, alguém pode perfeitamente indagar, porque a mulher foi à causadora dos problemas da humanidade e não o homem? Porque o homem não foi tentado, ao invés da mulher? Será que este fato levou a mulher a ser desprezada e satanizada ao longo dos séculos?

Talvez, esta seja uma forma sutil de colocar a mulher em um degrau inferior da criação humana. Ao logo dos séculos, a mulher foi sinal de mau agouro, tentação, pecado, permissividade, e houve ainda quem a associou ao demônio. Sua fragilidade, sua beleza e suas silhuetas eram para muitos uma armadilha perigosa que tinha o objetivo induzir o homem a praticar atos "pecaminosos", como a luxúria e a imoralidade. Por isso, ser mulher era estar sempre aprisionada, pulando da teia de uma aranha para as presas de uma serpente. E foram algumas religiões que mais sustentaram e divulgaram essas ideias misóginas.

A condição da Mulher será analisada nesse trabalho na perspectiva islâmica, baseando-se no que diz o Alcorão. A ideia dessa pesquisa surgiu a partir da conversão de uma aluna curso de ciências sociais da Universidade Federal Rural de Pernambuco, que começou a usar roupas tipicamente islâmicas, causando inquietações e curiosidade dentro academia. Contrastando com o clima quente do nordeste - e até mesmo com a ideia defendida por Gilberto Freire, de que quanto mais quente o lugar, menos roupas deveriam ser usadas -, ela jamais deixou de usar o véu e roupas longas, por convicção e livre e espontânea vontade. Por que alguém, que outrora tinha um estilo de vida cristão-ocidental, não se incomodou em usar roupas islâmicas, e mais ainda, relevar os julgamentos pré-concebidos das demais pessoas? Tentaremos entender como isso acontece e como a mulher é vista e tratada no Islã.


1. A MULHER NAS VÁRIAS CIVILIZAÇÕES

Homens e mulheres, desde a aurora dos tempos, têm diferentes papéis, funções e responsabilidades de acordo com o ethos de cada civilização. Passeando por algumas destas, veremos qual era o local, o papel e a importância da mulher.

Entre os gregos, a mulher era totalmente desprovida de qualquer direito, inclusive o de administrar seus próprios bens, pois isso ficava a cargo do marido, que também tinha o direito de vendê-la se assim desejasse. Alguns homens chegavam a ter medo das mulheres, acreditavam que elas eram obra do satanás.

Para os antigos indianos, era comum a mulher ser servida como oferenda. Isso acontecia com os adoradores das árvores, quando queriam agradar sua deusa, ofereciam uma moça. Nas diversas crenças existentes na Índia, todas têm em comum o desprezo e a humilhação das mulheres.

Entre os antigos romanos, os homens sempre esperavam que suas esposas tivessem um filho, quando ocorria de nascer uma filha, caso não fosse desejada pelo pai, poderia ser deixada em praça pública para morrer. Caso fosse criada, quando chegasse à mocidade, ficava obrigada a permanecer sob autoridade do chefe da família até se casar.

Para os antigos judeus, era comum a mulher sempre se casar com alguém da sua tribo. Caso ela se casasse com alguém de uma tribo diferente, não poderia levar sua herança, provavelmente para evitar o enriquecimento da outra tribo. Segundo a Torá, a mulher foi quem pecou primeiro ao comer o fruto proibido, "E vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela" (Gênese. 3: 6). E mais à frente mostra que Adão não teve culpa alguma, "Então disse Adão: A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi" (Gênese 3:12). Portanto, mais uma vez a mulher foi a causadora dos problemas da humanidade.

Para os primeiros cristãos, a figura da mulher também era associada ao pecado e ao satanás. Santo Teotônio chegou certa vez a dizer: "A mulher é uma porta através do qual o satanás penetra na alma do ser humano, é destruidora das leis de Deus e prejudicadora da imagem de Deus". Assim como Teotônio, Santo Agostinho também reproduziu um discurso misógino ao dizer: "A mulher é um mal indispensável, um problema desejado e representa perigo contra a família e o lar. Ela é amada perigosa e uma calamidade camuflada." (WAHDAN, s/d. p. 21 à 22)

No século V, durante o Concílio de Macon, discutiu-se se a mulher era um corpo provido ou desprovido de alma. E a conclusão à qual a Igreja chegou foi que a mulher não tem uma alma livre do inferno, com exceção de Maria, mãe de Jesus. (CUNHA, 1995)

Segundo Mustafá Assibá'i, em 586 d.C, em um congresso na França, chegou-se a cogitar a possibilidade de a mulher não ser humana, mas acabaram concluindo que ela foi criada apenas para servir ao homem. (1)

Outro evento curioso aconteceu na Rússia Czarista, por volta de 1790. Na época havia um ditado que dizia: "Assim como uma galinha não é um pássaro; a mulher não é um ser humano". (ROSA. s/d)

Na Arábia pré-islâmica não era diferente das outras culturas. O desprezo, a humilhação e o desrespeito eram rotinas para a mulher. Muitas vezes, quando nascia uma menina, com medo de que ela fosse sequestrada por tribos inimigas ou que pudesse, no futuro, fazer algo que desonrasse a família, os pais a enterravam viva. No Iêmem e em Yatrib (atual Medina), era de costume a mulher fazer parte da herança, podendo inclusive, ser herdada por duas pessoas. E cabia a ambos o destino dela. Tanto podia casar-se com o filho do falecido como comprar sua liberdade, caso tivesse condições suficientes para isso. A mulher era tida literalmente como um objeto. Este sistema só acabou com a revelação do Islã, que passou a proibir o procedimento, como explica o Alcorão (Surata: 4.19): "Ó vós que credes! Não vos é lícito herdara às mulheres, contra a vontade delas. E não as impeçais de se casarem de novo (...)"



2. A MULHER E O ISLAMISMO:

A condição da mulher é hoje muito discutida em congressos e fóruns mundiais que têm a mulher como eixo central dos debates. O ocidente costuma dirigir muitas críticas ao Islã por tratar, na sua visão, a mulher com desrespeito e humilhação. Quem faz tais afirmativas desconhece por completo o islamismo. Poucas pessoas sabem, por exemplo, que o primeiro muçulmano, foi uma mulher, Khadija, esposa do Profeta Muhammad (chamado de Maomé nas línguas latinas). Ela foi a primeira pessoa a quem o Profeta falou da Revelação e foi quem o apoiou nos momentos mais difíceis, incentivando-o nas pregações ao povo. Portanto, Khadija foi a primeira pessoa a aceitar o Islã. (ABD'ALLAH. 1989).

O Alcorão, livro Sagrado do Islã, assegura uma série de direitos às mulheres, direitos que outrora inexistiam, em qualquer que fosse a sociedade ou religião. Inclusive, alguns direitos, apenas ela possui, refutando a ideia de que a mulher é desprovida de direitos que assegurem sua dignidade no islamismo. O livro ainda reserva uma Surata, mais precisamente a quarta, inteira só para a mulher, a chamada Suratu An-Nissá (A sura das mulheres). Para facilitar uma melhor compreensão, o texto será separado em três âmbitos: social, econômico e espiritual.

2.1 A mulher no contexto social:

A vida
O primeiro e fundamental direito de qualquer ser humano é o direito à vida, e o Alcorão assegura esse direito:

"...Quem mata uma pessoa, sem que esta haja matado outra ou semeado corrupção na terra, será como se matasse todos os homens. E quem lhe dá a vida será como se desse a vida a todos os homens..." (Surata 5:32)

A proteção e a reputação
Era costume de alguns homens, quando não queriam mais suas mulheres, caluniarem e difamarem sua honra, causando severas punições a elas. O Alcorão tem uma lei que proteje a mulher desses incidentes:

"E aos que acusam de adultério as castas mulheres, em seguida, não fazem vir quatro testemunhas, acoitai-os com oitenta açoites, e, jamais, lhes aceiteis testemunho algum; e esses são os perversos." Surata (24:4)

O trabalho
Dentre os vários argumentos que os detratores do Islã usam está o de dizer que a mulher muçulmana não pode trabalhar. O Islã diz que o homem é quem tem obrigação de cuidar e prover uma família, mas isso não impede que a mulher trabalhe, desde que seu trabalho não a impeça de cuidar da família e da educação dos filhos. Isso porque ela é a fonte de alegria, de carinho e dos bons valores. O trabalho dignifica o ser humano, independendo do sexo, e o Islã é uma religião que incentiva o trabalho e a instrução. Na história do Islã houve grandes mulheres que trabalharam, como Khadija, primeira esposa do Profeta, era uma grande comerciante na Arábia. Zaynad, outra esposa do Profeta, era uma grande artesã, além da senhora Rafida al Asslamia, que dedicou a vida a cuidar dos doentes e feridos na Mesquita do Profeta. Contam que na época do califa Omar Ibn al Khattab, a fiscalizadora geral do mercado era Axiffá, uma sábia mulher. Portanto, dizer que a mulher no Islã é proibida de trabalhar é um embuste. (WAHDANI, s/d).

A educação
No mundo islâmico, a educação também é assegurada a todos, homens e mulheres, além de ser gratuita, como a saúde. Ambas são de boa qualidade. Esse hadice (2) deixa isso claro: "Buscar o conhecimento é um dever de todo muçulmano e muçulmana (3)". Contam que Aisha era especialista em leis que tratavam de herança e sobre o que era lícito e Ilícito. Ela foi muito mencionada por diversos juristas por ter convivido bastante com o Profeta Muhammad. Chegaram até a dizer que ela era a mais eloquente dos árabes. (WAHDANI, s/d). A educação sempre foi prioridade no mundo islâmico. O Profeta costumava dizer: "Buscai o conhecimento até na china" e ainda "Procurem a sabedoria do berço até túmulo."

O direito de falar e ser ouvida:
Durante séculos a mulher foi proibida de opinar sobre qualquer assunto, sua opinião era jamais consultada e sua voz jamais ouvida. E isso aconteceu até alguns poucos anos atrás. O Islã deu liberdade de expressão às mulheres, sobre qualquer assunto que desejassem opinar. O próprio Profeta consultava sua esposa Khadija sobre tudo e sempre seguia seus conselhos e ficava alegre ao ouvi-los.

O direito de escolher seu marido:
Apesar disto ter sido incomum em muitas culturas, inclusive na Arábia pré-islâmica, o Islã proibiu categoricamente que a mulher fosse forçada a casar-se sem o seu consentimento. Ninguém poderia forçá-la, fosse o pai, o irmão ou o tutor. Percebemos o zelo que o Profeta Muhammad tinha com as mulheres quando disse (4):

"Quanto mais cívico e amistoso for um Muçulmano para com a sua esposa mais perfeita é a sua fé." (Hadice compilado por Tirmidhi).

"Os crentes mais perfeitos são os melhores em conduta, e os melhores de entre vós são aqueles que são melhores para as suas esposas." (Ibn Hanbal).

"É o generoso (em caráter) aquele que é bom para as mulheres, e é fraco aquele que as insulta".

Para o Profeta, a mulher não é "um instrumento do demônio", mas, sim, uma "Muhsanah", ou seja, uma fortaleza contra satanás.

Isonomia na lei entre homens e mulheres:

A lei islâmica não faz distinção entre homens e mulheres, ao contrário do acreditam algumas pessoas. Veremos o que o Alcorão diz sobre o adultério, o roubo e o assassinato:

"À adúltera e ao adúltero (5), açoitai a cada um deles com cem açoites. E que não vos tome compaixão alguma por eles, no cumprimento do juízo de Allah, se credes em Allah e no Derradeiro Dia. E um grupo de crentes testemunhe o castigo de ambos". (Surata: 24:2)

"E ao ladrão e à ladra, cortai-lhes a ambos, a mão, como castigo do que cometeram, e como exemplar tormento de Allah. E Allah é Todo-Poderoso, Sábio" (Surata: 5:38)

"Ó vós que credes! está-vos preceituado o talião para o homicídio: livre por livre, escravo por escravo, mulher por mulher. Mas, se o irmão do morto perdoar o assassino, devereis indenizá-lo espontânea e voluntariamente. Isso é uma mitigação e misericórdia de vosso Senhor. Mas quem vingar-se, depois disso, sofrerá um doloroso castigo". (Surata: 2:178)

Depois destes versículos, fica claro que não existe privilégio para o homem, a lei é aplicada a quem a transgride, independentemente da condição social, da cor ou do gênero.


2.2 A mulher no contexto econômico:

Herança
Se a mulher era desprovida do direito, inclusive, de se expressar, nem se cogitava a possibilidade dela possuir algum bem. O direito de herança foi assegurado à mulher pelo Islã, pois era de costume deixá-las despossuídas, sempre dependendo de maridos, filhos ou irmãos.

''Aos filhos varões corresponde uma parte do que tenham deixado os seus pais e parentes. Às mulheres também correspondem uma parte do que tenham deixado os pais e parentes, quer seja exígua ou vasta, uma quantia obrigatória" (Surata: 4:7)

"Allah recomenda-vos, acerca da herança de vossos filhos: ao homem cota igual à de duas mulheres. Então se foram mulheres, duas ou acima de duas, terão dois terços do que deixa o falecido. E, se for uma, terá a metade.(...)" (Surata 4:11)


O Mahr (Dote):
É costume entre homens muçulmanos presentearem suas futuras esposas com o mahr, que equivaleria a uma espécie de dote. Na verdade, o mahr é um presente matrimonial, incluído no contrato nupcial e intransferível, pertencendo somente à esposa e não aos pais ou tutores como acontecia na Europa, na Índia e na Arábia pré-islâmica.

"E Concedei às mulheres, no casamento, seu mahr, como dádiva. E, se elas vos cedem, voluntariamente, algo destas, desfrutai-o, com deleite e proveito" (Surata: 4:4)

O Direito de Trabalhar:
Não existe nenhuma regra no Islã que proíba a mulher de trabalhar, sempre que houver necessidade. Na sociedade muçulmana a mulher tem um papel extremamente essencial, o de mãe e de educadora dos filhos. Ela é a fonte de exemplos e boas maneiras. O Islã ensina também a divisão do trabalho, para que trabalhos mais pesados, insalubres e fora de casa fiquem a cargo dos homens. É bom frisar que o trabalho da mulher não deve violar sua natureza pura e casta.

Se por longos anos, os teóricos religiosos sustentaram a ideia de que a mulher (Eva) trouxe o inferno para a terra, no Islã ela (a mulher) abriu as portas para se chegar ao paraíso. Segundo o Profeta Muhammad: "O Céu encontra-se sob os pés da tua mãe" (7).


2.3 A mulher no contexto espiritual

A Mulher, criação divina e possuidora de alma.
Nas tradições islâmicas, Maria, mãe de Jesus, é muito respeitada e citada várias vezes no Alcorão. Para os Muçulmanos, ela é um exemplo de mulher a ser seguida, sendo referência de idoneidade e pureza. Por suas qualidades foi escolhida por Deus para dar à luz Jesus, um dos mensageiros de Deus, "e lembra-lhes, Muhammad, de quando os anjos disseram: 'Ó Maria! Por certo, Allah te escolheu e te purificou, e te escolheu sobre as mulheres dos mundos" (Surata: 3, 42). Outro fato interessante é a existência de uma Surata no Alcorão intitulada de Suratu Maryam (A Sura de Maria).

O Alcorão cita ainda uma série de mulheres exemplares que se sobressaíram em diversas atividades, tanto em atividades profanas como religiosas, como é o caso da mãe do Profeta Moisés e das duas esposas de Abraão. (WAHDAN, s/d)

A mulher não é culpada:
Algumas culturas e escrituras religiosas condenaram Eva a uma pena demasiadamente longa e degradante. O Alcorão nos mostra que, diferentemente da Bíblia, Deus fala com Adão e não com Eva: "E Satã sussurrou-lhe perfídias. Disse: 'Ó Adão! Queres que te indique a árvore da eternidade e um reino, que jamais perecerá?" e mais adiante, "Então, dela ambos comeram..." (Surata 20: 120 e 121). Portanto, para o Islã, a culpa foi dos dois, que desobedeceram as ordens divinas, todavia se arrependeram, como mostra a Surata 7 versículo 23 "Disseram: 'Senhor nosso! Fomos injustos com nós mesmos e, se não nos perdoares e não tiveres misericórdia de nós, estaremos, em verdade, dentre os perdedores".

Assim sendo, para o Islã, Eva (a mulher) nunca foi culpada da queda do paraíso. A mulher não pode pagar por um erro que ela não cometeu, pelo menos, para os muçulmanos.

3. A INDUMENTÁRIA ISLÂMICA NOS DIAS ATUAIS:

As roupas costumam conter vários significados para diferentes povos. Em qualquer cidade ou país, a roupa representará grupos ou categorias. Ela fala bastante sobre nós, sobre como pensamos, nossos conceitos e até nossas posturas políticas. É comum as pessoas começarem a adotar um determinado tipo de roupa inspirado em seus ídolos ou líderes. Mohandas Gandhi, o grande líder do povo indiano, ao começar a usar a túnica branca, produzida manualmente por ele para boicotar as roupas inglesas, tanto inspirou as pessoas a fazerem o mesmo, como também fez com que elas adotassem uma postura política contrária ao domínio ocidental inglês. Também na Índia, o líder dos muçulmanos, M. A. Jinnah, fez o mesmo, ao deixar de lado os trajes ocidentais e usar roupas islâmicas, que representavam sua cultura, sua religião e sua postura diante do domínio inglês.

Durante alguns séculos, o véu foi sinônimo de sensualidade, de erotismo e de charme, pois remetia a ideia dos haréns do oriente, tão famosos nas Mil e Uma Noites. E esta imagem do oriente foi até bem pouco tempo cultuada. Hoje, quando as pessoas vêem uma mulher de véu, inevitavelmente associam à "opressão" sofrida pela mulher muçulmana (8).

A imagem de mulheres usando longos vestidos pretos e de rostos cobertos, sem poder andar sozinhas pela rua, sem voz e sem direitos, representa, hoje, a prática do Islã para o ocidente. A burca tornou-se até um símbolo da repressão, da submissão e do "atraso". O que acontece com a mulher no Afeganistão, como também em algumas regiões do Paquistão, sobre a forma de se vestir, não tem embasamento islâmico, se considerarmos que o Alcorão não manda a mulher cobrir o rosto.

As vestimentas femininas são explicadas na Surata 24, versículos 31, onde é recomendada que a mulher deva cobrir o pescoço, o colo, os braços e os tornozelos.

O uso do hijab (véu), e de outros trajes islâmicos, são muitas vezes uma vontade da mulher afirmar sua identidade cultural, de se reconhecer como muçulmana, e de seguir os preceitos de sua religião. Não são raros, mulheres que fazem questão de usar o véu por iniciativa própria.

Os exegetas muçulmanos defendem que o hijab, como as outras roupas femininas islâmicas, valoriza as qualidades intelectuais e morais das mulheres, evitando que os homens as olhem apenas com interesses carnais. Numa sociedade hedonista como a nossa, onde o corpo é mais cultuado do que o espírito, onde os valores morais quase que inexistem, onde, a priori, observam-se as mulheres como objeto de consumo, não é de se achar incomum pessoas construindo discursos islamofóbicos em defesa das mulheres, mas que, na verdade, as próprias muçulmanas rejeitam esta pseudo-defesa.

O uso da indumentária islâmica, assim como qualquer outro tipo de roupa que a mulher deseje usar, cabe apenas a ela decidir, independentemente de ser uma roupa que remeta a uma religião, ninguém tem o direito de criticar. Pois, em países onde mulheres são vendidas como prostitutas, precisam trabalhar seminuas em alguns empregos ou se prostituem apenas para acumular capital, não pode ditar normas de conduta moral ou de moda para sociedade nenhuma.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Pesquisar sobre a mulher é uma difícil tarefa, mais ainda, quando ela está inserida dentro de um contexto religioso. E quando partimos para analisar uma religião ou alguém ligado a ela, devemos sempre contextualizar a situação, pensar e nos pôr no lugar do outro, para tentar entender as formas de comportamento, de hábito e costumes.

As pessoas que acreditam que exista uma imposição, uma intolerância e um desrespeito do Islã para com as mulheres muçulmanas, pouco conhece desta religião. Acreditar também que existe uma aceitação total, por parte das mulheres, da indumentária islâmica, é ingenuidade, pois ninguém nunca está satisfeito por completo, seja com a roupa, com o corpo ou com a sociedade. O que não podemos é fazer generalizações, tirar conclusões precipitadas pelo que comumente vemos na televisão e nos jornais, principalmente os ocidentais que, muitas vezes, têm interesses embutidos em suas reportagens.

Se as mulheres muçulmanas estão insatisfeitas com algo, se é que estão, depois do que lemos nesse trabalho, cabe a elas buscarem as soluções. E mais, estas soluções devem ser encontradas no bojo de sua cultura, não podem e nem devem ser importada de outras culturas.

Entender o outro não é fácil, e talvez nem agradável, mas é preciso conhecer o "exótico", conhecendo o outro estaremos também nos conhecendo. O conhecimento liberta, é esclarecedor, só ele tira o homem das trevas da ignorância. Portanto, deve ser buscado até na China, como sabiamente falava o Profeta do Islã.


NOTAS

1) Mustafá Assibá'i. "Al Mar-á Bain Al Fiquih wal Kanum" (A Mulher Entre A Jurisprudência E O Código) Pág 20, Al Mactab Al Isslami. Beirute – Líbano.

2) O termo significa os ditos, a ações e exemplos do Profeta Muhammad.

3) Hadice compilado por Ibn Mája.

4) http://www.islam.org.br/a_mulher_no_islam.htm

5) Trata-se do adultério cometido entre pessoas não comprometidas pelo casamento, já que, o adultério cometido após este, é punido com apedrejamento.

6) O Islã concede ao homem, na herança, o dobro que à mulher partindo do pressuposto de que o homem é quem tem quer arcar com as despesas da casa, da família e dos filhos, além do mais a mulher, quando casa, recebe o mahr, (um dote), então no fim das contas, ela acaba ganhando mais que o homem.

7) http://www.islam.org.br

8) http://www.bocc.ubi.pt - (Modernidade e Indumentária: As Mulheres Muçulmanas). Maria Johanna Schouten. Universidade da Beira Interior.

9)Termo relativamente novo que designa ódio ao muçulmano e aversão e ao islamismo

REFEÊNCIAS BIBLIOGRÁFIAS:

ABD'ALLAH, Ali. Islam: A Síntese do Monoteísmo. Ed Recife. Centro Cultural Islâmico. 1989.
ALCORÃO – Tradução do Sentido do Nobre Alcorão para a Língua Portuguesa. Complexo de Impressão do Rei Fahd. Medina. Arábia Saudita. 1430/2009
ALMEIDA, João Ferreira de. Bíblia Sagrada: Traduzida em Português, Revista e Atualizada no Brasil. 2ª Ed. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993.
ARMSTRONG, Karen – A Biografia do Profeta Maomé. SP: Cia das letras, 2001.
___________________ - Uma História de Deus. SP: Cia das letras, 2001.
___________________ - O Islã. Rio de Janeiro. Objetiva, 2001.
ASSIBÁ'I, Mustafá. "Al Mar-a Bain Al fiquih wal Kanum" (A Mulher Entre a Jurisprudência e o Código). Al Mactab al Isslami – Beirute – Damasco. s/d. s/e
BASTOS, José Gabriel Pereira e Susana Pereira Bastos. Portugal Multicultural: Situações e Estratégias Identitárias das Minorias Étnicas. Lisboa. Fim de Século. 1999.
CUNHA, Elaine Romero(org.), Corpo, Mulher e Sociedade, Editora Papirus, Campinas, 1995.
EL HAYEK, Samir. Compreenda o Islã e os Muçulmanos. Centro de Divulgação do Islam para América Latina. 2002.
HADDAD, Jamil Almansur. O que é Islamismo. São Paulo: Brasiliense, 2000.
QUTUB, Mohammad. Islam – Uma Religião Mal Compreendida. Trad: Prof. Samir El Hayek. Centro de Divulgação do Islam para América Latina. São Paulo. 1990
ROSA, Ubiratan (org), Enciclopédia do Conhecimento Sexual, Editorial Amadio, São Paulo, s.d.
SAID, Sheikh Mabrouk El Sawy. Os Pilares da Fé na religião Islâmica. Recife. 3º edição. 2009.
SILVA, Maria Cardeira da. Um Islã Prático: O quotidiano feminino em meio popular muçulmano. Oieras: Celta. 1999
WAHDAN, Cheikh Hussein. A Mulher Entre as Civilizações. Tradução: Prof. Samir El Hayek. s/d. s/e.


SITES VISITADOS:

ACADEMIA ISLÂMICA – http://www.academiaislamica.org.br. -Acesso: 18/11/2009
BRASIL DAS ARÁBIAS - http://www.brasildasarabias.com.br - Acesso: 18/11/2009
COMUNIDADE MUÇULMANA DE FOZ DO IGUAÇÚ - http://www.islam.org.br - Acesso: 18/11/2009
HISTÓRIA ISLÂMICA - http://www.historiaislamica.org – 22/11/2009
INSTITUTO DA CULTURA ÁRABE - http://www.icarabe.org – 22/11/2009
SOCIEDADE BENEFICENTE MUÇULMANA DO RIO DE JANEIRO – http://www.smbrj.com.br – 22/11/2009
 
Hesdras Sérvulo Souto de Siqueira Campos Farias é graduando em ciências sociais pela Universidade Federal Rural de Pernambuco / Departamento de Letras e Ciências Humanas / Cátedra Ibn Arabi. Email: hesdrassouto@hotmail.com