A obra 'À sombra das tamareiras: contos orientais', de Humberto de Campos, chega neste mês ao mercado editorial brasileiro.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

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Livro será vendido nas maiores livrarias do Brasil

São Paulo – A Almádena Editora, do Rio de Janeiro, vai colocar no mercado neste mês a terceira edição do livro "À sombra das tamareiras: contos orientais". A obra é do escritor brasileiro Humberto de Campos e a edição marca os 75 anos de falecimento do autor, em janeiro de 2009. A coletânea com 29 contos ambientados no mundo árabe e oriental, é o terceiro lançamento da Almádena, editora especializada em temas árabes.

Humberto de Campos começa a obra contando ao leitor sobre um certo dia, no qual foi visitado por um turco interessado em vender-lhe um livro que havia escrito. O escritor comprou os escritos por 120 mil réis e os publicou no jornal, como obra sua. Na época, Campos publicou mesmo os seus contos em jornais do Rio de Janeiro, mas, ao contrário do que possam imaginar leitores desavisados, a história do turco também é ficção.

"No início do século 20, era modismo falar de coisas do Oriente", diz João Baptista M. Vargens, editor da Almádena. O livro segue com contos como "História de um homem de boa-fé", que relata a dor de Abul Fadl, um ricaço que na saída da mesquita, duvidou de que algum homem o pudesse enganar e assim viu sua fortuna desmoronar, ou "As duas filhas do rei Hassan", que conta a história de duas irmãs, uma chamada Mentira e outra Verdade para explicar o costume de historiadores, de contar mentiras como se fossem verdade.

A editora Almádena trabalhou na obra cerca de um ano antes do lançamento. De acordo com Vargens, o diferencial da publicação são as 86 notas de rodapé. Elas ajudam o leitor a compreender palavras e expressões características do mundo árabe. Foram feitas por Vargens e duas colaboradoras da Almádena, Suely Ferreira Lima e Renata Mansour. Explicam, por exemplo, que "cádi" é juiz, Hauran, uma região da Síria, janízaros são soldados de elite dos turcos otomanos e Alcorão, o livro sagrado dos muçulmanos.
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Relançamento marca 75 anos da morte de Humberto de Campos



O texto da orelha do livro é de Antonio Carlos Secchin, membro da Academia Brasileira de Letras e professor de Literatura Brasileira da Universidade Federal do Rio de Janeiro. "Na multifacetada obra de Humberto Campos, À sombra das tamareiras representa uma bem sucedida incursão ao imaginário do Oriente, que logrou discreta, mas consistente, presença nas letras brasileiras da primeira metade do século XX", diz Secchin, em texto.

O autor é maranhense e foi, além de contista, jornalista, crítico, biógrafo, poeta, cronista e memorialista. Órfão de pai, aos 17 anos Humberto se mudou para Belém, onde trabalhou como redator dos jornais Folha do Norte e Província do Pará. A sua primeira obra foi de poesia, com o livro "Poeira, primeira série". Ele entrou para a Academia Brasileira de Letras em 1919 e também foi deputado federal pelo Maranhão. Seu livro mais famoso é "Memórias", uma crônica.

O preço de capa de "À sombra das tamareiras: contos orientais" é R$ 29. A obra pode ser encontrada nas maiores livrarias do país. Se a compra for feita diretamente na editora Almádena, porém, cai para R$ 20. (Seguem contatos abaixo). O livro tem 141 páginas.

Serviço:
À sombra das tamareiras: contos orientais
Páginas: 141
Autor: Humberto de Campos
Editora: Almádena
Preço: R$ 29
Site: www.almadenaeditora.com
Telefone editora:             +55 (21) 3634 7637       

A Câmara de Comércio Árabe Brasileira está relançando o livro "Lições elementares da língua árabe para os que não a falam".

São Paulo – A Câmara de Comércio Árabe Brasileira está relançando o livro "Lições elementares da língua árabe para os que não a falam", manual básico do idioma escrito pelo vice-presidente de Relações Internacionais da entidade, professor Helmi Nasr. Egípcio naturalizado brasileiro, ele foi fundador do curso de árabe da Universidade de São Paulo (USP) e vive no Brasil há 46 anos.

Sérgio Tomisaki/Agência Meios Sérgio Tomisaki/Agência Meios

Professor Helmi usou a mesma técnica que aplicava aos alunos

"O livro serve para situações cotidianas. Para quem vai viajar, por exemplo, ele contém as palavras para se manter uma conversação, cumprimentar alguém, comprar ou vender alguma coisa", disse Nasr. O trabalho foi apresentado a jornalistas durante uma entrevista coletiva realizada ontem (08) na Câmara Árabe. "Depois eu vou aplicar um teste para todos", brincou o professor com os jornalistas.

O presidente da entidade, Antonio Sarkis Jr., declarou que o lançamento deverá ocorrer efetivamente até a próxima semana.

O manual contém palavras e expressões em português acompanhadas da tradução para o árabe em alfabeto árabe e no alfabeto fonético internacional. Acompanham o livro dois CDs com as mesmas palavras faladas em português pelo apresentador Cid Moreira, da Rede Globo, e em árabe pelo próprio Nasr. O objetivo é mostrar ao interessado a pronúncia correta.

Sérgio Tomisaki Sérgio Tomisaki

Professor brincou que ia aplicar um teste de árabe aos jornalistas

Segundo o professor, a primeira edição do trabalho foi lançada há cerca de 30 anos, durante a gestão do então presidente da Câmara, Walid Yazigi. "Nós estávamos voltando de uma viagem à Arábia Saudita e ele [Yazigi] teve a idéia de fazermos alguma coisa para que brasileiros pudessem ter uma noção do árabe", afirmou Nasr.

Para escrever o livro ele utilizou a mesma técnica que aplicava aos seus alunos em sala de aula. "A novidade agora é que, ao invés de fitas, ele vem com CDs", disse o professor. O áudio original foi recuperado, remasterizado e convertido em formato digital.

De acordo com Nasr, com o crescimento das relações comerciais entre o Brasil e os países árabes houve também um aumento do número de pessoas interessadas em saber um pouco mais do idioma. E essa demanda chegou à Câmara. "Então decidimos lançar de novo", afirmou.
Reprodução Reprodução

Livro vem acompanhado de dois CDs



Esta é apenas uma das obras do professor. Ela já traduziu o Alcorão diretamente do árabe para o português, impresso desde 2005 no Complexo Rei Fahd, em Medina, na Arábia Saudita; lançou um dicionário árabe-português; e traduziu para o árabe o livro "Novo mundo nos Trópicos", de Gilberto Freyre.

Seu trabalho lhe rendeu um convite, da Liga Islâmica Mundial, para integrar o conselho executivo do Encontro Internacional de Eruditos e Pensadores Muçulmanos, que é uma reunião para discussão da sociedade islâmica por parte de pensadores muçulmanos de várias partes do mundo. Nasr é o primeiro representante da América Latina.
 

Dica de Livro: O Poder das Redes


Dia frio, eu gripada, com preguiça de comer e tomar banho. Pensando na reunião da BSGI sobre a Exposição Gandhi, King e Ikela - Um legado na contrução da paz.

Parei minha leitura, do Livro, O Poder das Redes - David de Ugarte, pois lembrei que tinha novas notícias para publicar no blog. Quando levantei, pois estava deitada no sofá, tirei essa foto, segurando o livro e com a Mitiko ao lado, ela sempre se deita na cadeira, quando estou deitada no sofá.

Além das notícias, que lembrei que precisava publicar, o livro estava me aguçando, a fuçar em alguns sites, como o del.icio.us - http://del.icio.us/. Site onde você guarda seus favoritos e pode acessar de onde estiver.

Dele, já pulei para outros, algumas comunidades de blogs árabes... quem sabe participo de algumas delas, se permitirem.

O Poder das Redes - um livro de David Ugarte pode ser descarregado gratuitamente em pdf
aqui: http://www.deugarte.com/manual-ilustrado-para-ciberactivistas

O livro é muito interessante, tem um espírito hackeano eu diria, ele monta um panorama histórico e conceitual das redes, o que já rolou e dá algumas idéia de como aproveitar na atualidade, e arrisca uma visão futurista.

O que parece óbvio nem sempre é fácil de por em prática.

Veja perfil de Chimamanda Ngozi Adichie

segunda-feira, 7 de julho de 2008

A jovem escritora Chimamanda Ngozi Adichie, 31, nasceu na Nigéria e vive nos Estados Unidos desde 1996. Filha de um professor universitário, Chimamanda foi aluna brilhante, graduando-se com nota máxima, fez mestrado e atualmente é doutoranda em Yale.

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A escritora Chimamanda Ngozi Adichie, que participa da 6ª edição da Flip, em Paraty (Rio)
A escritora Chimamanda Ngozi Adichie, que participa da 6ª edição da Flip, em Paraty (Rio)

A guerra, a divisão e a religião que divide são os temas de suas obras. Seu primeiro romance, "Purple Hibiscus" (algo como "O Hibisco Amarelo"), foi publicado em 2003. Três anos depois, publicou "Meio Sol Amarelo" (Cia. das Letras, 2008), alusão à bandeira de uma "nação" que não conseguiu sua independência com a guerra civil.

A obra, que recebeu o prêmio Orange de ficção, expõe irmãs gêmeas não-idênticas que representam metaforicamente os dois lados de uma nação dividida, e que culmina na Guerra de Biafra (guerra civil na Nigéria, entre 1967 e 1970, que deixou mais de 1 milhão de mortos).

Não é somente um livro sobre a guerra e suas injustiças, é também um livro sobre as misérias, egoísmos e grandezas humanas.

A autora e o angolano Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos, o Pepetela, vencedor do Prêmio Camões em 1997, vão mostrar que a literatura do período de guerra pode ser muito mais profunda que um mero retrato de horrores, que pode tocar o fundo da alma humana em lugares impensáveis, revelando-se fonte de criatividade e beleza.

 

Fonte: Flip

São Paulo terá festival de dança árabe

São Paulo – Os shows Noites do Harém apresentados aos domingos na casa de chá egípcia Khan el Khalili, em São Paulo, estão ganhando cada vez mais destaque e a casa vai promover o espetáculo Super Noites no Harém, com duas horas e meia de apresentação. Para acomodar mais de 700 pessoas, o evento será realizado no Teatro Santo Agostinho, na Vila Mariana, no próximo sábado (12).
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Espetáculo terá danças folclóricas



O público vai assistir 26 apresentações de dança do ventre; danças árabes folclóricas, que envolvem velas e bastões; Dabke, que é uma tradicional dança libanesa, entre outras. Os shows vão contar com mais de 25 bailarinas e dançarinos da casa Khan el Khalili e com o grupo folclórico de Najla Yakoub, de Uberaba, Minas Gerais.

Além dessas apresentações, o espetáculo também vai ter performances de dança japonesa (em homenagem ao centenário da imigração no Brasil) e espanhola, misturadas com dança do ventre. "É um mosaico da dança oriental", afirmou o diretor do espetáculo, Jorge Sabongi, que é o proprietário da casa de chá.

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Show vai contar também com dança espanhola

Segundo ele, esta é a terceira edição do evento e a idéia é realizar três espetáculos por ano. A próxima apresentação vai ser realizada em outubro. A diferença desse show, em relação ao apresentado na casa, é que as apresentações são em grupo e têm mais danças.

"É uma coisa de sonhos, das Mil e Uma Noites", disse Sabongi. De acordo com ele, o espetáculo atrai pessoas de todas as idades. "É um show muito colorido, que agrada desde as crianças até os mais velhos", acrescentou.

Uma das idéias de Sabongi é realizar também, antes de cada espetáculo, um show beneficente. No sábado à tarde, o evento Super Noites no Harém vai ser apresentado para 400 crianças carentes. Na próxima edição será a vez dos idosos conhecerem um pouco mais da dança árabe, serão convidados diversos asilos.

A casa

A Khan el Khalili foi inaugurada em 1982 por Sabongi, que é neto de avó síria e avô libanês. A idéia inicial era ser uma casa de chá. Mas o espaço, que é todo decorado com pinturas e adereços egípcios nas paredes, ganhou apresentações de dança do ventre e eventos ligados à cultura árabe.
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É uma oportunidade para assistir dança do ventre



Em 1998 surgiram as Noites do Harém, espetáculos de arte e cultura oriental com apresentações de dança do ventre, folclore egípcio e outras danças árabes. Todo domingo é realizado um show inédito, com apresentações de grupos árabes e bailarinas de dança do ventre. A casa já apresentou mais de 500 shows em mais de dez anos de atuação.

Serviço

Super Noites no Harém
Data: 12 de julho (sábado)
Horário: às 20h
Local: Teatro Santo Agostinho
Endereço: Rua Apeninos, 118 - Metrô Vergueiro (estacionamento no local)
Idade Mínima: 12 anos
Preço: R$ 40,00 - venda antecipada de convites na Khan el Khalili ou R$ 50,00 na bilheteria, na data do evento

Companhia de dança em parceria com o Clube Libanês de Belo Horizonte promovem domingo (13) aula gratuita de Dabke.

São Paulo – A companhia de dança Brigitte Bacha em parceria com o Clube Libanês, ambos de Belo Horizonte, vão promover domingo (13), às 11h, uma aula gratuita de Dabke, principal dança folclórica do Líbano, Síria, Jordânia e Palestina. A aula é destinada para sócios e não sócios, adultos e crianças e não é necessário ter experiência com dança.

O Studio Brigitte Bacha, de dança do ventre e folclórica, foi fundado em 1996 pela libanesa Brigitte Bacha, desde 1988 ministra aulas divulgando a cultura árabe. Brigitte mudou-se para o Brasil em 1980 e desde então, trabalha e pesquisa a dança numa constante referência a seu país e à sua cultura.

Informações

Studio Brigitte Bacha
Tel.
              (31) 3227-1638       
Site:
www.brigittebacha.com.br
 
 

Dica de Livro: Meio Sol Amarelo, da Nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie

 
        Meio Sol Amarelo
        CHIMAMANDA NGOZI ADICHIE   



Filha de uma família rica e importante da Nigéria, Olanna rejeita participar do jogo do poder que seu pai lhe reservara em Lagos. Parte, então, para Nsukka, a fim de lecionar na universidade local e viver perto do amante, o revolucionário nacionalista Odenigbo. Sua irmã Kainene de certo modo encampa seu destino. Com seu jeito altivo e pragmático, ela circula pela alta roda flertando com militares e fechando contratos milionários. Gêmeas não idênticas, elas representam os dois lados de uma nação dividida, mas presa a indissolúveis laços germanos condição que explode na sangrenta guerra que se segue à tentativa de secessão e criação do estado independente de Biafra.
Contado por meio de três pontos de vista além do de Olanna, a narrativa concentra-se nas perspectivas do namorado de Kainene, o jornalista britânico Richard Churchill, e de Ugwu, um garoto que trabalha como criado de Odenigbo , Meio sol amarelo enfeixa várias pontas do conflito que matou milhares de pessoas, em virtude da guerra, da fome e da doença. O romance é mais do que um relato de fatos impressionantes: é o retrato vivo do caos vislumbrado pelo drama de pessoas forçadas a tomar decisões definitivas sobre amor e responsabilidade, passado e presente, nação e família, lealdade e traição.

Editora: Companhia das Letras
ISBN: 9788535912470
Ano: 2008
Edição: 1
Número de páginas: 504
Acabamento: 
Brochura
Formato: Médio

Escritores africanos esquentam a FLIP

domingo, 6 de julho de 2008

Nem o sol quente de Paraty tirou o público da fila da primeira mesa da manhã deste sábado (5). A nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie e o angolano Pepetela leram trechos de seus livros mais recentes (Meio sol amarelo e Predadores) e refletiram sobre os rumos da literatura africana. Com mediação do veterano em FLIP e também angolano José Eduardo Agualusa, discutiram ainda os conflitos separatistas do continente e a conseqüente influência na produção de suas obras. "A Nigéria ainda carrega seqüelas de uma nação dividida", comentou Chimamanda, que vive há 12 anos nos Estados Unidos.
 
Angola também sente na pele os resquícios da Guerra Civil dos anos 70. "As desigualdades sociais são imensas em Angola e, para piorar, o racismo tem se intensificado", desabafou Pepetela. Não por menos, Predadores , que, em breve, será publicado no Brasil pela Língua Geral, retrata os últimos 30 anos em Angola. "É a descoberta de um angolano da importância do MPLA (Movimento Pela Libertação de Angola) para a sobrevivência do país", sintetizou o autor.
 
Vencedor do Prêmio Camões pelo conjunto da obra em 1997, Pepetela declarou sua admiração pela literatura brasileira e disse que Jorge Amado marcou muito os angolanos. "Todos ficaram extasiados pela Gabriela do baiano", contou Pepetela, depois de revelar que seu grande inspirador é a obra de Amado. Outro problema apontado tanto pelo angolano como pela nigeriana foi a falta de acesso da maioria dos africanos aos livros. "Poucos jovens dominam suficientemente a língua para embarcarem nas leituras", lamenta Pepetela. Sem contar que, como ressaltou Chimamanda, os escritores africanos mal se conhecem. "Muitos são publicados na Europa antes mesmo de serem lançados na África". Apesar de morar nos Estados Unidos, a nigeriana ainda mantém uma relação forte com sua terra e reconhece: "A África ainda não tem sua vida completamente reconstruída".
 
 
O que é a FLIP

Em agosto de 2003, a Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP) tornou-se a caçula da família de importantes festivais literários como Hay-on-Wye, Adelaide, Harbourfront de Toronto, Festival de Berlim, Edimburgo e Mântua. Com a presença de autores mundialmente respeitados, como Julian Barnes, Don DeLillo, Eric Hobsbawm e Hanif Kureishi, a primeira FLIP estabeleceu um padrão de excelência às edições seguintes. Em um curto período, ficou conhecida como uma das principais festas literárias internacionais, sendo reconhecida pela qualidade dos autores convidados, pelo irresistível entusiasmo de seu público e pela descontraída hospitalidade da cidade.

A FLIP já recebeu alguns dos grandes nomes da literatura mundial, como Salman Rushdie, Ian McEwan, Martin Amis, Margaret Atwood, Paul Auster, Anthony Bourdain, Jonathan Coe, Jeffrey Eugenides, David Grossman, Lidia Jorge, Pierre Michon, Rosa Montero, Michael Ondaatje, Orhan Pamuk, Colm Toíbín, Enrique Vila-Matas, Jeanette Winterson, J. M. Coetzee e Marcello Fois.

Dos brasileiros, alguns dos autores mais talentosos já estiveram na FLIP, como Ariano Suassuna, Ana Maria Machado, Milton Hatoum, Millôr Fernandes, Ruy Castro, Ferreira Gullar, Luis Fernando Verissimo, Zuenir Ventura, Barbara Heliodora, Ruy Castro e Lygia Fagundes Telles, além de ícones da cultura brasileira como Chico Buarque e Caetano Veloso.

Com um repertório eclético de convidados – do dramaturgo inglês Tom Stoppard à psicanalista Elisabeth Roudinesco, do quadrinhista Neil Gaiman à roteirista argentina Lucrecia Martel –, a sexta edição da FLIP confirma mais que nunca sua vocação a mercado cosmopolita de todo tipo de idéias manifestadas através da palavra escrita.

A cada ano a FLIP homenageia um expoente das letras brasileiras. No primeiro ano, em 2003, celebrou-se o poeta e compositor Vinicius de Moraes (1917-1980). João Guimarães Rosa (1908-1967) foi o homenageado no ano seguinte. Em 2005 foi a vez de Clarice Lispector (1920-1977), em 2006, do baiano Jorge Amado (1912-2001), e, em 2007, do jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues (1912-1980). Em 2008, ano do centenário da morte de Machado de Assis (1839-1908), a FLIP presta homenagem ao grande escritor carioca.

A música brasileira, uma das maiores riquezas da nossa vida cultural, não poderia estar ausente da FLIP. Os shows de abertura, que já valeriam a ida a Paraty, ofereceram aos convidados a chance de assistir Chico Buarque, Paulinho da Viola, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Mônica Salmaso, Adriana Calcanhoto e José Miguel Wisnik, Orquestra Imperial e Maria Bethânia darem as boas-vindas aos visitantes da FLIP.

Enquanto a programação principal acontece na Tenda dos Autores e é transmitida ao vivo na Tenda do Telão, vários outros eventos ocorrem simultaneamente em diversos locais. A Oficina Literária, destinada a jovens aspirantes a escritor, é realizada por grandes autores brasileiros e internacionais. Há também uma programação exclusiva para as crianças – a FLIPINHA –, em que jovens estudantes de Paraty apresentam o resultado de seus trabalhos inspirados no universo literário e participam de palestras com autores convidados. O sucesso da Festa também estimulou o desenvolvimento de uma programação de leituras, shows e lançamentos de livros, batizada de Off-FLIP.

Paraty é uma cidade litorânea contornada pelo mar azul-turquesa da baía da Ilha Grande e por grandes faixas intactas de mata atlântica. Localizada a aproximadamente quatro horas de carro do Rio de Janeiro e de São Paulo, esse antigo porto, de onde se enviava a maior parte do ouro do Brasil ao Velho Mundo, é uma cidade histórica que atrai muitos eventos culturais. Poucos locais poderiam ser mais agradáveis para sediar a FLIP que esta charmosa cidade. Suas ruas de pedra propiciam encontros casuais proveitosos, enquanto restaurantes e bares convidam a um bate-papo descontraído. As pousadas e os serviços oferecem excelente padrão de qualidade.

Desde a primeira edição, o crescimento da Festa Literária está intimamente ligado à vida e às necessidades de Paraty. Artistas locais, comerciantes, hoteleiros e donos de restaurantes acolhem a FLIP, que, por sua vez, mantém os habitantes locais ativamente envolvidos. Por tudo isso, a FLIP se destaca de outros encontros literários contribuindo para a atmosfera alegre e calorosa que tem caracterizado esse grande evento.

Aos 30 anos, a escritora nigeriana diz que mundo não enxerga os africanos comuns

"A raiva é um bom motivador"
 
Aos 30 anos, a escritora nigeriana diz que mundo não enxerga os africanos comuns
 
Juliana Krapp e Rachel Almeida
 
Paraty
 
Caçula entre os convidados internacionais da 6ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que termina hoje, a nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, de 30 anos, descobriu em sua primeira visita ao Brasil que o país tem muitas semelhanças com a Nigéria. A escritora passeou de barco, bebeu caipirinhas, experimentou o caju, mas tirou da bagagem, ontem de manhã, os temas nada solares que a trouxeram à cidade. Dona de uma prosa densa e, ao mesmo tempo, devastadora e requintada, a vencedora de prêmios como Orange e o Hurston/ Wright Legacy dividiu com o angolano Pepetela, de 67, a mesa Guerra e Paz.
 
É assim, pelo menos, seu segundo romance, Meio sol amarelo (Companhia das Letras), que Chimamanda lança em Paraty – o primeiro no Brasil. Conta a história da guerra Nigéria-Biafra de 1967-70, com todo o terror que o episódio carrega. Mas conta também histórias de afetos que se desdobram em meio à violência. Um olhar que é herança de família: apesar de não o ter vivenciado, Chimamanda perdeu seus avós no conflito. E cresceu ouvindo relatos sobre os anos terríveis. Dos quais extraiu histórias de amor.
 
"O legado brutal do colonialismo me deixa furiosa". É o que a senhora afirma, em seu site. Como a raiva pode ajudar em sua produção literária?
 
– A raiva é um bom motivador desde que a pessoa não deixe esse sentimento se sobrepor à razão. Ser um artista significa estar sempre furioso, ávido por mudanças.
 
'Meio sol amarelo' relata cenas terríveis. Que parte do livro foi a mais difícil de imaginar?
 
– As cenas do massacre e do estupro. Elas foram difíceis principalmente porque, apesar de eu não ter vivenciado a guerra, minha família passou por isso e me sinto muito ligado às histórias.
 
A senhora acha que existe uma literatura africana? Ou esse título é um erro?
 
– Sou ambivalente em relação a rótulos, principalmente quando se aplicam a uma parte do mundo com uma história tão complicada como a da África. Falar em literatura africana seria bom se a denominação não viesse cheia de expectativas. Há pessoas que têm idéias estereotipadas sobre como a autêntica literatura africana deveria ser e isso é problemático. Se o rótulo fosse abrangente seria interessante.
 
Quais são seus autores africanos preferidos?
 
– Não tenho autores preferidos, mas livros. Como The African child (A criança africana), de Camara Laye.
 
A senhora divide seu tempo entre os EUA e a Nigéria. Quais são os problemas das visões dos americanos sobre a África?
 
– Não acho que isso esteja limitado aos americanos. Acredito que, para grande parte do mundo não-africano, todos os africanos são muito pobres ou estão morrendo por causa de doenças e guerras, e então não enxergamos os africanos comuns que levam suas vidas.
 
Existe um colonialismo literário?
 
– Sim, a dominação cultural americana está espalhada pelo mundo. Os livros americanos são vendidos na Nigéria, e a música e os filmes americanos são o modelo em meu país. Acredito que seja uma função do poder político, econômico e militar. Se a Nigéria tivesse o poder que os EUA têm, os livros nigerianos provavelmente seriam os mais vendidos no Brasil. Dito isso, acredito piamente que a literatura não devia ser limitada por fronteiras políticas.
 
Seu país é uma das maiores indústrias alternativas de filmes no mundo. Como descreveria a cena cultural na Nigéria?
 
– É incrivelmente vibrante. Alguns dos filmes não são bem feitos em termos técnicos, mas adoro Nollywood porque acho importante e estimulante que tenhamos filmes e música feitos pelos nigerianos, com recursos de nigerianos e consumidos por nigerianos.
 

Poesia Árabe

sábado, 5 de julho de 2008

A tua covardia me mata
você se esconde por trás de uma cortina
eu não acredito num amor 
que não carrega a ira dos revolucionários 
que não quebra todas as cercas e barreiras 
que não arrasa como o ciclone 
Ai...
se teu amor pudesse me engolir
e arrancar-me como faz o ciclone.

Poesia Árabe

Através do amor o que é amargo parece doce
Através do amor pedaços de cobre transformam-se em ouro
Através do amor as dores são como balsamos
Através do amor os espinhos se tornam rosas
Através do amor o vinagre vira vinho doce
Através do amor o pelourinho de transforma em trono
Através do amor um revés da fortuna parece boa sorte
Através do amor uma prisão parece um jardim de rosas
Sem amor um jardim parece uma grelha cheia de cinzas
Através do amor o fogo ardente é uma luz agradável
Através do amor o demônio se torna uma huri
Através do amor pedras duras tornam-se macias como manteiga
Sem amor a moliceira de transforma em duro ferro
Através do amor a tristeza é como alegria
Através do amor os vampiros se convertem em anjos
Através do amor ferrões são como mel
Através do amor os leões são dóceis como camundongos
Através do amor a doença é saúde
Através do amor a ira é como misericórdia
Através do amor os mortos ressuscitam
Através do amor o rei torna-se escravo

 

Fonte: http://www.jaymemonjardim.com.br/clone/poesia/conteudo.htm

Poesia Sufi: Aonde Tu Estás, Está a Felicidade

Os olhos que vêem um inimigo
São muitos milhares,
Mas o olho que vê um amigo
É um dentre mil.

Mesmo uma prisão
Irradia felicidade
Se o amor por Ti
Enche o coração.

Abençoada é a escravidão
Que Teu serviço compele,
Teus servos são felizes
Em suas servidões.

Há duas Caabas
A Caaba construída na terra
E a Caaba do coração.

A primeira é aquela que os pés
Dos peregrinos freqüentam;
A outra é o local secreto
Que os Buscadores da Verdade descobrem.

É a primeira
Que enche os olhos dos fiéis;
A outra, apenas o devoto encontra
Sob o olhar de Deus mesmo.

A peregrinação à Caaba terrestre
É uma questão de disciplina formal;
A descoberta da Caaba do coração,
Depende da graça de Deus.

Numa, os peregrinos bebem do poço do Zam-Zam;
A outra abre suas fontes
Ao manar dos suspiros.

A Caaba terrestre
É guardada pela montanha Irfat,
O templo do coração
É radiante com a luz de Deus.

Da Caaba terrestre
ídolos de pedra foram removidos;
Da Caaba do coração
A voracidade e o desejo são destronados.

 

TV Série - Three young Arab men (Egyptian, Saudi, Jordanian, and Lebanese) traveling across America in an RV with an American film crew.


 
 
Imagine um reality show com quatro jovens vindos do Oriente Médio atravessando os Estados Unidos a bordo de um carro - só que substitua as festas, farras e brincadeiras típicas de programas do gênero por uma preocupação em conhecer o povo americano mais a fundo. Assim é "On the Road in America", novidade da MBC, emissora de TV a cabo da Arábia Saudita.

"On the Road in America" é produzido por Layalina, organização sem fins lucrativos amparada por políticos influentes dos Estados Unidos. O objetivo do programa é o de tentar combater os estereótipos negativos dos americanos junto ao público do Oriente Médio. Para isso, três homens e uma mulher - o egípcio Ali Amr, o saudita Sanad, o libanês Mohammed e a palestina Lara - viajaram por dez semanas pelo país e se encontraram com políticos, artistas, líderes religiosos e também com pessoas nada conhecidas em sua jornada.

Segundo matéria publicada no site AZCentral, ao contrário do que se possa pensar, o programa não é uma exaltação aos Estados Unidos, mas sim um espaço em que os quatro protagonistas fazem comentários negativos e positivos sobre os americanos, a relação com eles e as experiências que viveram por lá. A crítica aos valores ianques está presente - por exemplo, em um episódio Lara afirma sua simpatia pelo grupo Hezbollah durante uma entrevista de rádio em Washington.

O criador da série, Jerome Gary, fez questão de escolher os participantes com a preocupação de selecionar jovens que não tivessem qualquer fascínio sobre os EUA mas que também tivessem a curiosidade de visitar o país.

Nos dois últimos episódios dos 12 de "On the Road in America", os participantes voltam aos seus países para contar o que viram. Antes de participar do reality show, Amr não gostava dos Estados Unidos e tinha medo de ser discriminado por lá. De volta à sua cidade, Cairo, ele conta que tem uma nova opinião: "Minha imagem dos EUA mudou. E espero que o programa estreite as relações entre os dois povos".

Jerome Gary, o criador, parece concordar -  e está tentando encontrar uma emissora para distribuir e exibir o programa também nos Estados Unidos.

"Há um mal entendido colossal entre árabes e americanos, e eu quero que eles se resolvam", concluiu.
 
 
Site official da Série
 
 

Dica de Filme: "A Banda": convivência possível


À margem do conflito árabe-israelense existe um mundo de pessoas simples, cuja identidade se fixa através dos traços de uma identidade comum a qualquer povo. Ao seu redor há, além disso, outros pontos e semelhanças que se desvendam ao longo de uma convivência de fácil assimilação. Em seu filme "A Banda", o diretor Eran Kolirin o confirma ao longo dos 90 minutos que põem lado a lado egípcios e israelenses, por meio de uma situação inusitada. A Banda da Polícia de Alexandria vem a Israel se apresentar na inauguração de uma praça na região árabe e se perde a caminho do lugarejo, indo parar numa cidadezinha no meio do deserto. Ali predomina o estranhamento, o isolamento, a falta de perspectiva, configurados nos prédios padronizados, adornados por plantas e lagos artificiais. E seus moradores parecem saídos das folhas de uma planta de engenharia, com pontos de movimento bem identificados.

É sobre esta planta, digamos assim, que os personagens irão se deslocar, enquanto a situação kafikaniana os envolve, sem lhe dar chance de interagir, ainda que tentem fazê-lo. Pensa-se, a todo instante, que a hospitalidade termine em mais um conflito em si já milenar. Ou que num dado instante chegue à polícia e devolva os oito integrantes da banda ao aeroporto e de lá à Alexandria. Fosse assim, o israelense Eran Kolirin terminaria por atender às expectativas do espectador e transformaria seu filme num amontoado de clichês. Ele o evita através de entrechos que desmontam cada expectativa. A começar pela abertura, simplesmente atordoante, daqueles homens em farda azul claro, com seus quepes e postura militar parados na entrada do prédio do aeroporto à espera de alguém que os leve a seu local de exibição. E nada acontece.

Personagens sintetizam visões das desconfianças entre os dois povos

Este estranhamento do espectador e dos músicos é dado ainda pela ausência de movimento no aeroporto. Apenas um automóvel chega para pegar uma jovem e esta embarca, sem que possam com ela trocar palavra alguma. Tudo lhes é estranho, o vazio e o alheamento se impõem de uma maneira que se pensa que embarcarão de volta, dada a falta de um guia que os leve a seu destino. Eles, entretanto, ali estão não só para o concerto como para honrar as determinações de seu comando. Então, surge a figura imperial, do regente e comandante, o coronel Tewfiq (Sasson Gabai), com suas instruções, seguidas a contragosto pelo trompetista Khaled (Saleh Bakri), espécie de crítico da rigidez de Tewiq, mais interessado em conquistar as nativas que localizar o local para onde irão. O conflito entre os dois dará, a partir daí. O tom entre o velho e o novo, o moderno e o antigo, em termos culturais e comportamentais.

Este aparente conflito simboliza, por outro lado, visões correntes das relações árabes-israelenses. Enquanto Tewiq quer, a todo custo, manter a disciplina de seus comandados, mantendo-os distantes do estreito contato com os israelenses, Khaled, pelo contrário, busca com eles se relacionar, sem se importar com as restrições. Não os vê como inimigos ou alguém a quem se deva evitar, de modo a escapar ao confronto ou mesmo ao constrangimento.  Não se pode esquecer que a banda, mesmo sendo musical, faz parte de uma corporação militar, e Tewiq, como seu regente-comandante, é obrigado a manter a situação sob controle, dadas às circunstâncias criadas pela guerra entre os dois povos. Um clima explicitado por seu comportamento e as reticências dos demais integrantes do corpo musical, cautelosos na abordagem dos poucos israelenses que encontram na desolada cidadezinha.            

Israel é enclave dos EUA e CE no Oriente Médio    

Esta antevisão das hostilidades de parte a parte  mostra o quanto elas se entranharam no comportamento de dois povos que convivem no Oriente Médio ao longo de milênios e ainda não superaram suas históricas contradições. Pelo contrário, são submetidos, cada dia mais, à manipulação norte-americana e européia como parte da estratégia de manter Israel como enclave militar na região, garantindo, desta forma, o controle das reservas, exploração e distribuição de petróleo. O que é feito às custas da destruição paulatina do território e do povo palestino, da ocupação do Iraque e da desestabilização do Líbano. E, ainda que desde os Acordos de Camp David, durante o Governo Carter, haja uma relação de tolerância entre Egito e Israel, a precaução de Tewiq bem traduz os ânimos que predominam entre os dois povos. Qualquer deslize pode significar a explosão de um confronto de difícil contenção.                  

Quando ele se antecipa aos subordinados para abordar os israelenses, o faz mais como comandante na plenitude de sua autoridade. Uma autoridade percebida pelos que o atendem; intrigados com a súbita aparição de músicos de uniforme em pleno deserto. O diálogo entre ele, Tewfiq, e Dina (Ronit Elkabetz), a dona do restaurante, é uma daquelas perólas que o cinema raramente oferece ao espectador. Eles tentam se comunicar, mas toda uma barreira histórica se estabelece. As frases, emitidas pela metade, dizem menos que os gestos, as entonações de ambos. De Tewiq para se fazer entender, sem criar qualquer desconfiança, de Dina para captar as intenções de alguém vindo de muito longe, que se encontra num país estrangeiro e, ainda por cima, distante de onde deveria realmente estar. Uma sensação que vai aumentando à medida que a situação kafikaniana se completa. Nada se encaixa.

Dina incentiva Tewfiq a aderir à sua fantasia

O que se segue é uma série de situações hilariantes, bizarras e, por que não, sintomáticas de dois povos que, antes de se entender, desconfia um do outro. Enquanto, Tewfiq mantém sua compostura diante de Dina, temendo se descontrair e se permitir instantes de fraqueza, Khaleb explora espaços, desvenda comportamentos e passeia pela cidade, depois de fazer amizades. Comportamentos que revelam pontos de identidade entre Tewfiq e Dina. Solitários, carentes, fechados em si, precisam se expor para manter a sanidade. Ele, centrado, o faz através da rigidez, ela por meio da descontração, das indiscretas perguntas, que o sensibiliza, beirando às confidências, para logo se reerguer, pois logo tudo aquilo será apenas memória. Espécie de realidade fugidia a ser substituída pela fantasia, quando trocam confidências em plena madrugada. Então  ela o desafia a ver para além da praça, onde se encontram. O imaginário de regente está por demais apegado a compromisso para se permitir divagar e viajar por espaços da fantasia.
                   

Por momentos, esta bela seqüência remete o espectador à cena do jovem Fellini, em "Amarcord", encontrando Magali Noel, em meio à neve, e recordando a paixão que por ela nutria. Mas Tewfiq trás dentro de si muito de história e de dor para aceitar a charada que Dina lhe apresenta. Há uma barreira intransponível entre ambos, ainda que ele, por momentos, admita que errasse em sua relação familiar e avança mais do que ela esperava. Isto é, no entanto, tudo que ele deixa escapar. Logo regressa à sua normal rigidez. Não menos significativa é a perambulação de Khaled pelos espaços padronizados da cidadezinha. Ao contrário de Tewiq, ele está aberto ao diálogo, à amizade, não tem as reservas de seu regente. E se entende com os jovens e os incentiva há descobertas insuspeitadas para ambos. Aqui uma forma de Kolirin expor a identificação entre a geração mais jovem, despida das resistências e desconfianças milenares, e suas desconfianças da geração mais velha, configurada em Tewfiq. Eles, os jovens, não se questionam; não se distanciam um do outro, se amparam um no outro, como se disso necessitassem.

Música facilita identificação entre árabes e israelenses 

Percebe-se que, livre das estratégias imperialistas, da transformação de Israel em enclave militar no Oriente Médio, a convivência entre árabes, incluindo palestinos, e israelenses seria possível. A conversa entre o compositor da banda (Khalifa Natour) e o israelense desempregado que o hospeda reforça esta impressão. No quarto onde dorme o filho do casal, este último comenta a situação em que se encontra e sua relação com a mulher. Deixa o quarto e o compositor fica diante do berço onde o filho do desempregado dorme. Percebe-se, sem o recurso do flashback, que ele também tem um filho. São instantes que revelam a possibilidade da solidariedade, da amizade e da convivência pacífica entre os dois povos, ainda que a realidade o desminta a cada minuto. 

As diferenças entre ambos são deixadas de lado, quando os integrantes da banda e os moradores da cidadezinha se encontram. Vários elos os unem. Um deles a linguagem universal, traduzida pela música, que a todos fala; indo do clássico, ao jazz, passando pelo rock, como se nada mais precisasse. Algo os faz dialogar. A voz de Chet Baker, em "My Funy Valentine", cria o clima íntimo entre Tewifq, Khaled e Dina, os acordes do concerto que o compositor produz, o faz amigo dos que o abrigam. Às vezes, esta identificação se reflete na falta de comunicação e na solidão que predomina nas várias gerações representadas no filme. À exemplo da cidadezinha em pleno deserto, todos esperam por algo para além do cotidiano. Khaled o percebe ao estar na quadra de skate. Enquanto um dos casais se diverte, outro se distancia, nem mesmo a música os aproxima. O jovem Pepi tenta escapar ao namoro com a garota por ele apaixonada; Khaled vê nisto apenas timidez, inexperiência, não uma recusa. A maneira como os faz contornar a incomunicabilidade é digna de se ver: talvez alguém a condene, outros a achem normal.                         


Ganchos criados ao longo do filme não se fecham               

O importante nestes pequenos entrechos, é que os elos não se fecham. Os ganchos criados pelas situações se desmancham. As expectativas não se completam. Os encontros e as relações são tão fugazes quanto o que eles representam: uma passagem da Banda da Polícia de Alexandria pela cidadezinha, no meio do deserto israelense. Nada mais. O clima kafikaniano inicial, que se prolonga por várias seqüências também não permanece. O único dos nós a permanecer é o da manutenção da rigidez e o comportamento centrado de Tewfiq, que não se altera. Torna-se mais tolerante com Khaled, por um detalhe significativo que a ele não se submete, e entende que, afinal, o jovem músico encontrou, mesmo fugazmente, o que buscava a noite toda.  E as distâncias, porquanto a hospitalidade dos moradores as contrarie, não são tantas que não possam conviver por uma noite, com aqueles que teoricamente são seus inimigos.
                           

Com a "A Banda", Kolirin foge ao relato do conflito bélico árabe-israelense, tão comum em obras de seu compatriota Amos Gitai, tornando seu filme um manifesto pela tolerância e a superação das diferenças. Mesmo que durante seus 90 minutos se tenha a impressão de que uma bomba logo explodirá. O que em nada diminui a força de sua obra, reforçada pela bela fotografia de Shai Goldman e a brilhante interpretação de Sasson Gabai, que torna o coronel-regente um personagem que trás dentro de si todo histórico do confronto entre árabes e israelenses. Um daqueles filmes que se deve assistir como lição de cinema e de exposição de relações complexas traduzidas na linguagem direta do cinema, sem exploração emocional. Kolirin quando a ação resvala para o emocional, corta para a fantasia e desta para a contradição, não deixando espaço para o espectador perder de vista que se trata de uma obra sobre o conflito árabe-israelense, ainda que em nenhum momento se faça menção a ele. Afinal, os integrantes da Banda Policial de Alexandria são egípcios.

 

"A Banda" ("Bikur Há-Tizmoret)". Israel, 2007, 90 minutos. Fotografia: Shai Goldman. Roteiro/Direção: Eran Kolirin. Elenco: Sasson Gabai, Ronit Elkabetz, Saleh Bakru, Khalifa Natour.

(*) Festival de Cannes 2007: Prêmio da Crítica Internacional, Prêmio da Juventude, Prêmio Coup de Couer.

 

Artigo de Cloves Geraldo*
http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=39874

Bastidores da produção no Egito, do filme 'The passenger', bancado pelo ministro da cultura.

Um grupo heterogêneo de estrangeiros –professores de língua inglesa, estudantes de árabe e até mesmo um jornalista– reunido em uma noite fria recente, na cidade portuária egípcia de Alexandria. Juntos pelo amor ao cinema, pela curiosidade e pelo desejo furtivo de flagrar uma olhadela de Omar Sharif.

Foto: Paul Schemm/AP
A atriz libanesa Cyrine Abdelnour nos bastidores das filmagens de ''The passenger''
(Foto: Paul Schemm/AP)

Glamour, entretanto, estava em falta para o nosso grupo de extras de cinema. Esperando por horas em nossos figurinos da década de 40, nós relaxávamos no elegante bar de um luxuoso hotel, comendo lanche frio do McDonald's e esperando para filmar uma cena de cinco minutos em uma sala de jantar. Os atores principais ainda tinham que aparecer.

Mesmo assim, era uma oportunidade única, a que eu tinha buscado durante a década em que vivi no Egito –especialmente desde que essa produção vem sendo anunciada como o renascimento do cinema egípcio.

"Tha passenger" tem um elenco cheio de estrelas egípcias, liderado por Sharif em um retorno ao cinema egípcio após 15 anos de ausência. O filme vem sendo anunciado pelo ministro da cultura Farouk Hosni como um "retorno à era dourada do cinema". É o próprio ministro que está bancando a produção, pela primeira vez que isso é feito em 30 anos, num esforço de motivar a debilitada reputação daquilo que conhecemos como A Hollywood do Oriente Médio.

O Egito tem umas das mais antigas indústrias de cinema da região. Há 50 anos, produzia filmes equiparados aos de Hollywood. Mas nas últimas duas décadas, veio decaindo, lançando juntas comédias mal-feitas e melodramas exagerados, com produções pobres.

"No Oeste, o filme tem uma grande posição, e costumava ser da mesma forma aqui, nos anos 40 e 50. Até que algo aconteceu e isso se transformou, não sei por que, economia de segunda classe", afirmou Amr Waked, um dos atores egípcios, que também aparece em "The passengers". Ele é mais conhecido para espectadores estrangeiros como o líder terrorista do filme "Syriana" (2006), de George Clooney.

Críticos têm responsabilizado o declínio do cinema egípcio a uma série de fatores. O crescente conservadorismo islâmico transformou os filmes em desonrosos, enquanto, ao mesmo tempo, a fonte de recursos secou.

O ministro da cultura espera que, em retorno a seu trabalho de financiar o cinema –forma usada em muitos países–, o filme "The passenger" também possa mostrar qualidade. O longa é um épico que reúne várias gerações, passado em 1948, 1973 e 2001, e o diretor estreante Ahmed Maher levou um ano para rodá-lo.

"Houve a necessidade de capturar as coisas certas, não importa quanto tempo levasse nem quantas vezes precisasse ser repetido. Diferentemente de outras produções egípcias, nos quais muitas vezes eram aceitas concessões para serem finalizadas rapidamente", diz Waked.

Foto: Paul Schemm/AP 
Paul Schemm/AP
Figurantes estrangeiros se preparam para entrar em cena, no caminhão improvisado como camarim
(Foto: Paul Schemm/AP) Bastidores e ação

O caprichado processo ficou muito claro em nossa cena, naquela noite, assim que as duas dúzias de estrangeiros –da Inglaterra, dos EUA, da França, de Porto Rico, da Alemanha e da Suécia– foram transformados em personagens de um jantar do pós-guerra em um cruzeiro de luxo.

Caminhões estacionados do lado de fora do hotel onde as cenas estavam sendo filmadas serviram de sala temporária de maquiagem e camarim. No clarão das luzes, cabeleireiros trabalhavam para alisar e encaracolar os cabelos de cada uma das atrizes extras, todas elas usando elegantes vestidos de bailes.

Fui escolhido para ser um garçom. Infelizmente, eu não teria a chance de contracenar com Sharif. Ele apareceria apenas nas cenas passadas em 2001 e minha breve aparição em um terno branco era meio século antes disso. A cena foi rodada em um luxuoso hotel que serviu como residência para a família real egípcia. O restaurante foi usado como a sala de jantar do navio e Maher tirou os avisos de não fumar que inadvertidamente haviam sido colocados sobre as mesas.

Antes da cena, o diretor, que passou anos na Itália, conversou em italiano com o diretor de fotografia, Marco Oronato, cujo filme "Gomorra" recebeu recentemente o Grande prêmio no Festival de Cannes. Assim, quando a filmagem finalmente teve início, à 1h da madrugada, Maher gritou no set a versão egípcia para "luzes, câmera, ação": "Doh! Tasweer! Action!".

A câmera roda em volta do casal principal: o ator egípcio Khaled Nabawy, que apareceu em "Cruzada" de Ridley Scott, sentado em frente à diva libanesa Cyrine Abdelnour. Nabawy interpreta um carteiro de classe baixa que intercepta cartaz entre Abdelnour e seu namoradinho de infância, por quem se faz passar na tentativa de ganhar o coração dela. Eu, no meu papel de garçom, estava precariamente tentando equilibrar dois pratos no braço. Alguns minutos antes de eu aparecer em cena, um garçom de verdade do restaurante me mostrou como eu deveria carregar os pratos e a forma correta de servir vinho.

Atravessei o salão de jantar desesperadamente, tentando lembrar minha fala em inglês, "excuse me" e ao mesmo tempo parecer verdadeiro ao servir os clientes. Felizmente, a cena saiu mais ou menos sem falhas, apesar de eu ter soltado minha fala antes do combinado. Mas era apenas um ensaio, e tivemos mais "takes" adiante.

Horas mais tarde, estava tudo terminado. Mais uma cena finalizada. Restavam apenas mais algumas semanas de filmagens e a odisséia de um ano e meio para os atores estaria encerrada.

Fonte: G1

Projeto "O Caminho de Abraão", uma nova rota turística no Oriente Médio

sexta-feira, 4 de julho de 2008

São Paulo – Promover o intercâmbio cultural e criar uma rota turística sustentável para o desenvolvimento econômico e aproximação entre os povos no Oriente Médio estão entre os objetivos do projeto "O Caminho de Abraão", desenvolvido por estudiosos da Universidade de Harvard e liderado pelo antropólogo e negociador internacional William Ury. "A idéia do projeto é promover a amizade entre as pessoas, não é um projeto religioso e nem político. É sobre respeito", afirmou Ury ontem (01) à ANBA.

O antropólogo, que está em São Paulo para promover o projeto, disse que a rota turística foi inspirada no Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha, e que a idéia é atrair milhares de turistas como o país europeu atrai. "Não estamos criando algo novo. Estamos renovando. Tirando o pó do caminho", disse Ury.

De acordo com ele, a visão desse projeto é inspirar e promover a abertura de uma rota turística e de peregrinação que reconstitua os passos do profeta Abraão, que deu origem às três grandes religiões monoteístas (judaísmo, cristianismo e islamismo) e que congregam 3,5 bilhões de pessoas no mundo.

O itinerário, que inclui belezas naturais e interesses culturais, leva os turistas a lugares sagrados em Jerusalém, à Mesquita de Ummayad, em Damasco, à Igreja da Natividade, em Belém (Palestina), Urfa e Harrann, na Turquia, e Amã, na Jordânia. Segundo Ury, as pessoas vão poder fazer o caminho a pé, de ônibus, de carro e até a camelo. "É uma viagem para todas as idades e pessoas de todas as religiões", afirmou.

Da cidade de Urfa, onde nasceu Abraão, até a cidade de Hebron, na Cisjordânia, onde está o túmulo do profeta, por exemplo, são 1.200 quilômetros, a mesma distância que tem o trajeto de Santiago de Compostela.

Segundo Ury, parte do caminho de Abraão já está sendo aberto após quatro anos de estudo. Em novembro de 2006, os primeiros passos foram dados com a ida de um grupo de estudiosos de 10 países, inclusive do Brasil. O trajeto teve início em Urfa, depois seguiram para Síria, Jordânia, Palestina até Israel. Desde então, o projeto vem ganhando adeptos e apoio de universidades. No mês passado, um grupo de 20 estudantes da Universidade de Yarmouk, da Jordânia, fez um intercâmbio de duas semanas num vilarejo da cidade de Baoun, no país árabe, com o objetivo de consultar essas comunidades sobre o projeto e aprender um pouco mais sobre elas.

As comunidades locais de cada região também fazem parte do projeto, pois elas vão ajudar a marcar o caminho em conjunto com suas lideranças. "Essa é a mensagem do Caminho de Abraão. De introduzir o respeito e ser hospitaleiro com seus visitantes", disse Ury. Esta semana, um outro grupo universitário vai fazer um intercâmbio na Palestina, na cidade de Nablus, e novamente há um brasileiro na equipe, da Fundação Getúlio Vargas. "A contribuição brasileira ao projeto é essencial. No Brasil há um espírito de fraternidade muito grande e eu espero que muitos brasileiros façam esse caminho, que é muito bonito e cheio de hospitalidade", acrescentou o antropólogo, que lembrou ainda da grande comunidade árabe que existe no Brasil.

Mais para frente, o caminho deverá ser ampliado para abranger também outros países árabes, como Arábia Saudita e Egito. "Vamos passo a passo. É um projeto muito grande e é para uma geração futura", disse Ury, que tem vontade de organizar um grupo brasileiro para fazer o trajeto este ano. Segundo ele, cada país terá uma entidade que será responsável pelo projeto. Na Síria, por exemplo, o projeto já tem apoio do Ministério do Turismo, e será incluída no projeto a visita às duas únicas cidades no mundo que ainda falam aramaico: Maloola e Sydnaia.

No Brasil, um dos diretores do projeto é o empresário Salim Schahin, vice-presidente de Comércio Exterior da Câmara de Comércio Árabe Brasileira. "William é o pai desse grande projeto, que veio para nos unir ainda mais e levar mais prosperidade para o Oriente Médio", disse Schahin.

Ontem foi realizada uma homenagem ao antropólogo em São Paulo. Ele também participou da cerimônia de encerramento do Primeiro Curso Inter Religioso da Iniciativa do Caminho de Abraão. Da Câmara Árabe, também estavam presentes o presidente da entidade, Antonio Sarkis Jr, o vice-presidente de Relações Internacionais, Helmi Nasr, o vice-presidente de Marketing, Rubens Hannun, o secretário-geral, Michel Alaby, e os diretores Mustapha Abdouni, Walter Nori, Bechara Ibrahim e Toufic Sleiman.

Mais informações

Site: www.abrahampath.org

Tunísia investe no País pela primeira vez em fábrica de autopeças

A empresa tunisiana Cofat, fabricante de fios e cabos elétricos para indústria automobilística, vai montar uma fábrica no País ainda este ano para concorrer com gigantes do setor do calibre da Prysma (antiga Pirelli). Braço da Elloumi, maior grupo tunisiano que tem 29 empresas e atua em diversos setores, a Cofat já tem um diretor no País encarregado de encontrar a cidade ideal para o lançamento da fábrica e definiu os investimentos em mais de R$ 22 milhões. É a primeira unidade industrial do Elloumi na América Latina.

O diretor do projeto no País é Kamel Fhoula, segundo informou ontem ao DCI o cônsul honorário da Tunísia em São Paulo, Rubens Hannun. De acordo com Hannun, Fhoula foi contratado na visita de mais de dez dias que executivos da Cofat fizeram ao Brasil no início de março. Na época, o diretor financeiro da Cofat, Elyes Rekik, adiantou à Agência de Notícias Brasil-Árabe (Anba) que o grupo tinha muito interesse em ampliar os negócios com o Brasil, com quem já mantinha importantes trocas bilaterais de importação/exportação. "Agora queremos criar uma planta aqui para fabricar os cabos", disse

Segundo informou ontem a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), o Paraná está entre os três estados cotados pelo Grupo Elloumi para sediar a primeira indústria do grupo na América. O objetivo é fornecer diretamente o produto para as principais montadoras de automóveis do Brasil, segundo informou o diretor do projeto de instalação da Cofat no Brasil, Kamel Fhoula, durante encontro anteontem Fiep. Do encontro, participou o cônsul geral honorário da Tunísia, Heinz Huyer, que indicou o Paraná para sediar a indústria.

Além do Paraná, o grupo tem indicação de outros dois Estados - Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O investimento previsto é de 10 milhões de euros (o equivalente a R$ 22,5 milhões). Deste total, 40% serão investidos em construção e 60% em equipamentos. A indústria vai ocupar uma área superior a 30 mil metros quadrados e gerar cerca de 1600 empregos. Com duas instalações na Tunísia e uma no Egito, a Cofat é a segunda maior fornecedora de fios elétricos para automóvel. Seus principais clientes são Volkswagen, Seat, Audi, BMW, Ford, Mercedes-Benz, entre outros.

O Grupo Elloumi tem hoje 29 empresas que atuam em setores, como alimentos, utensílios domésticos, automobilístico e logística. São 14 fábricas nos países árabes e europeus.

A empresa tunisiana Cofat, fabricante de fios e cabos elétricos para indústria automobilística, está em fase final de escolha do estado brasileiro que abrigará a primeira fábrica do grupo na América Latina. Braço do grupo Elloumi, o maior conglomerado da Tunísia, país árabe, com 29 empresas e atuação em dezenas de setores, a Cofat chega ao Brasil para concorrer com gigantes da área como a Prysma, antiga Pirelli, num momento em que a indústria nacional está com sérias dificuldades para atender à alta demanda.

O setor automobilístico vive um momento de tensão entre os elos da cadeia produtiva. As montadoras alertam para o fato de a indústria de autopeças estar trabalhando com o máximo da capacidade, num ritmo acelerado, o que pode comprometer o fornecimento de produtos. Os fabricantes de autopeças, por sua vez, alegam que o crescimento da demanda foi rápido demais e que principalmente os chamados subsetores, que utilizam na manufatura matérias-primas como vidro e borracha, conseguem fazer poucos investimentos para aumento da produção.

Esse cenário de "empurra-empurra" é criado pelo forte crescimento das vendas de veículos automotores no mercado brasileiro. As montadoras, amparadas pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), alertam para o fato de a indústria de autopeças trabalhar no máximo da capacidade. A Anfavea anuncia hoje os números da produção de veículos do primeiro semestre, que vai mostrar um novo recorde para o período, mas sugere uma certa cautela para a segunda metade do ano.
 

Egito promove primeira semana de cinema brasileiro

Cairo – A primeira Semana do Cinema Brasileiro começa nesta sexta-feira (04) no Centro de Criatividade Artística da Ópera do Cairo e traz ao publico egípcio uma seleção de 15 grandes obras do cinema nacional. A mostra inclui clássicos como "Deus e o Diabo na Terra do Sol", de Glauber Rocha, "Cidade de Deus", de Fernando Meirelles, dramas como "Central do Brasil", de Walter Salles, e "Bicho de Sete Cabeças", de Lais Bodanzky.

O festival vai exibir também comédias românticas como "A Dona da Historia" e "A Partilha", de Daniel Filho, filmes históricos como "Guerra de Canudos" e "Mauá – O Imperador e o Rei", de Sérgio Resende, e até um tributo ao Rei do Futebol com "Pelé Eterno", de Aníbal Massaini Neto.

A mostra permitirá ao espectador egípcio um melhor contato com a vida, arte, cultura e história dos brasileiros. O evento é promovido e organizado conjuntamente pelo Ministério da Cultura do Egito e pela Embaixada do Brasil no Cairo. "Já há muito tempo temos vontade de organizar um evento cinematográfico desse porte com o Brasil, mas não houve oportunidade", disse Abdel Moeti Kamel, diretor artístico da Ópera do Cairo.

Ele acrescentou que havia também receio de que o cinema brasileiro não despertasse muito interesse no público egípcio. "Hoje em dia a situação parece estar mudando um pouco e o público está dando um pouco mais de atenção para o que vem desta região do mundo. Por essa razão acredito que a Semana terá uma boa receptividade", afirmou Kamel.

A Semana de Cinema Brasileiro está criando uma grande expectativa junto aos jovens egípcios que olham cada vez mais para o país. "Temos muito sorte que esta semana começa depois de nossos exames de fim de ano e início de nossas férias de verão. Por isso poderei assistir o maior numero de filmes que puder", disse Heba Mohsen, de 20 anos, que acaba de terminar seu terceiro ano de Ciências Políticas na Universidade do Cairo. "Sou apaixonada pelo Brasil e por tudo o que vem de lá: musica, moda, futebol, tudo. Tenho também vontade de aprender português para poder entender o que dizem", acrescentou.

Heba conta que não é a única a se sentir desta forma. "Nos últimos dias, cada vez que menciono esta semana de filmes brasileiros, para um dos meus amigos e amigas, percebo que eles, que raramente prestam muita atenção ao que eu digo ou faço, de repente ficam atentos e me perguntam: 'ah é, onde vai ser? a que horas'", afirmou ela.

A mostra está criando uma grande expectativa também nos cinéfilos egípcios, dentre os quais muitos que já conhecem algumas das obras que serão apresentadas, como Cidade de Deus, Zuzu Angel ou Os Dois Filhos de Francisco, que foram exibidos na 30ª edição do Festival Internacional de Filmes do Cairo, ocorrido em novembro de 2006.

"Durante esta edição o cinema latino-americano estava sendo homenageado e por isso tivemos a oportunidade de assistir alguns filmes brasileiros. Mas essa não foi a primeira vez que eu entrei em contato com este cinema. Lembro de ter ficado impressionado ao ver o filme Cidade de Deus pela primeira vez numa visita a Paris há alguns anos. Gostei tanto dele que irei certamente revê-lo agora, aqui no Cairo. Na verdade pretendo não somente ver Cidade de Deus, mas muitos dos que estão no programa. Porque parecem ser todos muito bons", diz o advogado Fouad Fauzi.

Finalmente, no que diz respeito a critica egípcia, a semana de filmes brasileiros também desperta um grande interesse. "Infelizmente, até pouco tempo, raramente o público egípcio tinha acesso a filmes vindos desta região. O que é bastante injusto, pois, ao invés de consumirmos filmes americanos ou europeus, que abordam temas que pouco têm a ver com a vida e a cultura em nossa região, deveríamos olhar mais para a América Latina, pois culturalmente temos muito mais em comum com os povos desta região do que com os americanos ou com os europeus", afirmou Amr Ramzi, jornalista especializado em cinema do jornal Al Ahram, o maior do Egito.

Além de vôos diários São Paulo - Dubai. Emirates também amplia destinos com novos vôos para India e China

 
Vôo para Dubai agora é DIÁRIO
 
A Emirates passa operar diariamente o vôo São Paulo - Dubai, a partir de hoje, Os bons resultados da rota, tanto no serviço de passageiros quanto em carga, determinaram esta evolução, como analisa .Ralf Aasmann, Diretor Geral para o Brasil. "Atingimos nossas metas e por isso a Emirates implementa agora o plano desenhado desde o começo: introduzir o serviço diário São Paulo- Dubai na hora certa. A marca Emirates consolida-se no mercado brasileiro e estamos muito felizes que os passageiros escolhem cada vez mais a empresa para seus vôos ao Oriente Médio e à Ásia. Ao mesmo tempo, estamos muito satisfeitos que Dubai está obtendo ótima resposta dos nossos clientes brasileiros tanto como destino de turismo quanto de negócios".

O vôo EK 262 parte do Aeroporto Internacional de São Paulo-Guarulhos todos os dias à 01h25, chegando ao Aeroporto Internacional de Dubai às 23h05, horário local. No sentido inverso, o vôo EK 261 decola de Dubai diariamente às 10h35, pousando em São Paulo-Guarulhos às 18h30.
O Boeing 777-200LR oferece oito suítes privativas na Primeira Classe, 42 assentos na Classe Executiva e 216 assentos de conforto superior na Classe Econômica. Os passageiros desfrutam a bordo do premiado serviço da Emirates, incluindo o sistema digital de entretenimento ice com telas em todas as poltronas das três classes e acesso a mil canais de áudio, vídeo, informação e comunicação.
A tripulação conta com comissários brasileiros ou profissionais que falam português, em todos os vôos.

Em paralelo à nova freqüência brasileira, a expansão global da Emirates contou em julho com a introdução de serviços para mais dois novos destinos internacionais. Guanzu tornou-se a terceira cidade servida pela empresa na China, com 48 freqüências semanais. Kozhikode passou a ser o décimo destino da Emirates na Índia, para onde opera 125 vôos semanais a partir de agora. Com esses novos destinos, a malha de rotas da empresa chega a 101 cidades em 62 países.
 

Campinas tem lei que dá rigor ao respeito pelas vagas especiais, motoristas e comerciantes podem ser punidos

03/07/2008 - 20:15 - Uma lei em Campinas prevê um controle mais rigoroso na hora de fiscalizar se os motoristas respeitam as vagas destinadas para idosos e portadores de deficiência.

Se o comércio onde há o estacionamento não tomar providências, o responsável pelo estabelecimento pode ser multado. E a denúncia pode ser feita pela população. Em um primeiro momento, o comerciante recebe uma advertência, depois a multa é de R$ 186, mas pode dobrar em caso de reincidência.

O aposentado Clemente Alves da Silva tem um carro adaptado, já que tem o lado esquerdo paralisado. Ele comenta que tem dificuldades para estacionar em locais reservados para idosos ou portadores de deficiência física. " "Este dia mesmo, no supermercado, eu pedi para o moço tirar o carro, mas ele não quis", disse.

A lei que cerca ainda mais os motoristas infratores e comerciantes foi publicada no Diário Oficial nesta quinta-feira (3), mas ainda precisa ser regulamentada. O secretário de Assuntos Jurídicos, Carlos Henrique Pinto, garante que há condições para que a lei seja cumprida.

Denúncias podem ser feitas pelo telefone 156, pela Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) e Procon.

A comerciante Cora Zakia discorda da lei e acha que pode gerar polêmica. "Eu não tenho tempo para estar chegando no terceiro, não tenho autoridade política ou policial", disse.

O secretário de Assuntos Jurídicos afirmou que o comerciante tem poder para fiscalizar sim. E se o motorista não quiser respeitar a lei, ele pode ligar para a prefeitura ou para a polícia.

 

EPTV Campinas

quarta-feira, 2 de julho de 2008

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Fronteiras Braskem do Pensamento trouxe ontem a Salvador a mulher que desafiou o Islã

Ayaan Hirsi Ali

 

Política holandesa, nascida na Somália, conhecida pelas suas críticas em relação ao Islã. Atuante do Partido Liberal, já foi deputada do Parlamento holandês. Também atuou como roteirista de cinema em Submissão – Parte I, o curta-metragem de Theo Van Gogh sobre a repressão sofrida pelas mulheres no Islã, história oriunda de uma ameaça de um fundamentalista islâmico. Ganhadora do prêmio Liberdade do Partido Liberal da Dinamarca "pelo seu trabalho a favor da liberdade de expressão e dos direitos das mulheres" e do prêmio Democracia do Partido Liberal da Suécia "pelo seu corajoso trabalho a favor da democracia, direitos humanos e direitos das mulheres".

Foi com grande expectativa e com um esquema de segurança pessoal que Salvador aguardou a chegada de Ayaan Hirsi Ali, conferencista do Fronteiras Braskem do Pensamento, no dia 1º de julho, às 20h, no Teatro Castro Alves (TCA), em Salvador.

O TCA foi palco do encontro com uma mulher que transgrediu as grades de sua própria cultura e rompeu as fronteiras do pensamento em direção à liberdade. Na conferência, ela falará sobre o seu livro Infiel. A História de uma mulher que desafiou o Islã (Companhia das Letras, 2007), uma autobiografia, onde narra a trajetória de sua vida e conta o caminho que a levou de uma infância na África a se converter em afamada deputada e escritora. Mostra ainda sua infância tradicional muçulmana na Somália até o despertar intelectual na Holanda e a existência cercada de guarda-costas no Ocidente.

Os cerca de 1500 baianos que adquiriram o passaporte para o ciclo de conferências tiveram a oportunidade, talvez única, de presenciar e ouvir a história de vida da somali naturalizada holandesa, e conferir o que tem por trás da aparência frágil e do cerco de muitos seguranças.

http://www.fronteirasdopensamento.com.br/salvador/ba_home.php

***
Considerada pela revista americana Time uma das cem pessoas mais influentes do mundo, Ayaan Hirsi Ali conversou com o Folha por telefone. A entrevista só pôde ser feita após fortes precauções de segurança, a fim de que se pudesse, ao máximo, esconder o paradeiro dela.

***

FOLHA – Depois de mais de um ano vivendo nos Estados Unidos, como é sua vida no país?

AYAAN HIRSI ALI – Está muito boa, eu gosto muito de estar lá. É muito simples se integrar aos EUA, já que eu tenho alguns privilégios. Eu falo a língua, eu tenho um emprego. Foi bem tranqüilo para eu me adaptar.

F – Como o trabalho se encaixa na sua vida atualmente, depois de ser deputada na Holanda e se afastar da política?

AHA – Bem, é muito normal. Eu trabalho, eu escrevo, eu viajo, eu faço palestras, publico artigos. Continua agitada, mas menos agitada. É mais previsível, mas confortável do que quando eu era deputada.

F – Você acha que um dia vai se sentir americana, como declarou se sentir holandesa?

AHA– Sim (risos), aparentemente. Acho que assim como muitos outros americanos que estão lá, especialmente os da primeira geração. Eles foram muito fortes, eu penso que também posso ser assim.

F – O que você acha da indicação de Barack Obama para disputar as eleições americanas? Identifica-se com suas propostas em relação à imigração e acha que o fato dele ser de origem queniana pode influenciar numa nova postura em relação à África?  

AHA– Eu acho que ele é um homem brilhante. Eu espero que ele cumpra o que ele vem dizendo, mas não sei se ele pode mudar muito o que acontece na África. Se ele for eleito presidente dos Estados Unidos, vai lidar com muitos interesses e políticas. E eu acho que na África a política dele não vai ser muito diferente dos outros, sendo realista. Seria uma grande façanha ele ser presidente dos EUA pelo partido democrata com a estrutura que tem pessoalmente. Teve mãe solteira, um pai poligâmico, ele veio do Quênia. Obama é um exemplo não apenas para os negros americanos, mas para todos os negros. Mas, se ele for eleito, será presidente dos Estados Unidos, não da África. É algo que devemos ter cuidado. Ele não é um messias, é um político.

F – Mas você acha que o povo africano que sofre com ditaduras e perseguições, como no caso recente das eleições no Zimbábue, podem enxergar nele uma esperança de melhora ou as pessoas não se importam muito com isso?

AHA – Eu acho que os africanos podem considerar Obama um modelo para eles. Eu acho que todos que pensam que um negro não pode ser um presidente, um grande líder, que não pode chegar a nenhum lugar com mérito estão sendo desmentidos por Barack Obama. Mas quando ele for presidente, vai encontrar oposição do partido republicano, como ele teve nas prévias com Hillary Clinton.

F – A discussão racial não costuma aparecer na sua fala, nem tem espaço de destaque na sua autobiografia. Você não enfrentou problemas raciais na Holanda ou nos EUA, ou os percebeu?

AHA – Nos Estados Unidos, sinceramente, não. Eu acho que por causa da minha experiência, meu jeito de entrar... Veja, eu não entrei nos EUA como uma refugiada mexicana, não vim como uma imigrante ilegal do Haiti. Eu não sei como eles são tratados, não sei como é essa experiência. Eu só encontro algumas dessas pessoas casualmente, quando elas estão fazendo trabalhos manuais. E aí eles me dizem, se eles falarem inglês, sobre algumas terríveis experiências. Antes de ir para lá, eu tinha um passado, uma atividade. Eu fui convidada pelo governo para morar lá. Eu falo a língua, eu tenho um trabalho, tive uma educação superior. Todas essas coisas realmente importam.

F – Então, você acha que o racismo nos EUA é um problema socioeconômico e não de raça ou origem?

AHA – Sim. Todas essas questões de racismo estão ligadas a isso. 

F – A situação das mulheres mulçumanas se modificou depois da série de denúncias que você fez nos livros e no filme?

AHA – Bem, em quase todos os lugares que eu vou falar sobre o livro, eu encontro com mulheres muçulmanas. E a maioria não concorda comigo. E aquelas que geralmente concordam ficam anônimas, têm medo de acontecer alguma coisa com elas.
F – Você já disse que, apesar de viver com uma sentença de morte, sente-se uma mulher de sorte. Você acha que pagou um preço muito alto por isso?

AHA – Eu tenho minhas convicções e quero participar desse debate sobre o Islã e o Oeste e, especialmente, sobre as mulheres muçulmanas. É importante para mim. Mas as pessoas que acham que eu estou atacando elas, usam a intimidação e ameaças para tentar me calar. Mas enquanto tiver segurança, eu não vou me calar e vou continuar expondo meu ponto de vista.

F – O que a motivou a vir o Brasil?

AHA – Eu fui convidada para vir ao Brasil para divulgar Infiel ano passado, mas não pude por causa de problemas de segurança. Mas, agora, meu editor estabeleceu contato com um representante aqui e eles dois conseguiram com o governo brasileiro que eu pudesse ter a proteção adequada.

F – Aqui na Bahia nós tivemos um grande número de escravos vindos da África, no passado. Salvador é a segunda cidade em população negra do mundo, atrás apenas de Lagos, na Nigéria. A vida das mulheres negras aqui pode ser tão difícil como nos países da África. Que mensagem você mandaria para essas mulheres?

AHA – Eu acho que os problemas sociais e econômicos não têm muito a ver com a origem, e sim com a cultura. Mas, sinceramente, eu não conheço muito os problemas do Brasil. Recentemente, eu estive em um simpósio em Ruanda, um país apenas com negros, e a economia deles está crescendo a 8% ao ano, quase a mesma coisa que a China. E isso aconteceu porque eles mudaram a cultura deles. As mulheres estão se emancipando, se educando. Em vez de guardar dinheiro, o governo está investindo em educação e estão indo muito bem. E isso não tem nada a ver com a cor deles. Acho que os negros têm que aprender a quebrar alguns tabus, rejeitar alguns valores familiares hereditários para que possam crescer. Acho que isso é uma das coisas bem complexas que eu tenho visto na América... E mais uma vez, eu realmente não sei quase nada sobre o Brasil (risos).

F – Como está atualmente a relação com sua família? Gostaria de voltar um dia à Somália ou ao Quênia?

AHA – (Risos) Eu gostaria, mas agora... você sabe, é impossível. A relação não é tão ampla. Bem, de mim para eles não há problema.

F – O problema é eles chegarem até você.

AHA – Sim, e eles também têm um problema com a religião.

http://www.correiodabahia.com.br/folhadabahia/noticia.asp?codigo=156533

Feira de Damasco está com inscrições abertas

São Paulo – A Câmara de Comércio Árabe Brasileira está com as inscrições abertas para empresas brasileiras interessadas em participar da Feira de Damasco, que acontece entre os dias 15 e 22 de agosto na capital da Síria. A feira é multisetorial e as inscrições podem ser feitas no Departamento de Marketing da Câmara Árabe até o próximo dia 07 de julho.

A Câmara Árabe terá na mostra um estande com 54 metros quadrados, no qual, além da participação institucional da entidade, haverá espaço para empresas brasileiras. No local ficarão profissionais da Câmara Árabe, dando informações sobre o mercado e a produção da indústria nacional. As empresas que têm interesse no mercado sírio, mas não terão condições de ir até Damasco, podem enviar catálogos para distribuição no estande.

A participação na feira está sendo organizada pela Câmara Árabe, com a colaboração da embaixada do Brasil em Damasco. De acordo com informações do Departamento de Marketing da Câmara Árabe, produtos que têm grande potencial no mercado sírio atualmente são maquinários para agricultura e indústria têxtil, semi-acabados, móveis, acessórios de decoração, além de etanol e biocombustíveis em geral.

O secretário-geral da Câmara Árabe, Michel Alaby, afirma também que produtos brasileiros como alimentos semi-industrializados, em natura, madeiras, e matérias-primas para autopeças podem encontrar um bom mercado na Síria. O país tem restrições a importações de alguns tipos de produtos acabados. Alaby lembra, no entanto, que a economia síria está estável e o mercado em bom momento em função do petróleo.

"A Síria está com o sistema financeiro mais aberto e a tendência é que isso aconteça também com outros setores", diz o secretário-geral. Nos últimos anos, o país fez reformas que a abriram aos bancos privados e estrangeiros, consolidou sua taxa de câmbio e resolveu implantar uma bolsa de valores, o que deve ser feito até o ano que vem. No ano passado, o crescimento real da economia síria foi de 3,3%.

O país tem boa parte da sua economia atrelada ao setor de serviços, apesar de o petróleo e a agricultura terem peso grande no país. Os serviços respondem por 48,9% do Produto Interno Bruto sírio, a agricultura 23,6% e a indústria 27,5%. A indústria síria produz petróleo, têxteis, alimentos, bebidas, cigarros, fosfato, cimento, entre outros. O país produz 380 mil barris de petróleo ao dia e exporta 150 mil. O PIB da Síria alcançou US$ 37,7 bilhões no ano passado.

O Brasil aumentou bastante as suas exportações para o mercado sírio entre janeiro e maio deste ano. As vendas, que estavam em US$ 77,5 milhões nos mesmos meses de 2007, passaram para US$ 101 milhões. Açúcar, café, papel e carnes estiveram entre os principais produtos vendidos. As exportações sírias ao Brasil, porém, são bem menores. Ficaram em US$ 2,8 milhões nos cinco primeiros meses deste ano. Sementes de cominho e de anis foram os principais itens da pauta.

Feira de Damasco
De 15 a 22 de agosto
Damasco – Síria
Informações: Departamento de Marketing – Câmara Árabe 
(11) 31474073 ou marketing@ccab.org.br

Landmark vai abrir 10 hotéis para muçulmanos

São Paulo – A Landmark Group, empresa dos Emirados Árabes Unidos especializada em gestão e desenvolvimento do setor hoteleiro, anunciou o lançamento, a partir de 2010, de 10 hotéis de padrão internacional e adequados aos costumes islâmicos nos Emirados e na Arábia Saudita. As informações foram publicadas hoje (01) pela Qatar News Agency.

O grupo quer atender a crescente demanda por este tipo de hotel no Oriente Médio. Segundo informações da companhia, o crescimento do número de turistas árabes e islâmicos e o aumento do índice de gastos desses visitantes representam um fator essencial para o aumento da procura por hotéis que operam de acordo com a Sharia, conjunto de regras baseadas na tradição muçulmana. Os hotéis serão construídos em conformidade com os padrões internacionais, a fim de oferecer serviços de elevada qualidade aos hospedes islâmicos e não islâmicos.

De acordo com os dados da Organização Mundial de Turismo (OIT), os turistas dos países do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) gastam mais de US$ 12 bilhões anualmente em viagens de lazer. A título de exemplo, a média de gastos de cada turista dos Emirados Árabes Unidos é de US$ 1.700 em cada período de férias, o que representa um aumento de US$ 500 em comparação com a média dos gastos do turista europeu.

Seis dos hotéis anunciados serão construídos em Dubai, dois em Abu Dhabi e outro de quatro estrelas em Fujayrah. Na Arábia Saudita será construído um hotel em Jeddah.

*Tradução de Saleh Haidar

Gatinho que mora na CPFL Energia

terça-feira, 1 de julho de 2008

Que foto!
Tirei essa foto hoje quando cheguei ao trabalho.
I taked this picture today at my work.



Revista Dez - Sofia, a Cidadã do Mundo vai para África



Dica de site: UAE INTERACT -> Notícias & Informações dos Emirados Árabes Unidos

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